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3 de maio de 2018

Venture Kid


Sentem saudades de um certo Blue Bomber da Capcom, mas não querem esperar pelo eventual lançamento de uma nova entrada na série? Se for o caso, não hesitem em aproveitar a mais recente proposta da FDG Entertainment Online.

Venture Kid é um jogo de aventura, com muitas plataformas e saltos pelo meio, que nos leva de volta aos tempos das 8-bits. Numa tendência muito comum nos tempos que correm, Venture Kid dá asas ao sentimento de nostalgia que reside no coração de muitos jogadores que começaram a sua jornada pelo mundo dos videojogos nos finais dos anos 80. Embora não seja uma cópia directa do primeiro Mega Man para a NES, Venture Kid retira muita inspiração, no que a jogabilidade, gráficos e até mesmo a intro diz respeito, desse clássico da Capcom.

Falemos primeiro da história em si. Esta coloca-nos na pele de um jovem protagonista, chamado Andy, que procura impedir que um cientista louco, de nome Teklov, concretize o seu plano mirabolante de dominação global que inclui uma base espacial e a construção de uma arma supostamente para proteger a Humanidade (a activação da mesma deixa a amiga de Andy ferida, o que irá constituir num incentivo extra para o nosso herói). Para se proteger contra os múltiplos aliados de Telkov, Andy tem uma arma, desenvolvida por um outro cientista zarolho, aliado do nosso herói. Esta será a arma básica de Andy e o único dos equipamentos do nosso protagonista com munição infinita.

Usando esta arma, Andy consegue causar dano na maior parte dos seus adversários, tendo a particularidade de conseguir atravessar paredes. O nosso herói irá ganhar um novo item a cada nível concluído (bem ao estilo de Mega Man). Temos o Boomerang, que Andy usa não apenas como arma de ataque, mas também como forma de conseguir apanhar outros itens fora de alcance. O Freeze é uma pequena bomba que congela os adversários e que pode ser usado como forma de transformar estes últimos em plataformas para alcançar sítios que de outra forma seriam inacessíveis. Seguem-se o Rocket, um ataque anti-aéreo capaz de destruir inimigos mais resistentes de uma só assentada, e a Grenade, que uma vez lançada no chão provoca uma onda de choque devastadora. Por último, temos o D.Jump (que nos permite saltar mais alto), os sapatos com picos (para andar sobre esses mesmos picos sem padecermos) e o escudo (que não apenas nos protege de projécteis, como também faz estes voltarem ao inimigo).


A juntar a estes itens de ataque temos ainda outros que podem ser encontrados nos níveis propriamente ditos: as orbs (unidade monetária deste jogo), a ampulheta (capaz de parar o tempo temporariamente), os corações (que funcionam como barra de energia para Andy), tanques de energia (para as armas referidas acima) e bombas (usadas para abrir passagens secretas). De salientar que para além de tudo isto existe sempre a possibilidade de irmos à loja em qualquer altura do jogo, ao acedermos ao menu de pausa. Na loja Andy reencontra o seu amigo cientista, sendo através dele que conseguimos mais corações, vidas, energia para as armas, entre outras coisas, dependendo do número de orbs que tenhamos à nossa disposição obviamente.

Contudo, e apesar de toda esta variedade de arsenal, Andy partilha a mesma falha que o Mega Man possuía na sua primeira aventura. A incapacidade de se abaixar ou de deslizar. Mesmo assim, Andy controla tão bem e o seu salto é tão preciso que tal deficiência não faz mossa alguma no nosso herói.
No que aos inimigos diz respeito, estes são bastante variados e possuem padrões de ataque distintos para nos deixar em constante alerta. Muitos deles lembram-nos, como não podia deixar de ser, velhos rivais do Blue Bomber, outros são mais originais (e bastante interessantes, como é o caso do robot slot machine ou o cavaleiro, nos níveis mais avançados). Muitos são inclusive temáticos e específicos de cada nível. No fim, com seria de se esperar, temos um boss. A dificuldade e originalidade dos mesmos vai aumentando à medida que formos avançando no jogo. Contudo, e apesar da dificuldade dos bosses aumentar, a verdade é que os seus padrões não são de todo difíceis de adivinhar.


Existem oito níveis que abrangem áreas tradicionais nos jogos de outrora. Temos a floresta, a cidade, a fábrica, o deserto, a caverna, entre muitos outros. Todo o jogo (ou pelo menos parte dele) passa-se na ilha de Telkov. A música, criada por Matt Creamer (Retro City Rampage) beneficia do facto de dar ao jogo ritmo constante, e o grafismo é bastante adequado e colorido, se bem que poderia ter um pouco mais de substância nos que aos seus fundos diz respeito. A dificuldade é ajustável, mas o jogo em si não é nem difícil, nem longo, podendo ser facilmente terminado em cerca de uma hora. Felizmente, os níveis de Venture Kid podem ser revisitados, uma vez terminados, o que nos permite procurar por áreas escondidas e através delas descobrir os tesouros escondidos na ilha de Telkov.

Sem tempo limite ou passwords, Venture Kid tem um sistema de saves, que nos possibilita gravar o nosso avanço, e checkpoints, através dos quais se evita o regresso ao princípio do nível sempre que temos a infelicidade de perdermos.


No geral, Venture Kid é um título bastante sólido, se bem que demasiado pequeno e fácil (sobretudo para veteranos do Mega Man). Não ajuda o visual da personagem principal, que é demasiado genérico. Felizmente, o gameplay é bastante bom, a música cativante e as áreas secretas dão-lhe um certo replay value. Um jogo a ter em conta. Aguardamos um Venture Kid II!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para PC via Steam, gentilmente cedido pela FDG Entertainment