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24 de março de 2016

Antevisão: YO-KAI WATCH


Quando a Nintendo Portugal nos desafiou a experimentar o Yo-kai Watch, vi isto como uma oportunidade de mudar a minha mentalidade quanto ao jogo. Admito que não acompanhei o anúncio e a sua evolução, arquivei-o até numa pasta de clones de Pokemon. Não podia estar mais enganado! Yo-Kai Watch é aquilo que Pokemon já devia ser desde há uns anos para cá: inovador, engraçado e desafiante. Claro que a série que celebrou agora os seus vinte anos tem muitos pontos a favor, mas há que ser honesto, nesta corrida entre tartarugas e lebres, a lebre Pokemon há muito que dorme à sombra da bananeira. Resta às restantes tartarugas aguentarem a corrida e vencerem.

E Yo-kai tem tudo para vencer: tem um enredo, tem charme, tem cor, tem vozes!, tem companheiros surreais que vão desde o adorável ao assustador, mas que nos deixam com um sorriso nos lábios sempre que entram em acção. Estes pequenos monstros ou Yo-kai são invisíveis à restante população e apenas são visíveis através de um Yo-kai Watch que a nossa personagem usa. Ao contrário da outra série onde os bichos fazem parte do habitat natural do mundo, estes Yo-kai são manifestações sobrenaturais responsáveis por eventos estranhos como mudanças climáticas ou comportamentais, para mencionar alguns – assim que tiver o jogo comigo, poderei aprofundar mais este ponto. Alguns caminham entre nós disfarçados, será que somos um Yo-kai? Não acho, mas quem sabe se há alguma reviravolta inesperada.

E quem somos nós então? Ou somos o Nate ou a Katie, vai depender de quem escolherem ao iniciar o jogo. É bom haver essa possibilidade de escolha, mas para efeitos desta antevisão fomos com o rapaz, demos-lhe um nome super genérico e começámos a nossa aventura por New Sakura, uma cidade fictícia do Japão. O jogo começa como qualquer RPG, somos apenas uma pequena pessoa num mundo enorme e o primeiro desafio desta demanda é apanhar escaravelhos porque não há nada que grite "fraco" como sermos maus nessa actividade. Muito japonês isso. E como apanhar insectos é uma metáfora para o resto do jogo, lá partimos em busca dos maiores e mais raros. Andamos pela cidade, falamos com as pessoas e seguimos as pistas até à floresta, isto porque um funcionário nada estranho disse que lá havia escaravelhos grandes. Ora, tal aventura passa a secundária quando num templo encontramos daquelas máquinas de bolinhas, aquelas onde pomos uma moeda para ter um brinde. Em vez de um isqueiro ou porta-chaves, calha um Yo-kai à nossa personagem: o Whisper, fala barato que se torna no nosso mordomo. Que fino.

A uma velocidade alucinante passamos das introduções para a nossa primeira batalha. Fantástico! Nem estou a ser irónico, não há uma exposição demorada ou explicações aborrecidas; Yo-kai são estes monstrinhos e fazem aquilo, olha ali um, vamos lutar!, mas a maneira como tudo evolui foi tão cómica e querida. O inimigo sabia que nos tinha de desafiar, mas não queria lutar, mas pronto, lá acedeu como se fosse um frete e, após escolhermos o nosso lutador, fomos à luta. O que mais me surpreendeu foi o sistema de batalha interactivo. Eu gosto de batalhas por turnos, aquele compasso de espera entre um ataque e o outro é o que me prende desde há anos no género, mas há jogos e jogos. De vez em quando agradeço uma inovação e sou receptivo à novidade, o que foi o caso deste Yo-kai. Apesar de só ter feito uma batalha, foi o suficiente para conhecer um admirável mundo novo onde os ataques requerem que o jogador use o ecrã táctil para completar pequenos gestos. Não há bela sem senão, será que este modo de batalha irá cansar e aborrecer passadas horas de jogo? Só o tempo o dirá. A mim, depois desta experiência agradável e de me ter rendido ao universo Yo-kai Watch, resta-me descarregar a demo, explorá-la e esperar pelo jogo completo.

E não, não vou aprender a coreografia. Ainda...