Mantis Burn Racing


Talvez para muitos o nome Codemasters tenha sido importante durante a era dos 16 bits, pois foram elas que trouxeram a série icónica Micro Machines, e também o menos conhecido Super Skidmarks, que veio suceder um jogo quase idêntico para a Amiga. Um interessante jogo de corridas com imensos saltos e curvas apertadas, tudo visto através de uma câmara isométrica, e é dentro desse espírito que surge Mantis Burn Racing.

Este é um jogo de corridas bastante normal, mas que me agarrou não só pela nostalgia do clássico que referi, mas também por ter um sistema de condução bastante diveritdo! Aqui controlamos o nosso veículo (sim, veículo, porque não existem só carros de corrida) observando toda a ação através de uma câmara longe da ação com vista aérea (ou bird's-eye view), permitindo ter uma boa noção do estado da corrida à nossa volta.


Muito devido aos controlos do jogo, parecia estar a controlar um carrinho de brincar com alguns truques na manga, como poder fazer drifts e ainda usar um turbo, que vamos conseguindo à medida que efetuamos saltos, drifts ou até mesmo apanhar o túnel de vento dos adversários. É simples, eficaz e desafiante o suficiente, pois a condução muda bastante dependendo do veículo que escolhemos, ou a pista em que nos encontramos. Há tipos de cenários diferentes como terra batida, asfalto ou neve, e muitas vezes temos de ajustar a nossa condução ao estado do cenário. Voltando aos controlos, é também possível controlar o jogo através de motion controls, mas rapidamente me vi voltar ao esquema mais tradicional.

São 12 as pistas para explorar, sendo que todas possam ser jogadas ao contrário, mudando o jogo o suficiente para a experiência tenha algumas diferenças, e temos também vários veículos para desbloquear que surgem em 3 categorias diferentes. Falo em veículos pois para além dos simples carros, temos ainda carros voadores que mais parecem vir de WipEout, F-Zero ou FAST Racing Neo, bastante rápidos e que ignoram o atrito da estrada, e ainda tanques de guerra capazes de destruir os adversários. Sendo esta análise baseada na versão Switch do jogo, esta acaba por ser a versão definitiva pois inclui logo todos os DLCs lançados nas outras edições, como é o caso destes veículos especiais que eram vendidos em separado.


Todos estes veículos são costumisáveis, e à medida que vamos avançando no jogo desbloqueamos vários upgrades e vamos subindo também no rank, permitindo-nos desbloquear e comprar novos veículos. Um dos problemas que senti na progressão do jogo é que tudo custa dinheiro, e tudo acaba por ser bastante caro, obrigando-me a fazer um certo grind por dinheiro. São problemas que o modo Carreira do jogo facilita, mas este modo também conta com uma boa dose de problemas.

Não quero dizer que o modo seja mau, pelo contrário: manteve-me bastante ocupado durante o tempo de análise e vi-me a repetir várias missões devido à minha OCD por concluir "tudo". Mas durante a carreira encontrei-me a repetir várias vezes o mesmo conteúdo, as mesmas pistas ou veículos ou modos diferentes, que muitas vezes acabavam por ser idênticos. Temos modos tradicionais como pequenos torneios, sobrevivência em que temos de nos manter à frente ou ir acumulando pontos até chegar aos 10 mil, mas todos se reduzem a acabar em primeiro, excepto talvez o modo contra relógio.


Existem também várias missões em cada um dos objetivos, que davam alguma piada, mas geralmente não eram impossíveis de conseguir e nunca fiquei bloqueado por falta de estrelas para progredir, pois é preciso um certo número delas para poder avançar. Mas cheguei a um ponto que não estava nada empolgado por ter mais uma corrida, mas agora com um camião em vez de um desportivo, e só realmente ficava interessado quando surgia uma nova pista.

Não tive muita oportunidade de experimentar o modo multi-jogador, mas aqui surgem alguns pontos interessantes na versão Switch. Para além de não serem visíveis quebras de fluidez enquanto dividia o ecrã, em modo portátil a Switch divide o ecrã de uma maneira pouco habitual mas que funciona na perfeição, como podem ver na imagem em baixo. Estando em lados opostos da consola permite que os 2 jogadores tenham mais área de jogo, seja difícil espreitar o ecrã do adversário e dá ainda mais a sensação que estamos a controlar carros de brincar, por ambos os jogadores estarem "em cima" do ecrã e frente a frente.


Um dos pontos bastante positivo do jogo são os gráficos, que têm bastante detalhe em todos os cenários. O jogo não é realista nem é suposto ser (não teria piada se assim o fosse), e muitas vezes parecia que estava a conduzir em maquetes o que torna o jogo interessante. Por outro lado os menus e toda a interface do jogo deixa muito a desejar, em que a própria navegação leva a algumas confusões e dei por mim a destruir upgrades em carros sem reparar. Até os loadings parecem parecem vir de jogos antigos com 20 anos (o que podia ser interessante, mas não é). Já a banda sonora do jogo varia entre o barulhenta ao desinteressante, e dei por mim a reduzir o som dela.


É um jogo com os seus altos e baixos, tal como as pistas que apresenta, mas com uma boa variedade de pistas, veículos e imensas missões para agradar aos que gostam de completar tudo, logo que consigam ter alguma paciência para repetir o conteúdo, Mantis Burn Racing é um ótimo jogo a considerar quer para umas corridas com amigos ou enfrentar adversários online. Peca apenas por ser demasiado repetitivo, mas para quem tiver paciência para tal, encontra uma campanha para um jogador bastante extensa.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Premier Comms.
Mantis Burn Racing Mantis Burn Racing Reviewed by Nuno Mendes on 08 dezembro Rating: 5

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