Venture Kid


Sentem saudades de um certo Blue Bomber da Capcom, mas não querem esperar pelo eventual lançamento de uma nova entrada na série? Se for o caso, não hesitem em aproveitar a mais recente proposta da FDG Entertainment Online.

Venture Kid é um jogo de aventura, com muitas plataformas e saltos pelo meio, que nos leva de volta aos tempos das 8-bits. Numa tendência muito comum nos tempos que correm, Venture Kid dá asas ao sentimento de nostalgia que reside no coração de muitos jogadores que começaram a sua jornada pelo mundo dos videojogos nos finais dos anos 80. Embora não seja uma cópia directa do primeiro Mega Man para a NES, Venture Kid retira muita inspiração, no que a jogabilidade, gráficos e até mesmo a intro diz respeito, desse clássico da Capcom.

Falemos primeiro da história em si. Esta coloca-nos na pele de um jovem protagonista, chamado Andy, que procura impedir que um cientista louco, de nome Teklov, concretize o seu plano mirabolante de dominação global que inclui uma base espacial e a construção de uma arma supostamente para proteger a Humanidade (a activação da mesma deixa a amiga de Andy ferida, o que irá constituir num incentivo extra para o nosso herói). Para se proteger contra os múltiplos aliados de Telkov, Andy tem uma arma, desenvolvida por um outro cientista zarolho, aliado do nosso herói. Esta será a arma básica de Andy e o único dos equipamentos do nosso protagonista com munição infinita.

Usando esta arma, Andy consegue causar dano na maior parte dos seus adversários, tendo a particularidade de conseguir atravessar paredes. O nosso herói irá ganhar um novo item a cada nível concluído (bem ao estilo de Mega Man). Temos o Boomerang, que Andy usa não apenas como arma de ataque, mas também como forma de conseguir apanhar outros itens fora de alcance. O Freeze é uma pequena bomba que congela os adversários e que pode ser usado como forma de transformar estes últimos em plataformas para alcançar sítios que de outra forma seriam inacessíveis. Seguem-se o Rocket, um ataque anti-aéreo capaz de destruir inimigos mais resistentes de uma só assentada, e a Grenade, que uma vez lançada no chão provoca uma onda de choque devastadora. Por último, temos o D.Jump (que nos permite saltar mais alto), os sapatos com picos (para andar sobre esses mesmos picos sem padecermos) e o escudo (que não apenas nos protege de projécteis, como também faz estes voltarem ao inimigo).


A juntar a estes itens de ataque temos ainda outros que podem ser encontrados nos níveis propriamente ditos: as orbs (unidade monetária deste jogo), a ampulheta (capaz de parar o tempo temporariamente), os corações (que funcionam como barra de energia para Andy), tanques de energia (para as armas referidas acima) e bombas (usadas para abrir passagens secretas). De salientar que para além de tudo isto existe sempre a possibilidade de irmos à loja em qualquer altura do jogo, ao acedermos ao menu de pausa. Na loja Andy reencontra o seu amigo cientista, sendo através dele que conseguimos mais corações, vidas, energia para as armas, entre outras coisas, dependendo do número de orbs que tenhamos à nossa disposição obviamente.

Contudo, e apesar de toda esta variedade de arsenal, Andy partilha a mesma falha que o Mega Man possuía na sua primeira aventura. A incapacidade de se abaixar ou de deslizar. Mesmo assim, Andy controla tão bem e o seu salto é tão preciso que tal deficiência não faz mossa alguma no nosso herói.
No que aos inimigos diz respeito, estes são bastante variados e possuem padrões de ataque distintos para nos deixar em constante alerta. Muitos deles lembram-nos, como não podia deixar de ser, velhos rivais do Blue Bomber, outros são mais originais (e bastante interessantes, como é o caso do robot slot machine ou o cavaleiro, nos níveis mais avançados). Muitos são inclusive temáticos e específicos de cada nível. No fim, com seria de se esperar, temos um boss. A dificuldade e originalidade dos mesmos vai aumentando à medida que formos avançando no jogo. Contudo, e apesar da dificuldade dos bosses aumentar, a verdade é que os seus padrões não são de todo difíceis de adivinhar.


Existem oito níveis que abrangem áreas tradicionais nos jogos de outrora. Temos a floresta, a cidade, a fábrica, o deserto, a caverna, entre muitos outros. Todo o jogo (ou pelo menos parte dele) passa-se na ilha de Telkov. A música, criada por Matt Creamer (Retro City Rampage) beneficia do facto de dar ao jogo ritmo constante, e o grafismo é bastante adequado e colorido, se bem que poderia ter um pouco mais de substância nos que aos seus fundos diz respeito. A dificuldade é ajustável, mas o jogo em si não é nem difícil, nem longo, podendo ser facilmente terminado em cerca de uma hora. Felizmente, os níveis de Venture Kid podem ser revisitados, uma vez terminados, o que nos permite procurar por áreas escondidas e através delas descobrir os tesouros escondidos na ilha de Telkov.

Sem tempo limite ou passwords, Venture Kid tem um sistema de saves, que nos possibilita gravar o nosso avanço, e checkpoints, através dos quais se evita o regresso ao princípio do nível sempre que temos a infelicidade de perdermos.


No geral, Venture Kid é um título bastante sólido, se bem que demasiado pequeno e fácil (sobretudo para veteranos do Mega Man). Não ajuda o visual da personagem principal, que é demasiado genérico. Felizmente, o gameplay é bastante bom, a música cativante e as áreas secretas dão-lhe um certo replay value. Um jogo a ter em conta. Aguardamos um Venture Kid II!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para PC via Steam, gentilmente cedido pela FDG Entertainment
Venture Kid Venture Kid Reviewed by Ivo Silva on 03 maio Rating: 5

Latest in Sports