Notícias

Análises

12 de julho de 2013

Mario & Luigi: Dream Team Bros.


A série Mario & Luigi tem acompanhado as portáteis da Nintendo desde a Game Boy Advance com a sua estreia em Superstar Saga, e desde então tem vindo a explorar universos e histórias únicas, como recuperar a voz de Peach (trocada por uma voz explosiva), viajar no tempo ou até mesmo ir ao interior de Bowser. Este quarto capítulo não faz por menos, e dá destaque a Luigi naquele que é o seu ano.

Desta vez Peach e os seus súbditos são convidados pelo Dr. Bocejo a visitar a Ilha Travesseiro para passar umas belas férias, mas a viagem está longe de ser de descanso e rapidamente Mario e companhia vêm-se envolvidos nos mistérios da ilha. Entre os rostos familiares da ilha encontra-se Celeste (Starlow) que ajudou Mario e Luigi em Bowser's Inside Story, e pouco depois deste re-encontro exploram o Castelo Travesseiro, onde encontram uma misteriosa almofada de pedra. Luigi rapidamente dá-lhe uso e assim se descobre o seu talento em adormecer facilmente em qualquer situação, e algo de fantástico acontece.

Ao adormecer, Luigi (em sintonia com o poder da ilha) cria portais para o Mundo Onírico, onde a sua imaginação e subconsciente não têm limites. Como é tradição Peach é raptada sugada para esse mundo e Mario segue em seu resgate. Aqui depara-se com uma realidade diferente, e juntamente com Luigi Onírico, uma versão de sonho do seu irmão, encontram o Príncipe Oniriberto, líder da raça Travesseiro que foi transformada em almofadas de pedra pelo maquiavélico Conde Antasma.

O jogo tem uma história bastante simples mas bem desenvolvida, a progressão do jogo é feita sem quebras de ritmo na narrativa, sempre bem acompanhada por personagens interessantes. Pela primeira vez o jogo está todo ele localizado em português, está excelente e recomenda-se pois não se ficou apenas por uma tradução conseguindo adaptar bem os diversos nomes, quer de personagens e locais como também dos itens! Há um charme especial ao jogar em português, o modo como as personagens falam é mais pessoal, e quando uma personagem tem um modo mais pomposo de falar, ou usa o sarcasmo, a mensagem é perfeitamente transmitida.

Temos dois mundos bastante diferentes a explorar, o da Ilha Travesseiro e o Mundo Onírico. No primeiro Mario e Luigi exploram as diferentes áreas da ilha e resolvem enigmas em conjunto, e com o decorrer do jogo aprendem novas habilidades como por exemplo usar martelos que permitem Mario destruir pedras enormes ou pressionar grandes botões, e quando Luigi usa o seu permite que Mario use habilidades de Mario Toupeira, enterrando-o no chão, e Mario Pequeno para entrar em locais baixos.

Espalhadas nas ilha estão almofadas de pedra, onde Luigi usa o seu sono profundo abrindo portais para o Mundo Onírico, este que se apresenta como um jogo de plataformas ao estilo 2 dimensões. Luigi aparece no ecrã táctil enquanto dorme, e quando Luigi Onírico se funde com os elementos do cenário, a imaginação de Luigi transforma-se em ferramentas que permite Mario avançar neste mundo. Para tal temos de interagir com Luigi, puxando pelo seu bigode, tocando no seu nariz para que espirre ou até mesmo rodá-lo, entre outras habilidades que vamos descobrindo.

Visualmente o jogo está excelente, conseguindo tirar partido do efeito 3D da consola e conjugar os cenários tri-dimensionais com os sprites das personagens. Estes sprites tiveram uma evolução bastante grande quando comparado com os restantes jogos da série, Mario e Luigi estão extremamente bem animados, quer seja a explorar o mundo ou nas batalhas, estão mais vivos que nunca. Por vezes temos ainda modelos 3D das personagens que funcionam extremamente bem com o estilo do jogo, como o Luigi adormecido no ecrã táctil, cheios de detalhe e muito bem animados, reforçando ainda mais a qualidade visual do jogo.

O sistema de combate mantém-se idêntico ao resto da série, com batalhas feitas por turnos em que temos de estar sempre atentos para tirar melhor partido dos ataques, premindo o botão A (para Mario) e B (para Luigi) no momento certo para efectuar excelentes ataques. Para defender temos também de premir os botões na altura certa, que ao aprender os diferentes movimentos dos diversos inimigos ficamos a conhecer o timing certo para poder desviar e até mesmo contra atacar. Efetuar bem os ataques enche a barra de medalhas, que depois tem efeitos variados dependendo das medalhas que temos equipadas.

No Mundo Onírico o sistema muda um pouco e controlamos apenas Mario mas com Luigi Onírico fundido com ele, e cada ataque de Mario liberta um exército de Luiginoides, réplicas do Luigi que atacam em conjunto destruindo assim os grupos de inimigos. Para ajudar na festa temos ainda as Ações Bros no mundo real, em que Mario e Luigi atacam em conjunto, e no Mundo Onírico os Ataques Luiginários que são novos na série, onde podemos controlar uma bola de Luiginoides, usar uma torre deles ou até mesmo criar um martelo gigante! Alguns destes ataques são controlados pelo giroscópio da 3DS, trazendo assim algo de novo aos controlos dos ataques, mas sejam estes ou controlados por botões, não efetuar bem o ataque resulta num menor dano atribuído, ou falhar por completo esse ataque.

À semelhança de Bowser's Inside Story temos ainda um modo de batalha em que seguramos na 3DS em formato livro e controlamos um Luigi Gigante através do ecrã táctil, para derrotar inimigos colossais. A animação destas batalhas está excelente, os modelos 3D muito detalhados e os controlos simples ajudam bastante. É curioso voltar a jogar com os ecrãs na vertical, mesmo que descarte por completo o efeito 3D da consola, e traz ainda alguma nostalgia dos jogos que jogávamos na DS em formato livro.

Acompanhando o jogo temos uma empolgante banda sonora que funciona muito bem com os diversos cenários do jogo, ao entrar numa batalha sabemos que vamos ter uma música extremamente viciante, e acima de tudo que nos entusiasma. O jogo usa músicas com um estilo muito retro e electrónico, inserindo ainda alguns toques de orquestra pelo meio. De volta estão também os diálogos de Mario e Luigi impossíveis de decifrar mas bem compreendidos pelas restantes personagens.


O ano é do Luigi, e este jogo sabe dar destaque ao irmão mais novo dos famosos canalizadores, e apresentar bem o seu afecto e admiração por Mario. Um jogo de sonho, onde sentimos uma forte evolução do que foi feito até agora, sabendo aproveitar bem os elementos já existentes, melhorá-los e ainda trazer algumas novidades, criando assim o melhor jogo da série. Os veteranos da série têm um excelente jogo para voltar, e os restantes uma oportunidade ideal para experimentar a série.