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9 de março de 2018

Mercenaries Saga Chronicles


Leve três, pague um. São três jogos num só pacote, o que por si já vale a pena. O que não vale a pena são os jogos em si, o que é uma pena. Gostei deste seguimento de penas.

Como quem tem penas são as galinhas, vamos lá falar sobre Mercenaries Saga Chronicles. Os jogos não são muito bons, começamos logo por aí. Certo, se tiverem uma ligeira fome por RPG tácticos e já acabaram o Disgaea 5 é um bom entretém, mas é tipo a comida chinesa, enche e ficam com fome rapidamente.

O enredo é do mais básico que há, servindo como desculpa para ligar os vários cenários e começar uma luta. Jogaram o primeiro, jogaram os outros dois e vão deixar de querer saber que reino invade o outro e vice-versa. As personagens não escapam ao mesmo destino e desaparecem na história de tão não-memoráveis que são, servindo apenas para usarem a respectiva Classe. Mas ei, saltar os diálogos é sempre uma opção se só quiserem andar à tareia.

Apesar de os combates não brilharem, são competentes e servem o seu propósito. À medida que o jogo avança vão recrutando várias personagens, com várias Classes, que poderão usar nas batalhas. Se jogaram Final Fantasy Tactics ou Tactics Ogre então sabem como a coisa funciona. Posicionam os combatentes na parte inicial do mapa, escolhem os inimigos e só param na vitória – ou na derrota. Agora, há uns detalhes interessantes como a equipa começar com zero Mana e ir aumentando a cada turno. O que quer dizer? Quer dizer que não vão começar um combate e dizimar logo o adversário, mas terão de ir aquecendo. Assim até estão em pé de igualdade. Defeito ou não, até gostei desta medida porque nos deixa algo ansiosos e obriga a uma melhor estratégia. Outra mecânica nova é o “aggro” (agressividade) que faz com que um membro da equipa se torne alvo dos inimigos conforme os ataques utilizados.

Terminado o combate, depois de terem sido atribuídos os pontos da batalha e subido de nível, podem aceder a um menu de personalização onde equipam as personagens, visitam lojas ou aprendem habilidades. Não é muito difícil de perceber esta secção e após algumas visitas torna-se intuitivo personalizar a personagem.


Aumentar de nível é obrigatório porque o jogo tem uns picos de dificuldade ridículos que vos farão perder tempo em grind. Há algumas missões secundárias para fazer, mas aquela a repetição de mapas genéricos, apenas com alguns tesouros novos, afasta-me. E se começo a fazer algo por obrigação é meio caminho andado para apagar o jogo da consola e nunca mais olhar para ele.

Se saltarmos estes detalhes, não há muito por onde se pegar. O jogo é uma confusão técnica e precisava de estar mais tempo no forno – os três jogos! Como foram lançados em telemóveis, o ecrã minúsculo era mais do que perfeito, mas numa consola com um ecrã maior, é simplesmente um insulto lançar como está. A acção decorre no meio do ecrã e o resto está preenchido com cores para encher chouriços. Agora imaginem em Docked… Além disso, este port foi pegar e largar. Os controlos são atrozes. Nem menciono o facto de não usarem controlos tácteis que seriam uma bênção para o género de jogo. Usar os analógicos é uma penitência e igual a zero, usar os direcionais é a única solução, mas passamos mais tempo a lutar contra eles do que a jogar. Se desse para virar o mapa e alternar entre vários modos de vista até ignorava, mas nem isso implementaram. Não houve um refinamento ou cuidado ou aprumo.

E isto também se aplica aos gráficos e som. A música tem uns loops estranhos que estão sempre a repetir. Se a batalha se prolongar, e vai, vão ouvir o mesmo uma e outra vez até a música se transformar em ruido de fundo. Os gráficos, como falámos em cima, são minúsculos naquele ecrã central, genéricos porque se viram um mapa, já viram os outros. Apenas destaco positivamente os ícones dos diálogos porque é só assim que conseguimos distinguir as personagens.


Para concluir, o jogo (os jogos) não são muito bons. Servem um propósito de terem mais RPG tácticos, que eu adoro, mas podiam ser melhores. Se ainda assim quiserem arriscar, o preço até está em conta. Se ainda assim quiserem enfrentar a repetição, os picos de dificuldade e o grind, então força. Foram avisados aqui. Dá a sensação de que a CIRCLE Entertainment despejou os jogos na Nintendo Switch para ganhar uns euros fáceis, se lançassem um de cada vez a um preço modesto ainda via razão para jogar o mesmo jogo três vezes ao longo de meses. Assim não, assim não.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Circle Entertainment.