Yakuza Kiwami 3 e Dark Ties
Yakuza 3 é uma entrada controversa na adorada franquia. Marcou uma mudança de direção na série, apresentando um Kiryu que tinha deixado a vida de yakuza para trás, para se focar em criar Haruka e, como se isso não fosse suficiente, abrir um orfanato para criar mais uma dezena de crianças numa nova cidade.
Este remake não será, certamente, menos controverso. Mas comecemos com os pontos positivos: uma das maiores críticas ao jogo original relacionava-se com as secções do orfanato. Por muito cativante e emocional que fosse a ligação de Kiryu às crianças, não havia nada particularmente interessante em termos de atividades, jogabilidade ou missões secundárias que compensasse o tempo passado no orfanato a criar as crianças, treinar o cachorro e semear batatas. Uma das melhores decisões que a RGG tomou em Kiwami 3, no entanto, foi reciclar vários dos minijogos de títulos anteriores e reformulá-los como atividades que fazem sentido neste novo contexto.
Os testes da escola vocacional introduzidos em Like a Dragon é agora um minijogo em que Kiryu ajuda as crianças com os seus trabalhos de casa. O minijogo de cozinhar, presente em Ishin e Pirate Yakuza está de volta e dá uma oportunidade a Kiryu de desenvolver os seus talentos na cozinha para dar às crianças os seus pratos favoritos. Além disso, há novos minijogos, como uma caça de insetos onde Kiryu compete contra as crianças e um onde o objetivo é coser diferentes peças de roupa e outros objetos, simultaneamente com a maior velocidade e precisão possíveis. Todas estas adições tornam o tempo passado no orfanato mais interessante do que alguma vez foi no jogo original.
Outra mudança vem na forma do management simulator Bad Boy Dragon, que substitui o incompreensível cabaret de Yakuza 3, e em que Kiryu se torna o líder de uma gangue feminina. Em termos de jogabilidade e história não há muito de novo, sendo mais do mesmo para fãs da franquia, apesar de algumas personagens divertidas. Ainda assim, qualquer coisa é melhor que o minijogo do clube de cabaret do original, que eu nunca consegui entender, honestamente.
Os testes da escola vocacional introduzidos em Like a Dragon é agora um minijogo em que Kiryu ajuda as crianças com os seus trabalhos de casa. O minijogo de cozinhar, presente em Ishin e Pirate Yakuza está de volta e dá uma oportunidade a Kiryu de desenvolver os seus talentos na cozinha para dar às crianças os seus pratos favoritos. Além disso, há novos minijogos, como uma caça de insetos onde Kiryu compete contra as crianças e um onde o objetivo é coser diferentes peças de roupa e outros objetos, simultaneamente com a maior velocidade e precisão possíveis. Todas estas adições tornam o tempo passado no orfanato mais interessante do que alguma vez foi no jogo original.
Outra mudança vem na forma do management simulator Bad Boy Dragon, que substitui o incompreensível cabaret de Yakuza 3, e em que Kiryu se torna o líder de uma gangue feminina. Em termos de jogabilidade e história não há muito de novo, sendo mais do mesmo para fãs da franquia, apesar de algumas personagens divertidas. Ainda assim, qualquer coisa é melhor que o minijogo do clube de cabaret do original, que eu nunca consegui entender, honestamente.
Infelizmente, as alterações positivas ficam-se por aqui, principalmente quando falamos do elenco. Comecemos por aquela que caiu mal com a maioria dos fãs e que, pessoalmente, matou qualquer entusiasmo que eu tinha para o remake de um dos meus títulos preferidos de, talvez, a minha franquia favorita. A substituição do ator que interpretava Goh Hamazaki no jogo original por Teruyuki Kagawa foi recebida com fortes protestos dos fãs da série, que se mostraram revoltados com a escolha de uma pessoa que admitiu à prática de agressão sexual e conduta imprópria. E apesar dos protestos de muitos fãs, a RGG recusou-se a voltar atrás na sua decisão. Comparado com a inclusão de alguém assim no jogo, qualquer outra crítica é meramente trivial, mas a verdade é que, mesmo ignorando tudo isso (o que nunca deve ser feito), a escolha continua a ser incompreensível, dada a medíocre prestação do mesmo e a transformação da personagem que essa escolha implicou.
No jogo original, Hamazaki é uma presença ameaçadora, uma representação do lado mais assustador e violento da máfia japonesa, um brutamontes com uns imponentes 2 metros de altura e uma inteligência cruel e ambição que igualam o seu físico. Em Kiwami 3, Hamazaki é pouco mais que um capanga genérico da yakuza, que nunca aparenta ser o patriarca de uma família proeminente do Clã Tojo que é suposto ser, ou uma verdadeira ameaça para Kiryu, sabotando completamente o seu papel na história.
