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27 de março de 2018

Sea of Thieves


Finalmente temos acesso aos mares de Sea of Thieves! O exclusivo Microsoft foi lançado e os possuidores de uma Xbox One (ou um bom PC), já podem viver na pele de um verdadeiro pirata, explorando um vasto mar repleto de piratas malandros e tesouros para descobrir, construindo aos poucos uma reputação de respeito. Mas será que a Rare nos deu o suficiente? Embarquem já na análise deste tão badalado Sea of Thieves!

Há muito a dizer sobre Sea of Thieves, que já no primeiro contacto com a versão Beta fascinou com a qualidade, embora até lá não tivesse grandes expectativas. No entanto, agora que tive a possibilidade de jogar o produto final, há coisas que não são tão brilhantes assim.


Iniciamos o jogo com uma pequena introdução daquilo que vamos encontrar ao longo da nossa jornada pelos mares, ou seja, piratas, tesouros, ilhas e monstros marinhos! Logo a seguir chegamos ao ecrã de criação. Infelizmente, temos algumas personagens pré-definidas, escolhemos o género e partimos para uns pequenos detalhes de criação, porque a ideia é obter dinheiro durante o jogo e comprar aquilo que desejarmos para customizar a personagem. O passo seguinte é escolher qual o navio que queremos e com quem queremos jogar. Há um modo solitário (de qualquer das formas é preciso estar ligado à Internet para jogar), que sinceramente não recomendo porque um dos pontos mais fortes de Sea of Thieves é exatamente o co-op. O jogo depende imenso dos marujos que tivermos ao nosso lado, por isso jogar sozinho é um erro enorme, pelo menos nas primeiras partidas, ou não se irá conseguir sentir a aventura nem sequer gerir a vida nos mares turbulentos.

Ao jogar com amigos ou simplesmente entrar num jogo com um grupo aleatório online é quando começa a grandiosa aventura e diversão, onde sentimos o verdadeiro significado de marinheiro. É necessário um esforço árduo e um trabalho de equipa. O que posso desde já a recomendar é a aquisição de uns auriculares para comunicar com as pessoas pois, embora haja a opção de usar palavras pré-definidas, os melhores resultados são sempre obtidos quando há uma comunicação constante entre os jogadores. É aí que Sea of Thieves brilha e é mesmo imprescindível, pois os jogadores vão ter de estar em sintonia no navio. Um dos piratas terá de navegar, outro terá de içar as velas, já outro terá de consertar o barco em caso de emergência como outro terá de carregar os canhões quando avista um barco inimigo. E não só é fundamental essa comunicação como é um sentimento de união e dedicação total, para manter o nosso barco fora de perigo e orientar a viagem sem percalços.

Os jogadores vão viver situações de cortar o fôlego enquanto navegam. Recordo-me por exemplo, da primeira aparição do monstro dos mares, Kraken! O Kraken surgiu-me de forma aleatória, no entanto pouco antes de iniciar a minha batalha, reparei que o mar tinha escurecido imenso e uma música arrepiante começou a tocar, avisando-me de que estava em perigo. O Kraken ergue os seus gigantes tentáculos e flanqueia o navio, é preciso uma coordenação certa por parte da equipa para o enfrentar, ou então podem dizer adeus ao navio porque a criatura não brinca. Se tiver de usar os tentáculos para “abraçar” o navio para o fundo do mar, ele não irá hesitar em fazê-lo. Por falar em combate, mesmo contra barcos de inimigos, é preciso saber poupar as bolas de canhão, pois se não tiverem o suficiente só vão ter duas opções, fugir ou sofrer as consequências. O mesmo acontece com a madeira que usamos para tapar os danos causados pelos inimigos. É preciso saber gerir muito bem todo o material disponível, se o casco sofrer danos e não for imediatamente reparado podem dizer adeus ao navio e a todos os tesouros que tiverem recolhido com tanto sacrifício.


Ao recolher tesouros, é importante tratar de os vender o mais rápido possível, porque se forem pilhados ou o próprio barco afundar, vão-se perder num piscar de olhos. Para tal, existem certas ilhas onde há mercados negros e lojas para comprar ou vender material. Aqui fica um dos pontos menos bons do jogo. Para começar, fazer dinheiro em Sea of Thieves não é muito fácil, é preciso vender muito ouro para se conseguir algum. Depois, o dinheiro apenas serve para comprar acessórios, roupa, baldes ou copos e até mesmo armas, mas que não vão elevar as estatísticas. Q que isto quer dizer é que em Sea of Thieves ninguém é mais forte que ninguém, tudo aquilo que compramos serve apenas para “show off”, o que é realmente uma pena e uma falha. Se por um lado oferece equilíbrio para todos os jogadores, por outro lado também não transmite qualquer interesse em fazer dinheiro. O bom nisto é que ao venderem tesouros ou artefactos como caveiras de esqueletos piratas que vagueiam pelas ilhas, a vossa reputação aumenta e ganham acesso a mapas de tesouros ainda mais desafiantes de recolher. A verdade é que no que diz respeito a estas missões de recolher tesouros e vender, também é capaz de aborrecer vários jogadores.

No caso dos combates em terra, a jogabilidade é realmente muito simples e não tem nada que saber. Usar uma espada ou uma pistola não é de todo uma experiência memorável, as lutas contra os esqueletos ou inimigos são completamente básicas e não passa disso, o que é uma pena. Para além das armas, temos um balde para esvaziar a água que inunde o barco caso o casco esteja danificado. Temos também ao nosso dispor uma lanterna, para usar com alguma frequência na escuridão das ilhas e claro, sendo um pirata também temos equipado um telescópio e uma bússola para efeitos de orientação.

O grafismo, apesar de se apresentar com um visual cartoonesco, é talvez o mais bonito no que diz respeito às ondas do mar. Estão de facto muito realistas, principalmente no caso de se cair no meio do oceano. Lembro-me de me sentir meio enjoado por nadar nas ondas gigantescas quando o mar estava turbulento e as ondas atingiam metros e metros a fio, sentimo-nos mesmo perdidos e sem salvação possível. Já quando o sol espreita pela manhã ou quando ele se põe e brilha no horizonte, são vistas magnificas e que tornam o jogo mesmo muito bonito. A constante mudança de clima é outro detalhe muito bem conseguido, tanto está um tempo agradável como de repente temos uma enorme tempestade. As ondas realistas a bater no casco deixam-me sempre boquiaberto, é indubitavelmente lindo de se ver. Os tubarões por exemplo, apesar de ter um ar ameaçador, o estilo cartoonesco não cria tanto medo quanto isso, mas não deixa de estar engraçado.


Tenho jogado com pessoas aleatórias mas, se tiverem um grupo de amigos com quem jogar, este jogo pode ser extremamente divertido e gratificante. As brincadeiras nas viagens como embebedar e “virar o barco”, outros dos jogadores a tocarem músicas típicas de piratas, são momentos que nos fazem sentir um verdadeiro homem dos mares. O problema é que o jogo acabou de ser lançado e nota-se bem que vai ter muito mais para oferecer no futuro. Por enquanto, ainda está um pouco “vazio”, é preciso acrescentar muito conteúdo, afinal de contas, é um jogo totalmente dedicado ao online. Sea of Thieves é muito especial, mas ainda lhe falta limar algumas arestas, esperemos que a experiência se aperfeiçoe no futuro.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Xbox One, gentilmente cedido pela Xbox.