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31 de março de 2016

Chasing Dead


Quando começam um estúdio independente, querem que o vosso jogo se destaque pela positiva, que seja um sucesso de vendas e que vos permita continuar no meio por muito mais tempo. Apesar de a indústria indie estar, não quero dizer saturada, cheia de boas ideias e intenções, lançar algo como Chasing Dead é um insulto para aqueles que se esforçam e têm um jogo de qualidade em mãos, mas não têm oportunidade de o mostrar.


Mas que jogo é este? Chasing Dead mistura os géneros de terror com ficção científica e como aprecio um e outro, tinha aqui um verdadeiro achado para me entreter durante um bom par de horas. Não podia estar mais equivocado, atentem só na premissa: um segundo planeta Terra surge nos céus do nosso planeta (começa bem). Levados pelo medo e pela curiosidade, várias equipas de cientistas, astronautas e outros viajam até lá para descobrirem os segredos do planeta misterioso. Depois entra Jake, um super soldado (epá!) que fez tudo e mais alguma coisa e que é um lobo solitário (não pode!?), que é destacado para ir ao planeta-cópia ver o que se passa quando as equipas em terra deixam de responder (sério?). Quando lá chegamos temos outra surpresa, temos de abrir caminho por hordas de zombies (pimba, já levaste!).

Repararam que o jogo marcou todos quase todos os pontos da lista dos clichés? E se disser que a introdução do jogo e consequentes vídeos são protagonizados por actores que parecem ter saído de filmes amadores de sites dúbios? O bom, e obrigado por isso, é que podem passá-los à frente tal fastforward de velhas VHS. Podia funcionar como uma homenagem àqueles jogos dos 90 que misturavam jogo e imagem real, mas há uma disparidade de qualidade entre mau e pior que destoa. Nota-se também nas vozes: enquanto a personagem que nos guia, em vídeo real, nos fala num tom blasé à medida que o avião cai com a nossa personagem ali rodeada de hospedeiras mortas a fazer a sua voz de space marine.


Isto até podia funcionar num sentido de mau que chega a ser bom, tipo o Sharknado, mas Chasing Dead não tem esse luxo. É mau que nem passa de mau. Não basta o enredo ser do mais batido possível, o jogo também está pejado de problemas técnicos como soluços e chega a encravar em certas partes. O som também dá de si e, por vezes, deixamos de ouvir alguns efeitos como disparos ou grunhidos. Não quero ser injusto, mas os problemas gráficos até contribuem com alguma comédia – mais vale rir do que chorar, não é? - e é um fartote quando vamos contra as cortinas e estas são ferro, mas da próxima vez passamos directamente por elas como se não existissem. Olhamos para trás e as cortinas estão a ter espasmos como se um furacão as tivesse atingido. O combate é outro detalhe engraçado e só tenho boas coisas a dizer, aliás, uma coisa: pontapé. Quando começamos o primeiro nível só temos uma arma, a nossa fiel bota, mas depois conseguimos um arsenal digno desse nome com caçadeiras, espingardas, tanques e sei lá que mais, mas nada irá substituir aquela bota na cara. Os zombies saem disparados pelo ar, passam paredes e o chão e ficam a tremer nem sei se de medo ou de algum bug manhoso do jogo. Vou acreditar que seja a primeira. O Gamepad até foi bem implementado e podemos usar os motion controls para mover a câmara com o nosso movimento, mas fora isso, temos uma utilização normal.


E isto é Chasing Dead, um jogo também disponível para PC e que em breve existirá em várias plataformas e será, com certeza, melhorado. Há até planos para correr o jogo no Oculus, vejam só. Claro que se estes detalhes não melhorarem, não vejo grande futuro para o jogo e estúdio, mas provavelmente haverá alguma forma de culto que o vai colocar num pedestal de jogos de série B. A verdade é que por mais que pintem e portem um jogo medíocre, continuará a ser um jogo medíocre, mas se tiverem um fascínio sádico por jogos maus, um grupo de amigos e álcool à mão então este é o jogo para vocês! Depois não digam que não avisei.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Wii U, gentilmente cedido pela Nintendo.