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4 de outubro de 2017

Mario & Luigi: Superstar Saga + Bowser's Minions


Este mês parece estar tudo de olhos postos em Super Mario Odyssey, mas enquanto que Mario salta para o grande ecrã chega também uma velha aventura à 3DS, o remake de Mario & Luigi: Superstar Saga, um velho clássico da Game Boy Advance. Esta marcou a primeira aventura em que Mario (e Luigi) têm uma missão um pouco diferente da habitual, e marcou também a estreia dos RPGs de Mario em portáteis.


Para quem não conhece o enredo, a voz de Peach foi raptada roubada e trocada por algo mais explosivo, literalmente. Frustrado e incapaz de a raptar, Bowser pede então ajuda a Mario e Luigi para que volte tudo ao normal, e começa a aventura em Beanbean Kingdom. Este é um título bastante querido entre os fãs, que lançou uma série em que nada parece fazer sentido (nem é suposto), com personagens icónicas como Fawful, o terrível feijão e autor da frase "I have fury!", que voltou a marcar presença em jogos posteriores. A série tem vindo a ter novos jogos mas esta é a primeira vez que conta com um remake!

Desde 2003 que temos tido aventuras de Mario & Luigi bastante caricatas: viagens no tempo com duos improváveis em Partners in Time; aventuras nas entranhas de Bowser em Bowser's Inside Story; explorar o mundo dos sonhos de Luigi em Dream Team Bros. e ainda cross-overs com Paper Mario em Paper Jam Bros. Cada título é bastante diferente dos outros, com histórias únicas e sempre mantendo o sentido de humor de que já é característico, onde até mesmo velhos vilões nunca são levados a sério. Voltar ao início da série foi-me bastante curioso, e mesmo ainda hoje o jogo parece atual, não tivesse jogado o original algumas vezes até me teria parecido um jogo novo.


Sendo um remake fiel ao original, o que primeiro salta à vista são os gráficos muito mais detalhados, semelhantes aos recentes Mario & Luigi lançados na 3DS. O jogo está ainda mais vivo e colorido, tanto nos cenários como os personagens que têm imensas animações e trazem bastante vida a um jogo 2D. Também o ecrã tátil acrescenta bastante ao jogo, onde podemos ter um mapa bastante prático ou selecionar os movimentos que podemos fazer no cenário (algo que raramente usei, pois tinha acesso aos mesmos através do botões L e R).

Como grande novidade do jogo é Minion Quest: The Search for Bowser, uma história em paralelo com a principal em que tomamos o controlo de lacaios de Bowser, numa aventura para o resgatar. Aqui todo um conjunto de Goombas, ShyGuys entre outros conhecidos enfrentam várias hordas de inimigos, e tal como em Mario & Luigi temos momentos em que premir um botão no momento certo é a chave para a vitória. Acaba por ser mais interessante do que inicialmente parece, e a história mantém bem o carisma especial da série.


Mas enquanto que se nota o carinho que o jogo original teve, senti a falta de dois elementos que adorei nos 2 jogos anteriores mas que aqui não estão presentes e que me deixaram bastante desconsolado. O mais grave é a falta da localização em português, algo que achei fantástico principalmente em Dream Team Bros., não só por manter na perfeição o estilo de humor mas também o modo como conseguiu encaixar muito bem vários termos e nomes em português. Outra falha é a ausência do efeito 3D, com cenários que funcionavam muito bem com os gráficos 2D do jogo e causavam uma muito boa impressão.

Já a jogabilidade foi melhorada, desde poder acelerar a velocidade do jogo em sequências de história a menus mais práticos tanto ao explorar o mundo como durante os combates. Tal como a série nos habituou, as batalhas são um misto de RPG por turnos e um jogo de ritmo, em que todos os ataques envolvem premir botões no tempo exacto para melhores resultados. O jogo facilitou bastante este sistema, pois não só as dicas visuais são mais fáceis de perceber agora, como há um modo "Easy" que facilita imenso tirar o melhor partido dos ataques especiais a custo de dar menos dano.


Em termos de dificuldade, senti que o jogo é demasiado fácil. Talvez seja por conhecer o jogo, ou pelos movimentos especiais serem bastante básicos quando comparados com o que a série trouxe posteriormente, mas as derrotas foram poucas, e nunca estive próximo de ficar sem itens para recuperar vida. Várias vezes senti que o jogo podia ter um modo mais difícil, para ter batalhas mais entusiasmantes, mas o jogo simplesmente é uma aventura bastante tranquila. As batalhas contra bosses continuam tão interessantes como no jogo original, cada um deles com mecânicas que dá gosto explorar, mas novamente nunca encontrei dificuldades.

Já algo que ainda me puxa no jogo é a sua longevidade, pois o que aparenta ser um jogo curto e com um mapa pequeno, acaba por se desenrolar em bastantes horas de jogo, onde mesmo ao revisitar partes do jogo há sempre coisas a descobrir. O jogo não é monótono, a história consegue agarrar e, mesmo tratando-se de um jogo de 2003 é um jogo que continua a ser bastante atual, não só pelo sistema de batalha único, como por não funcionar à base de quests secundárias, algo que era bastante normal.


A 3DS continua a ser um grande palco para os RPGs, e mesmo passados estes anos todos continuamos a receber bons títulos dentro do género na consola. Superstar Saga ainda é um dos favoritos da série para muits fãs, e este remake acaba por ser uma grande oportunidade de matar saudades. Quem nunca o jogou tem um bom título a considerar, mesmo sendo bastante mais simples quando comparado com os jogos que se seguiram.


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.