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14 de janeiro de 2013

999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors


Junpei acorda trancado num quarto desconhecido no interior de um barco. A sua última memória? Um homem com uma máscara de gás. Terá sido raptado? O quarto começa a inundar – Junpei sente perigo de morte, tem de encontrar maneira de escapar!

Nove desconhecidos encontram-se no interior de um navio sem saber como lá foram parar. No pulso, uma pulseira eletrónica parecida com um relógio, indicando um número de 1 a 9 no mostrador. Descobrem que são participantes de um jogo macabro chamado "Nonary Game", onde as próprias vidas estão em risco: têm um máximo de 9 horas para escapar, sendo para tal necessário encontrar uma porta com o número 9. Zero, o misterioso organizador do evento, deixou-lhes um conjunto muito específico de regras que devem ser cumpridas sob pena de morte imediata.

Esta é a premissa básica de 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors. Com uma intrigante e envolvente história que irá agradar aos fãs de séries televisivas como LOST ou filmes como Saw, 999 levanta imensas questões desde o início. Quem são estas pessoas? Porque estão ali? Serão mesmo desconhecidos? Qual é o objetivo do Nonary Game? E quem é o Zero?


Dizer mais do que isto seria estragar uma história que vive de revelações por vezes quase chocantes. Especialmente num jogo em que cerca de 60% do conteúdo é a história. A maior parte do tempo deste título é passada a ler, fazendo dele uma espécie de livro interativo onde, em certas alturas, é necessário tomar uma decisão. Sempre que os personagens encontram um conjunto de portas numeradas, têm de se dividir em subgrupos de forma a que a raiz digital dos números nas suas pulseiras, somados, seja igual ao número da porta em que vão entrar. Junpei – o personagem controlado pelo jogador – também tem voto na matéria, podendo assim escolher-se qual a porta a seguir na história e mudar completamente os personagens com quem se vai interagir.

Ao passar por uma porta numerada, o pequeno grupo depara-se com desafios semelhantes ao inicial: resolver a charada da sala onde se encontram para conseguir abrir a porta de saída e, assim, poder avançar. Aqui, o jogo sai do modo história para o de escape. Cada sala é um enorme puzzle que pode ser resolvido através da recolha de várias pistas e objetos que, combinados, podem interagir com o cenário. Os personagens que acompanham o jogador nessa sala ajudam um pouco a perceber o problema, mas, geralmente, revelam muito mais sobre a sua história e personalidade – daí ser tão importante escolher quem nos vai acompanhar.


Cada jogador terá o seu interesse mais orientado em certos personagens. Seja logo de início pelo seu desenho ou pela personalidade que vão revelando, alguns despertam mais curiosidade do que outros. As aparências iludem e as pessoas surpreendem, uma decisão feita pelo jogador num certo momento pode causar reações completamente diferentes em certos personagens mais tarde. Com a existência de múltiplos caminhos, há também vários finais diferentes. Conseguirão todos sobreviver ao Nonary Game? Apenas um destes finais, no entanto, dará resposta a todas as questões apresentadas no jogo. Felizmente, é muito fácil voltar a jogar de início, pois o jogo permite avançar todas as partes da história já lidas, e tomar descisões diferentes – Onde terei errado para obter aquele final? Onde posso obter aquela informação tão importante que perdi da última vez?

Uns finais mais frustrantes, outros mais empolgantes, mas todos importantes. Aprende-se sempre algo novo sobre um ou outro personagem e há mesmo muita motivação para querer saber tudo sobre eles. A história é assim tão interessante, ao ponto de não se conseguir parar até encontrar o caminho para todas as respostas. Como um bom livro, mas no qual nos podemos perder a explorar as possibilidades – e se, em vez desta porta, eu tivesse escolhido aquela?


999 não é perfeito. Mesmo para a Nintendo DS, tem um visual bastante datado. A banda sonora é pouco variada e os controlos (nas sequências de escape) mereciam ser refinados. Os desenhos dos personagens são também pouco variados e, nas sequências de história, vê-se a mesma imagem repetidamente. No entanto, nada disto é muito importante numa experiência que se assemelha mais a um livro interativo do que a um videojogo tradicional. Mesmo assim, o estilo artístico permitiu apresentar os personagens de forma bem caracterizada, sendo todos bastante distintos. O jogo das aparências também vive muito desta componente.


Este título não é aconselhado a quem não goste de ler, ou seja facilmente impressionável por descrições que, por vezes, podem ser demasiado gráficas. Feito o devido aviso, a importação é mais do que recomendada, obrigatória. A haver algum problema com 999, é o facto de não ter sido lançado na Europa (especialmente quando já temos disponível uma excelente sequela – Virtue's Last Reward). Felizmente, graças ao fenómeno de culto em que 999 se tornou na Nintendo DS, é muito fácil conseguir hoje em dia a importação deste jogo a preços acessíveis. Embora não seja preciso jogar o 999 para perceber a sequela, a verdade é que esta iria estragar muitas surpresas do original a quem o quisesse jogar depois. A melhor forma de jogar 999 é descobrí-lo ao mesmo tempo que o seu protagonista. E será uma experiência inesquecível.