Notícias

Análises

21 de dezembro de 2017

Blossom Tales: The Sleeping King


"Uma ligação ao passado". Foi o primeiro pensamento que me ocorreu quando me chegou às mãos este Blossom Tales: The Sleeping King, um jogo cujas semelhanças com The Legend of Zelda: A Link to the Past saltam imediatamente à vista. No entanto, esta não é coincidência nem uma simples imitação, pois o jogo tem uma abordagem própria ao género, mesmo que não esconda o amor ao clássico da Super Nintendo.


Blossom Tales é a história do Blossom Kingdom, contada pelo avô às suas netas. O que vemos e jogamos é o imaginário coletivo deste momento familiar junto à lareira, talvez a história que um dia contaremos aos nossos netos. Coloquemo-nos na sua pele e talvez o Link fosse a menina Lily e o reino um mundo de flores e borboletas porque é disso que estas duas pequenas gostam de ouvir falar. O Rei foi traído pelo irão, um feiticeiro maléfico que o colocou num sono profundo para poder assim tomar conta do reino. Só a nossa jovem heroína poderá salvá-lo, tendo para isso de explorar o mundo e conquistar as suas masmorras.

Quem conta um conto, acrescenta um ponto. Ao longo da aventura, o avô vai narrando alguns acontecimentos, mas as netas também querem participar. "Avô, ninguém acredita que não houvesse monstros nessa gruta", diz a certo ponto uma das netas. Este entusiasma-se e acaba por enchê-la de inimigos no seu relato. Por vezes as netas têm opiniões diferentes e compete ao jogador decidir o que vai escolher, afectando por exemplo o tipo de inimigos que se encontram numa área. É magnífico, não pela pequena consequência, mas por aquilo que simboliza: a simbiose entre quem conta e quem escuta uma história.


O jogo joga-se praticamente como os títulos da série Legend of Zelda em 2D, com uma panóplia de itens para colecionar que permitem avançar na história, grutas secretas para encontrar e alguns puzzles para resolver, sempre muito bom a nível de controlos. As masmorras não são tão complexas ou desafiantes em termos de quebra-cabeças, mas são extensas e com vários "checkpoints". Os bosses são muito bons! O que o jogo não tem em originalidade compensa na apresentação, com gráficos cheios de charme e cenários bastante bonitos. Apenas a banda sonora podia ter sido um pouco mais interessante.

Muitos inimigos, locais e eventos remetem-nos para o clássico A Link to the Past, capitalizando na nostalgia. Talvez por isso seja um exclusivo Nintendo Switch a nível de consolas. Nostalgia assumida e encarnada no avô, que agora conta as suas histórias a uma nova geração.


Não poderia haver melhor timing para o lançamento deste jogo do que agora, pelo Natal. Um jogo delicioso, com uma longevidade satisfatória e, principalmente, que ficará na memória.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo, gentilmente cedido pela FDG Entertainment.