Embora este seja, sem dúvida, o pior recast do jogo, não é o único. Tanto o adorado sidekick de Kiryu, Rikiya Shimabukuro, como o seu chefe, Shigero Nakahara são interpretados por novos atores. E ainda que nenhum esteja, provavelmente ao nível dos seus antecessores, é a performance de Sho Kasamatsu que deixa mais a desejar. O Rikiya do Yakuza 3 original é das personagens mais inesquecíveis e adoradas de toda a franquia, um idiota adorável cheio de personalidade. O novo Rikiya, infelizmente, é uma interpretação insossa, sem nenhum do charme e peculiaridades que fizeram do original tão estimado pelos fãs.
O combate foi atualizado e assemelha-se agora àquilo que é de esperar dos mais recentes títulos da série. Em vez de um único estilo, Kiwami 3 tem o típico estilo Dragão de Dojima, mas também o novo estilo Ryukyu, que conta com uma variedade de armas e um escudo. Felizmente, o remake atenua o maior problema que a maioria dos fãs tinha com o combate do original, a frequência com que todos os inimigos bloqueavam ataques.
Juntamente com Kiwami 3, a RGG lançou também o spin-off Dark Ties, que coloca o principal antagonista de Yakuza 3, Yoshitaka Mine, no papel principal. Mais que o próprio remake de Yakuza 3, Dark Ties deixou os fãs entusiasmados por ver o regresso uma das personagens mais carismáticas e enigmáticas da série regressar, desta vez como o protagonista da sua própria história. Quando, após apanhar uma bebedeira, Mine assiste a uma tentativa de homicídio do líder do Clã Tojo, Daigo Dojima, sente-se inspirado pela forma como os seus súbditos dão a vida por Daigo e decide construir uma reputação no submundo criminoso japonês, aliando-se ao criminoso recém saído da prisão Tsuyoshi Kanda, um membro insignificante do Clã Tojo.
Rapidamente, Dark Ties deixou-me desconfortável quando, ao seguir Kanda após este ser libertado da prisão, Mine é deparado com uma tentativa de agressão sexual por parte de Kanda contra uma mulher aleatória que este encontra nas ruas de Kamurocho. Felizmente, Mine intervém antes que seja tarde demais. Infelizmente, fá-lo apenas para impedir que Kanda volte para a prisão antes de o poder subornar para que este o introduza à família Nishikiyama, uma subsidiária do Clã Tojo, não por qualquer preocupação com a vítima.
E por muito desconfortável que seja abordar o tema da agressão sexual pela segunda vez aqui, algo que nunca esperei fazer, parece-me não só pertinente, mas também imperativo. E sim, tanto Mine como Kanda são antagonistas em Yakuza 3, não é suposto serem pilares da comunidade e exemplos a seguir. Retirando-nos do contexto destes jogos, Mine e Kanda são membros da yakuza, literalmente a máfia japonesa. Na verdade, 90% das personagens desta série, sejam heróis ou vilões, são meros criminosos, incluindo o próprio Kiryu. No entanto, sinto que existe uma diferença entre cometer violência, ou roubar, ou fazer parte da máfia num videojogo, e fazer amizade com alguém que parece nem sentir qualquer remorso pelas suas ações. Enquanto que os primeiros exemplos podem ser divertidos e inofensivos, não consigo entender quem achou por um momento que fazer de um agressor sexual o melhor amigo da nossa personagem, uma boa ideia.
Isto torna-se um obstáculo ainda maior ao meu aproveitamento da história quando confrontado com o management simulator de Dark Ties. Um elemento básico de qualquer título da série torna-se insuportável quando o seu objetivo é reabilitar a imagem de Kanda que é, e não me canso de o dizer, um agressor sexual. É a missão de Mine andar pela cidade a praticar boas ações para elevar a reputação de Kanda, eventualmente pintando-o como um ícone de virtude e o exemplo a seguir em Kamurocho. Por um lado, as histórias que Mine encontra aqui são um ótimo exemplo das suas diferenças relativamente a Kiryu. Enquanto que este tem um sólido e inquebrável código moral, Mine é um verdadeiro anti-herói, deparando-se frequentemente com dilemas morais. Infelizmente, toda esta profundidade é sabotada pelo verdadeiro beneficiário das ações de Mine, Kanda.
Yakuza Kiwami 3 e Dark Ties são um excelente exemplo do que acontece quando algumas boas ideias de um estúdio são completamente ofuscadas por um conjunto de outras decisões totalmente incompreensíveis e por uma total recusa de ouvir os fãs de longa data, de uma icónica série de jogos. Entre substituir estimados atores do jogo original não só por performances inferiores como também por todas as questões envolvidas, e recusar-se a voltar atrás na decisão, e ainda fazer dele uma das personagens mais proeminentes de Dark Ties também um agressor sexual cuja reabilitação é do nosso encargo, é difícil escolher qual a pior decisão que a RGG tomou com o seu mais recente lançamento. Independentemente disso, tanto Kiwami 3 como Dark Ties são, provavelmente, o maior falhanço do estúdio que me lembro.
Nota: Análise efetuada com base no código final do jogo para PlayStation 5, gentilmente cedido pela Ecoplay










