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7 de novembro de 2017

Super Beat Sports

Análise por Diogo Ribeiro

Num estádio, alienígenas de todas as cores aos berros a apoiar os humanos na prática de vários desportos musicais, numa explosão de ritmo, energia e boa disposição. Parece um conceito divertido? E é! Mais divertida ainda é a execução dessa mesma ideia numa nova versão para a Nintendo Switch. Se o anterior (vendido na App Store) tinha como título de Beat Sports, este agora é… SUPER Beat Sports! Vamos então tentar perceber o que faz deste novo jogo um jogo assim tão... super! Tacos em riste… 3… 2… 1… “GO”!

Super Beat Sports é rápido. Rápido na sua apresentação e introdução. Rápido em compreender e começar a jogar. E isso é das coisas mais importantes nos jogos musicais/rítmicos. É como entrar numa pista de dança ao som de música Disco, e termos a batida a “puxar por nós”. Não é preciso ensinar ninguém no que toca a música: o ritmo corre nas veias, como uma descarga eléctrica, e o balanço do “swing” permite uma experiência mais suave e equilibrada. Da mesma forma, SBS entrega uma experiência que é também electrizante e equilibrada, não apenas nas suas músicas, mas na forma ultra responsiva dos seus controlos, associados a uma clareza visual impecável e um nível de dificuldade quase perfeito. Até a tarefa de pressionar o botão ao som da música é uma tarefa fácil sendo que o jogo é bastante amigável no que toca a precisão. Tudo o que importa é perceber o padrão da música e acompanhar a experiência. Sem aquela frustração de que falhámos uma nota perfeita por algumas centésimas de segundo.


Mas bem, voltemos ao início. SBS contém 5 diferentes desportos, todos eles com mecânicas algo distintas. 3 deles permitem ser jogados sozinhos, por apenas um jogador, ou com um parceiro/a. Em “Whacky Bat”, os nossos amigos “aliens” vão atirando várias bolas de ténis por 3 ou mais pistas, e cabe a nós saber quando devolver a bola na pista correspondente. E todos os “aliens” são diferentes, uns atiram bolas mais lentas, outros mais rápidas, uns com uma curva aérea maior, outros em linha recta. Pode parecer que há uma grande profusão de elementos, mas é mantida sempre a simplicidade. Logo de seguida, em “Net Ball”, uma mistura de ténis e voleibol, onde basta devolver a bola quando nos é passada, quer pelo nosso parceiro Wubwub, quer pelos adversários. E finalmente, “Gobble Golf”, onde damos tacadas a um número limitado de bolas, para alimentar ao sabor do ritmo uns porcos espaciais de cor fúscia (portanto, bem mais interessante que o golfe que os humanos praticam no planeta Terra).

Para mim, a grande força do jogo está na sua parte de multijogador. Nos desportos que mencionei em cima, quando jogados com duas pessoas, é adicionado um novo nível de complexidade, e ambos os jogadores devem bater em bolas diferentes, respectivas à sua cor, cooperando e tornando o jogo mais caótico e ainda mais divertido. Além disso ainda introduz mecânicas novas, que quase alteram por completo cada desporto. Ainda assim, a barafunda não acaba aí. Nos dois últimos desportos, “Buddy Ball” e “Rhythm Racket”, é possível fazer partidas de 4 jogadores, em que a confusão é constante (no bom sentido, claro). Em “Buddy Ball”, os “aliens” que previamente nos infernizaram a vida (novamente no bom sentido) voltaram, e o objectivo é, atirando a bola a cada um e fazendo ricochete nestes, passar para os adversários e fazer com que estes falhem. Uma espécie de “batata-quente”, mas em que cada “alien” tem diferentes características e velocidades, e é necessário estar bem atento a elas. E por último, e para grande felicidade minha, em “Rhythm Racket” temos uma versão de um dos meus jogos favoritos. Trata-se de uma espécie de hóquei musical em que a bola vai fazendo ricochete pelo ringue ao som da música, e nós enquanto guarda-redes de cada uma das nossas balizas, devemos impedir que esta entre e ao mesmo tempo tentar marcar na dos adversários. Para quem gosta de ocasionalmente gastar 1 euro naquelas máquinas de Air Hockey à porta dos cinemas ou em casas de salões de jogos, sabe o quão divertido este jogo é e sempre que vê uma não resiste. Acuso-me como culpado.


Todas as faixas musicais, ainda que não sejam SUPER memoráveis, são muito empolgantes, ficam bastante no ouvido e estão bem construídas, tornando este jogo uma excelente adição à biblioteca da Nintendo Switch na categoria música/ritmo, mas de uma forma geral também. É impossível não nos rirmos constantemente com ele, não só pelas suas músicas, mas a forma como vão sendo orquestradas com os nossos amigos coloridos e com os pequenos sons que estes vão gracejando durante cada nível. Isto torna-o na minha opinião um jogo indispensável para jogar, especialmente no modo portátil, já que se trata de um dos melhores títulos para passar o tempo com um amigo, na rua, ou durante uma viagem (mas atenção para não incomodar os outros passageiros!). Além disso, transita sem falhas para o modo de TV, e transforma-se num jogo excelente para festas até. Essa é a grande força de SBS, animar a malta (já dizia José “Zeca” Afonso).

Se tivesse que pôr defeitos, diria que SBS precisaria de mais alguns níveis, mais alguns desportos, mais alguma dificuldade e porque não, um modo online. Mais alguns níveis, que mesmo assim já são bastantes: o jogo introduz logo após o primeiro nível tutorial um modo Pro, que permite passar directamente a uma dificuldade para os mais veteranos. Dificuldade essa que mesmo assim fica um pouco aquém, pelo menos no modo de um jogador, e é perfeitamente possível passar estes níveis com medalha de ouro pela primeira vez. A platina, essa sim precisa ser trabalhada. E além disto, todos os níveis existem em duplicado, na versão para dois jogadores, quer os de modo normal, quer os de modo Pro. Fico ainda com pena que não haja mais desportos pois, bem, o jogo tem uma excelente qualidade, e quem não quer mais de algo que é bom?


Produzido pela Harmonix, Super Beat Sports é o “party-game” que faltava nesta consola e apresenta uma das melhores relações de qualidade preço em todo o espólio da EShop. É divertido, é colorido, é bom para o menino e para a menina, é brincalhão, é bom para pais e filhos, é charmoso, é eléctrico... é bom para todos! Faltam-me mais adjectivos. Resta-me dizer que… 3… 2… 1… “GO”!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Harmonix.