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30 de novembro de 2015

Mario & Luigi: Paper Jam Bros.


O duo Mario e Luigi estão de volta ao universo RPG, naquele que é o 5.º jogo da série que se estreou em Superstar Saga. Desde então temos assistido a viagens no tempo, ao interior de Bowser ou até vaguear pelos sonhos de Luigi, o que nos faz pensar que já vimos de tudo. Contudo surge algo inédito na série: um crossover entre dois universos, sendo que o segundo é Paper Mario, outra série RPG muito conhecida devido ao seu estilo artístico bastante único.

A aventura começa quando Luigi se depara com um estranho livro, que ao abrir (por acidente) liberta o mundo de Paper Mario no Reino Cogumelo. Como seria de esperar, o resultado é todo um conjunto de personagens em duplicado, que para além de inúmeros Toads e lacaios de Bowser feitos de papel, surgem figuras mais importantes como Peach ou Bowser. O duo de Bowsers rapidamente se une para raptar ambas as Princesas Peach, uma situação que elas próprias já ridicularizam.

Mario, Luigi e ainda Celeste, figura que acompanha os heróis nesta série, partem então novamente numa missão de resgate, e rapidamente encontram Mario de Papel. Surge assim um trio improvável de heróis, com dois Marios de universos diferentes, e um Luigi que os acompanha. A premissa é bastante simples, mas serve de plano para todo um conjunto de peripécias que irão surgir durante a aventura, com bastante potencial por lidar com dois universos num só.

Mesmo sendo a junção de dois títulos RPG de Mario, este é sem qualquer dúvida um Mario & Luigi, e Mario de Papel surge como uma espécie de convidado, repleto de truques que só ele é capaz. Mas não são apenas os personagens que entram neste mundo, mas também o próprio cenário se vê invadido por versões de papel de vários montes, plataformas, pontes, etc. Há um excelente trabalho ao unir os dois universos, existindo até mesmo uma certa harmonia entre estilos, sem haver um único elemento que parece "fora do sítio".

O sistema de batalha continua a apostar na perícia do jogador, em que para tirar melhor partido dos ataques é preciso premir os botões em momentos chave, não só dos ataques, como também para nos defender ou contra-atacar os adversários. Entre as novidades temos propriedades exclusivas de Mario de Papel, que é capaz de criar cópias dele mesmo, estas que permitem que os seus ataques dêm mais dano, e servem ainda de escudo. À medida que é atingido vai perdendo cópias, e quando não as tem passa a perder Pontos de Vida, tornando-o um alvo vulnerável. Contudo podemos sempre gastar um turno a recuperar as cópias todas.

Também muitos inimigos de papel surgem com várias cópias, o que muitas vezes dá um desafio extra às batalhas. Felizmente temos de volta os Ataques Bros., usados apenas por Mario e Luigi, ataques estes que vamos ganhando aos poucos ao encontrar Coelharápio (que os roubou!). Com a ajuda de Mario de Papel temos os Ataques Trio, em que o trio de heróis trabalha em conjunto em devastadores ataques.

O jogo consegue oferecer vários desafios, através de batalhas que colocam em prática os reflexos de qualquer um. Mas para os mais inexperientes, ou que querem uma aventura mais relaxada, é possível baixar a dificuldade do jogo, a custo de algumas recompensas.

Outra mecânica nova são as cartas, em que criamos um baralho que, depois, podemos usar uma carta por turno (sem gastar o mesmo) a custo de estrelas que vamos recebendo enquanto lutamos. Estas cartas podem curar, aumentar estatísticas, provocar dano ou até mesmo aumentar a experiência e moedas que recebemos no final da batalha. O jogo tira ainda partido das figuras amiibo do universo Super Mario (excluindo Rosalina e Bowser Jr.), em que podemos usar cada figura pelo menos uma vez durante a batalha, com habilidades idênticas às das cartas.

Tal como Dream Team Bros., este jogo está localizado em português, este que é extremamente recomendável devido ao muito bom uso de expressões nossas. Desde Toads preocupados porque "lhes vão fazer a folha", a palavras tipicamente portuguesas, a localização faz um bom trabalho a enquadrar a nossa língua no típico estilo de humor que a série oferece.

Quando comparado com os restantes jogos da série, este afasta-se um bocado daquilo que temos vindo a acompanhar neste universo. Muitos personagens chave, ou até mesmo criaturas exclusivas desta série não têm presença, dando lugar a personagens bastante conhecidos do universo dos jogos de plataformas de Super Mario.

Existem personagens que vão deixar muitos fãs da série bastante satisfeitos, estes que têm marcado presença ultimamente, não só em jogos principais como noutros spin-offs. Curiosamente tanto Bowser como Bowser de Papel não têm muita presença no jogo, dando mais destaque a ambos os Bowser Jr., ou até mesmo a Kamek que constantemente nos faz a vida negra.

Desaparece o "mundo especial" como era o caso do interior de Bowser, ou os sonhos de Luigi, e como uma espécie de recompensa somos recebidos por imensos mini-jogos onde temos de salvar Toads de papel. Estes podem ser pequenas partidas de apanhada, escondidas, ou até mesmo alguns puzzles, e são importantes para avançar na história do jogo. Tal acontece porque estes Toads são necessários para construir Gigapapelões, "máquinas" gigantes de cartão usadas para batalhas especiais, à semelhança das batalhas de Bowser ou Luigi gigantes, dos jogos anteriores.

Estas batalhas em tempo real são interessantes, embora simples: o nosso Gigapapelão é transportado por Toads, que vamos perdendo sempre que atacamos ou somos atingidos. Para recuperar Toads temos de ir a zonas específicas da arena, premir o botão ao ritmo da música que aparece, e depois voltar ao ataque.

Tendo em conta as possibilidades imensas através de personagens únicas, tanto de Mario & Luigi como de Paper Mario, o jogo não corresponde à espectativa. A aventura em si também parece um simples passeio, com poucos momentos marcantes como temos nos restantes jogos da série, ou até mesmo ambas as séries. Existem várias distrações, principalmente através de mini-jogos que livra o jogo de se tornar repetitivo, mas parece ficar a faltar algo o jogo todo.


Ainda assim é um jogo bastante recomendável, não só para os fãs do género como para quem quer explorar um estilo diferente de RPG, que temos vindo a ter desde o Super Mario RPG na SNES. Consegue ainda redimir, de um certo modo, o Mario de Papel, depois da sua última aventura em Sticker Star, na 3DS, que deixou os fãs bastante desapontados por fugir muito ao género.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.