Notícias

Análises

16 de março de 2016

Parascientific Escape: Cruise in the Distant Seas


Os escape games vieram para ficar: uma espécie de aventura que nos colocam presos numa sala, casa, entre outros locais, onde podemos correr perigo de vida e temos de escapar. Felizmente a nossa vida não está em causa nos jogos reais, que por aí andam em Lisboa e no Porto (até ver), mas no campo dos video-jogos é uma hipótese recorrente. A CIRCLE Entertainment tem apostado bastante na 3DS, e desta vez aposta num estilo de jogo que (ainda) é pouco presente.

Este género é talvez melhor conhecido através da série Zero Escape, ou de um certo modo Denganrompa: visual novels à volta de um mistério e curiosas personagens que são bastante mais complexas do que aparentam. Podemos até mesmo questionar o conceito de jogo, pois resume-se a uma grande extensão de texto e algum gameplay, este que surge entre puzzles, que nos fazem avançar. Parascientific Escape é um novo jogo deste género, com um nome algo confuso mas, em si, um jogo extremamente simples.

Sendo o enredo o ponto principal dentro do género, este é sobre 4 jovens raparigas que vêm a sua vida em risco: o destino (bem, alguém) juntou-as num barco, que se encontra prestes a afundar após ter sofrido uma explosão. Aqui assumimos o papel de Hitomi, que acaba por ser líder de um grupo pouco normal, pois tanto ela como a sua melhor amiga Chisono têm poderes psíquicos. Este é o ponto mais importante da história, e ao mesmo tempo bastante útil para criar puzzles.


Em si o jogo é extremamente simples, e resume-se a "carregar em todos os objetos do cenário até obter um item ou resposta para o puzzle". Não há um único momento complexo que nos deixe a pensar na solução, sendo esta demasiado óbvia, e mesmo se não soubermos o que fazer, temos hints para abusar, sem qualquer custo, que nos dizem literalmente a resposta.

Os puzzles que vamos encontrando são simples, embora interessantes por terem mecânicas diferentes à medida que avançamos: com os seus poderes, Hitomi é capaz de conseguir ver o que está detrás de uma porta, ou até mesmo dentro de objetos. Tal cria alguns puzzles onde temos de mover objetos para os obter, ou até mesmo desbloquear fechaduras. No entanto mesmo esses quebra-cabeças são demasiado simples, em que podemos recomeçar caso não consigamos resolver no número de passos possíveis.

Visualmente é um jogo apelativo, com cenários detalhados (embora estáticos) e personagens desenhadas ao estilo japonês, embora estas pecam por serem quase sempre o mesmo desenho onde muda apenas a cara. A falta de diversidade agrava-se na banda sonora, que é muito limitada e causa algumas situações menos felizes: é muito estranho lidar com um momento bastante grave, enquanto dá uma música descontraída ou até mesmo alegre.

A jogabilidade cumpre o seu papel de point-and-click (embora aqui seja só mesmo o click da stylus no ecrã tátil), mesmo com alguns problemas ao tentar mover objetos nos puzzles, ou até mesmo ter de verificar a nossa escolha. Por exemplo, num dos puzzles temos de marcar um número de telefone, e em vez de pressionar logo os números, temos carregar no número e depois selecionar a única opção, "Press". Existem ainda alguns erros na escrita, como num caso onde Hitomi, ao ler uma solução para um enigma, diz antes outro texto relacionado com o mesmo puzzle.

Quem esteja à espera de um novo Zero Escape vai ficar dececionado com este jogo: a história é previsível e longe de complexa, e não consegue criar uma certa ansiedade por ver "o que acontece depois". Existem muitos diálogos que nos contam um pouco mais sobre aquele mundo (que não é bem o nosso), e vão contando o passado dos personagens, mas tanto surgem como rapidamente se tornam irrelevantes. É ainda muito estranho o modo como as personagens estão demasiado relaxadas, enquanto exploram um barco prestes a afundar (basta ver o filme Titanic para perceber o pânico normal nessa situação). Esta falta de imersão é ainda agravada com a presença de Merja, a mais jovem do grupo, que tem uma bomba presa ao pescoço, mas que raramente o assunto é discutido ou parece causar algum transtorno.


Ainda assim é um jogo que pode interessar quem procura visual-novels ou até mesmo jogos ao estilo escape game, embora este seja extremamente pequeno com poucos capítulos. Aos poucos vão surgindo mais jogos dentro do que começa a ser um género com muito potencial a explorar, e que se destaca de outros jogos ao estilo aventura gráfica, como é o caso de Professor Layton ou Phoenix Wright.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a 3DS, gentilmente cedido pela CIRCLE Entertainment