Tales of Berseria Remastered
Para alguém que não chegou a jogar o original, mas tinha um desejo enorme de o jogar, tem como eu, a oportunidade de jogar a versão remasterizada que acaba por assim ser, a versão definitiva do jogo, portanto, se o jogo era bom, agora está muito melhor.
Tales of já tem décadas, o último que joguei foi o brilhante Tales of Arise, para mim o melhor que a série trouxe. Mas isso não significa que Tales of Berseria Remastered seja menos bom, até porque para quem jogou pela primeira vez este título, fiquei surpreendido com o visual do jogo e especialmente a narrativa. Essa sim, arrisco a dizer que é das melhores que a série tem, entre o drama e o suspense como a tragédia que surgem nas primeiras horas de jogo, foi muito impactante para mim.
A protagonista, Velvet Crowe, tem um desenvolvimento de personagem fascinante. Se no início do jogo ela é a pessoa mais amigável, sorridente e feliz, com os acontecimentos posteriores do prólogo ela torna-se fria e calculista, isto sim, dá gosto assistir. Há vários motivos para uma pessoa mudar a sua personalidade do “dia para a noite” e o jogador sente que há razões para ela tomar certas atitudes ao longo da jornada.
Por falar na jornada, Velvet não estará sozinha, terá companhia de outras personagens com as suas próprias características. Algumas mais bem humoradas que outras, mas Velvet terá sempre o seu foco no objetivo principal que é a sede de vingança por um certo personagem. É um grupo de personagens que partilham os seus sentimentos e que passaram todos por uma experiência relativamente parecida com Velvet, embora não tão cruel.
No que diz respeito à jogabilidade, não foge muito daquilo que é um Tales of mais recente, isto porque a fórmula tem sido aprimorada nos últimos títulos lançados. Os jogadores vão ter as lutas em tempo real com os quatro botões de ação para utilizar onde o jogador decidirá quais os ataques que pretende associar a cada. Além disso, o jogador irá poder criar uma sequência de ataques em cada um desses botões para criar um combo perfeito e à sua maneira. Estas ações de nome “Arts” devem ser escolhidas com atenção para um maior dano aos inimigos e às suas fraquezas, mas não há mal em colocar a criação de combos como desejarem. A Velvet tem também um ataque especial no qual consome as almas dos inimigos.
Claro que depois têm o equipamento de cada personagem para comprar e otimizar e cada arma, escudo ou acessório terá os seus pontos benéficos e os seus pontos negativos, é tudo uma questão de ver o que fará mais sentido para cada personagem usar. É típico nos RPGs e isso cabe ao jogador decidir o melhor equipamento para cada personagem conforme os atributos. Vão poder melhorar o equipamento que têm ao vosso dispor, mas como sempre, uma das estatísticas terá de sofrer uma desvantagem enquanto outro terá um boost significativo.
Isto é um remaster de um jogo com uma década, portanto não esperem um mundo aberto enorme, nem o próprio Tales of Arise o é, mas podemos dizer que é um mundo semi-aberto. O grafismo claro, está melhor e não existem quebras de frame rate, afinal de contas é um jogo com mais de uma década e seria imperdoável se o jogo não corresse no mínimo a 60 frames por segundo. E a qualidade da animação e personagens neste jogo são também algo a apontar de positivo, a própria Velvet conta com um design espetacular, mas todos os personagens são especiais.
Para concluir, os fãs não vão encontrar aqui um remake, isto é um puro remaster no qual apenas o grafismo, a frame rate e praticamente nada mais foi alterado, a não ser o facto de ser um jogo que antes estava preso na PS3 e PS4, agora está disponível em todas as consolas e PC. Se nunca jogaram e gostam de RPGs, vale a pena, aposto que o início do jogo vai prender-vos pela narrativa e isso fará com que o interesse seja grande em continuar a jornada.


