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14 de março de 2016

Project x Zone 2


Project x Zone 2 é uma ode aos videojogos e à esquizofrenia! Se quiserem jogar algo sem sentido, mas estupidamente divertido e viciante, peguem neste jogo e não se vão arrepender.

A essência de PXZ 2 é o puro fanservice, começando pelo nome que não deixa nada à imaginação. Project Cross Zone? Nem se esforçaram com algo mais profundo, mas sempre é melhor e mais inspirado que Namco x Capcom. E sejamos honestos, precisamos de mais? Tudo o que precisamos de saber é que neste jogo, e cito José Estebes, está tudo à molhada.


Esqueçam um enredo coerente. Com tantos mundos e personagens juntas no mesmo jogo, qualquer tentativa de criar uma boa história acabaria com o mesmo resultado, um prolongado revirar de olhos, acompanhado por um suspiro. Nem todos os crossovers podem ser um Kingdom Hearts. Franquias à parte, admiro a capacidade da equipa de escrita e gostava de ser uma mosca naquela sala e ver como tudo se desenrolou, aquele arremessar de ideias e ver qual colava na parede. Eu acho que se divertiram e o resultado está à vista: um enredo que não se leva a sério e que é, no fundo, divertido e despreocupado. Eu digo que o jogador não avança pela história, mas pelas personagens. A cada missão completada, só queremos descobrir novos heróis e usá-los em batalhas épicas. E o melhor deste jogo é o sistema de batalhas.

O esqueleto do enredo é simples: correntes douradas apareceram no mundo real, impelindo Reiji e Xiaomu (Namco x Capcom) numa aventura pelo espaço e pelo tempo (não é um episódio de Doctor Who) para descobrir quem está por detrás daquele plano maquiavélico e o que pretende. Pelo caminho reencontram personagens das prequelas e conhecem outras novas que, de uma maneira ou de outra, estão perdidas do seu espaço/tempo e andam a tentar resolver o mistério das correntes. Heróis, vilões, todos se misturam nível após nível, no campo de batalha, por 42 longos capítulos. A história mal avança e tudo o que temos entre as missões são diálogos tolos, referências a filmes e jogos e muito, mas muito fanservice que vai desde as roupas a clichés de anime (uma personagem a repetir desu vezes sem conta tem piada uma vez). No geral, é tudo muito forçado.

   

Por alguns minutos, tudo isto é esquecido quando começam as batalhas. Queria explicar tudo ao mais ínfimo pormenor, mas não quero ser um tutorial que podem ler a qualquer momento durante o jogo (Crosspedia).

Desde o primeiro Project X Zone que julgava que havia uma componente de fighter, mas é uma variante desse sistema. Em vez de martelarmos botões para desferir combos, estes são atribuídos a combinações de botões (A com direccionais) que podem ser usados até três vezes durante a luta. Os que não forem usados, ficarão Charged no turno seguinte, infligindo mais dano. À medida que o jogo avança, também o sistema de batalha evoluiu, torna-se mais complexo com novas habilidades e combinações, como os Mirage Cancel que, executado no momento certo, permite até quatro ataques num só turno. Fácil na teoria.

Há toda uma variante a ter em conta, como estados de envenenamento e paralisia, o peso dos inimigos e posições de ataque. Se forem de frente, não têm muito sucesso. Optem por flanquear ou atacar por trás para terem um bónus de ataque. Atenção, as mesmas regras aplicam-se ao inimigo. Até o acção de contra-atacar. A liçaõ a reter é: estejam sempre prevenidos e pensam dois passos à frente do inimigo ou rapidamente perderão. No final de cada batalha, aproveitem e percam tempo a melhorar habilidades e a comprar outras. Invistam em equipamento e itens de cura. Um jogador preparado vale por dois e com várias surpresas, vulgo ondas e ondas de inimigos, em cada capítulo, um passo em falso e adeus.

Quando se virem à rasca, não poupem nos ataques especiais e descarreguem tudo no inimigo. Dá um gozo tremendo ver as personagens a replicarem os seus ataques das séries/jogos de onde saíram. A quantidade de dano que causam é apenas um bónus. Isto podia cansar, mas não. Sempre que acontece é uma injecção de adrenalina que só acaba quando surge KO no ecrã.


Ainda precisam de um enredo? Mas, e porque há sempre um mas, há algo que tem de ser falado: a câmara. Passei mais tempo a lutar com esta para conseguir ver o mapa, e os tesouros, do que com o inimigo. Há ali algo que não funciona quando pressionam os botões e são ignorados. Este jogo podia fazer bom uso do ecrã táctil, com a possibilidade de mover as personagens pelo tabuleiro, mas 20 % das vezes é usado para exibir artwork. Fora isto, é usado com estatísticas das personagens ou para lembrar a combinação de botões para atacar.

O jogo serve o seu propósito a nível visual. Não é nada de espantoso: durante o desenrolar da “história” somos brindados com perfis estáticos das personagens e paredes de texto que tentam explicar o que está a acontecer; durante o combate temos as nossas equipas em versão miniatura, mas o talento foi poupado para as batalhas em si, com as personagens cheias de detalhe e movimento – e os ataques especiais fantásticos? Esta confusão de estilos propaga-se para o departamento musical que é desconcertante e eu nem sei se é bom ou mau. Em vez de termos uma banda sonora neutra até ao fim, temos uma música diferente consoante a equipa a ser controlada. Ora num momento temos o tema de Xenoblade (cuidado com os spoilers) a tocar, depois o tema de Tales of Vesperia, passando pelo de Phoenix Wright e por aí. Escolham algo nada a ver, continuem com ele, mas é naquela, ouvir a música da nossa série favorita enquanto combatem é motivante.


E isto é Project x Zone 2, que decide melhorar a aborrecida prequela na 3DS e que agora se torna Namco x Capcom x SEGA. Mas se a própria linha temporal não se decide, porque temos de ser nós? Só quero ver as personagens de Fire Emblem e Tales of Vesperia juntas! Ah, e ler que o Leon S. Kennedy (Resident Evil) já está habituado a que as mulheres brinquem com ele… Nem estou a brincar, quem me dera…

Apesar de tudo o que disse, considero Project x Zone 2 um Bom jogo. Se o conseguirem encontrar, pois quer-me parecer que vai desaparecer, joguem-no e garanto-vos que se vão divertir, mas tentem não fazer sentido da história. Robôs, zombies, lutadores de artes marciais e raparigas semi-nuas a servir sandes e a fazer piadas de anime? O que mais podíamos pedir?
Nota: Esta análise foi efetuada com base numa cópia do jogo para a Nintendo 3DS comprada pelo autor do artigo.