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28 de novembro de 2017

Skyrim


Queria começar esta análise com um pedido de desculpas por ter ofendido a integridade deste jogo quando o chamei de feio. Quero só rectificar este ponto: o jogo é lindo! O mundo coberto de neve, as florestas, as masmorras esquecidas e o céu estrelado, ou com auroras boreais. Às vezes paro para saborear esta imersão, mas as personagens? Apre, são mesmo feias! Gostava de ver algum esforço nas próximas iterações para melhorar este aspecto porque até mete pena olhar para elas. Se ignorarmos este facto temos um grande jogo nas mãos. E grande em todos os sentidos: em escala, mapa, conteúdo e epicidade.

Analisar um jogo que meio mundo já jogou é complicado, mas ainda assim vou introduzir-vos à história. Depois de criarmos a nossa personagem, damos por nós a caminho de Helgen para sermos executados e é durante estas cenas iniciais que Alduin, o dragão, ataca. No meio do caos conseguimos escapar até Whiterun onde teremos de pedir ajudar para combater esta ameaça. Várias revelações depois e alguns combates contra estas bestas e passamos a ser conhecidos como Dragonborn ou Dovahkiin, o escolhido. Há lendas sobre nós, há um destino sobre nós e cabe ao jogador segui-lo, seguindo o enredo principal, ou ignorar tudo e fazer só sidequests. De qualquer forma, muitas missões secundárias estão ligadas ao modo história, mas como abordamos o jogo é inteiramente à nossa escolha. Para prolongar a nossa experiência neste mundo e para que não nos falte nada, a versão Switch inclui todas as expansões (Dawnguard, Hearthfire e Dragonborn) e corresponde à versão remasterizada.


Há muito para fazer em Skyrim e nem falo do combate. Além da exploração, podemos seguir ofícios mais mundanos como ferreiro, alquimista, cozinheiro, etc. Todas estas tarefas acabam por ser essenciais à nossa aventura porque produzimos para nós. Armas, armaduras, comida, poções? Ou um pouco de tudo? Haja paciência, investimento e tempo. Tempo! Com o Xenoblade aí à porta, sinto-me em conflito. Quero passar mais tempo em Skyrim, quero explorar e absorver tudo a que tenho direito, e não quero apressar nada. Acho piada à maneira como jogo, digo que vou despachar umas missões, mas acabo por abrir mais e fazer mais, depois deparo-me com uma gruta e lá tenho de explorar. E optarem por uma vida mais caseira, comprar casa, casar e ter filhos? Yeap, também o podem fazer, mas irá chegar o dia em que a aventura vai chamar nem que seja através de um dragão a atacar a aldeia onde vivem.

Ofereci o jogo ao meu irmão, vi-o a jogar, mas nunca lhe meti as mãos por achar que não era para mim. Adoro RPG, mas jogar um na primeira pessoa parecia-me estranho, mas agora até entranhou. Também há a opção de jogar na terceira pessoa e bem que tentei as duas maneiras, mas não gostei de ver o mundo na terceira pessoa e agora não saio dos olhos da personagem. A imersão é quase palpável num ecrã gigante, mas puxando a consola podemos levar aquele mundo para qualquer lugar. E se os visuais já me conquistaram na televisão, em modo portátil são uma delícia. As cores parece que saltam e estando mais perto da vista, parece que captamos mais informação. Não notei em diferenças de desempenho quando alternei entre modos de jogo, mas se há um ponto negativo a mencionar é que o jogo é bastante escuro. Na minha investigação, descobri que é uma queixa recorrente da versão remasterizada, já que as versões anteriores eram bastante iluminadas mesmo em grutas e masmorras. Agora só conseguimos andar com tochas ou feitiços de iluminação e configurar a televisão não ajuda muito.


Já no campo sonoro só tenho ovações e elogios a Jeremy Soule pela bela, genial, inspiradora e linda banda sonora. Já a ouvi fora do jogo e sou sempre levado de volta para aquela cordilheira nevada, enquanto uma aldeia dorme em baixo. Estar perdido em Skyrim a ouvir a música é uma outra experiência para além de jogarmos. Os sons dos ataques e restantes efeitos sonoros também contribuem para uma imersão mais realista – estou a repetir esta expressão, não estou? É porque é o que sinto e já não sentia há muito. A personagem sou eu!, apesar de ter criado uma elfa feminina chamada Andrea. Detalhes. Queria continuar esta cadeia com elogios às vozes, mas perdoem-me porque vou invocar o nome de Deus em vão: meu Deus! Às tantas julgava que o jogo só tinha seis actores tal como o bom Dragon Ball português porque as vozes são todas parecidas e repetidas, mas se consultar a lista de actores até temos grandes nomes!, mas esses foram guardados para as personagens principais.

Aquando do lançamento voltou aquela discussão sobre o preço do jogo versus data de lançamento. Podemos comprar o jogo noutras plataformas por tuta e meia, mas este é o primeiro lançamento na Nintendo Switch – para todos os efeitos é um jogo novo pensado para uma nova consola. O valor do produto está em nós, naquilo que damos por ele. Devemos pesar vários factores, o trabalho do estúdio na criação do produto original, na adaptação e na diversão que estamos a ter com o produto final. Até agora estou a divertir-me, andei a viajar de cavalo com uma companheira de armas e um cão que não se calava nas cutscenes; explorei grutas, catacumbas e derrotei dragões e vampiros. Ando vestido com a túnica do Link, de Breath of the Wild (obrigado amiibos), e há bardos a cantar sobre mim. Se me der na cabeça separo os Joy-Con e uso movimentos para atacar, defender e abrir portas trancadas.


Parei de jogar para escrever esta análise e ver mais um episódio de Punisher, mas estou desejoso de voltar a Skyrim. Já conheço os memes, já estou a par dos bugs, tudo. Vejo muitas mais horas pela frente e prevejo que o Xenoblade vá esperar um bocadito, mas há tempo para tudo.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.