Yoshi and the Mysterious Book


Não é sempre que recebemos uma nova aventura de Yoshi! A última vez que tivemos uma aventura protagonizada pelo icónico dinossauro verde foi em 2019, na Nintendo Switch com Yoshi's Crafted World: um jogo de plataformas que seguia uma tendência visível que a série inspirava-se em coisas bem analógicas como a ilustração, tricot ou materiais que encontramos nas aulas de educação visual. Uma tendência que se mantém agora, com o lançamento na Nintendo Switch 2 de um novo jogo de plataformas.


Yoshi and the Mysterious Book vem no seguimento das celebrações dos 40 anos de Super Mario, não fosse ele ser o fiel companheiro de Mario e Luigi, e ter o muito protagonismo em Super Mario Galaxy O Filme, como personagem bem presente em toda a aventura. Continuamos a exploração de estéticas de estilos artísticos algo distintos, desta vez inspirado pelos livros de contos infantis, com uma aposta muito forte na ilustração, que nos acompanham agora numa viagem por um misterioso livro.

Um jogo que não se prolonga muito na sua introdução: Bowser Jr. fez asneiras e levou Kamek consigo, há um misterioso livro e um grupo de Yoshi coloridos têm de salvar a situação. Livro este de nome Mr. E, com uma bigodaça que impõe respeito e um monóculo que nos permite ver em detalhe as suas mágicas páginas. Mas, todas as suas páginas estão em branco e cabe-nos a nós restaurarmos os seus conteúdos, viajando entre diferentes cenários para catalogar todo um conjunto de coisas. A premissa é simples, muito simples até, mas convidativa por aquilo que é um jogo de plataformas, com um foco forte na exploração.


Das criaturas que habitam as páginas, os diferentes acontecimentos como interagir com os cenários, derrotar os inimigos de certas maneiras, descobrir segredos ou simplesmente espalhar o caos, há uma imensidão de coisa que podemos fazer nos níveis com muito pouca ajuda a explicar-nos o que é que temos de fazer, para concluir os objetivos. Senti um bom convite à exploração, levando-me a percorrer os vários níveis detalhadamente a ver se não me faltava descobrir algum segredo, sendo que fiquei sempre surpreso ao descobrir que, após concluir o nível, era-me dada uma pista para descobrir algo que me havia escapado.

É, essencialmente, um jogo tranquilo. Talvez até demasiado tranquilo, que me deixou com saudades dos Yoshi Story que eram jogos de plataformas algo desafiantes, embora acessíveis, que exploravam uma fantasia bem própria, com Baby Mario (e não só) às nossas costas. Este é um jogo mesmo focado em Yoshi, ou nos vários Yoshi que podíamos escolher a cor, completamente irrelevante, embora tenha um bom detalhe que, ao descobrir algo nos níveis, a cor do Yoshi que surge nas páginas é daquele que havíamos usado. Um detalhe mínimo, até mesmo irrelevante, mas é o tipo de detalhes que aprecio profundamente.


Acaba por ser um jogo de exploração mais do que um jogo de plataformas, não há qualquer perigo, os inimigos não nos matam, e simplesmente estorvavam-me quando estava tranquilamente a tentar resolver algum puzzle ou a tentar descobrir algo no cenário. Faltou também ao jogo aquela grandiosidade dos jogos antigos da série, que colocavam enormes (e geniais) bosses à nossa frente para enfrentar, embora nisto nem tudo esteja esquecido. Esta é mesmo uma aventura de descobrir coisas nos níveis, que me dava pontos para progredir no jogo, pois ao fim de um certo número de descobertas, tinha o suficiente para explorar outros mundos, espalhados nas páginas do Mr. E., o livro vivo (com o seu incrível bigode) é bom de explorar, ver os diferentes hábitos das criaturas que fomos descobrindo, poder mudar as ilustrações de sítio, como se estivéssemos a criar a nossa própria enciclopédia.

O que, em parte, é pena. O estilo artístico do jogo é belíssimo, todos os cenários e personagens pareciam ilustrações de um livro infantil, que ganhavam vida. A banda sonora acompanhou todos os momentos na perfeição, que por muitas vezes me lembrou de Pikmin, embora seja um jogo bem diferente. Mesmo as trapalhadas de Bowser Jr. e Kamek eram divertidas: simples e sem grandes dramas, mas deixavam-me curioso para ver o que acontecia a seguir. Gostava muito de ver tudo isto num jogo de plataformas mais tradicional, honestamente, com algum desafio a acompanhar todos os cenários fantásticos, bem recheados com as mais variadas criaturas.


Mas, como disse, este é um jogo de exploração. Aproxima-se mais do videojogo da Bluey do que propriamente um Mario ou até mesmo qualquer outro jogo da série do Yoshi, e nisso tenho de admitir: para jogo de exploração é muito convidativo. Seja pela descoberta constante de coisas nos níveis, seja pelo simples facto que somos nós a dar o nome às criaturas que vamos encontrando, que podemos perguntar a sugestão de Mr. E, que facilmente nos dava um trocadilho com a criatura em si.

E nisto o jogo funciona bem, os controlos são simples e fáceis para os mais novos se aventurarem pela primeira vez num jogo de plataformas, se bem que perfeito era se tivesse a localização em português de Portugal, apesar de estar localizado para o Brasil, que é sempre uma alternativa. Podia também ter alguma jogabilidade cooperativa, ajudando o jogador principal com um ou outro desafio, como tem sido bem habitual em jogos de plataformas da própria Nintendo.


Sinto é saudades de um Yoshi "à antiga", por muito que tenha tirado a barriga de miséria na última aventura e, em parte, em Yoshi's Woolly World para a Nintendo Wii U. Voltando ao jogo em si (e não me lamentado por aquilo que poderia ser), há mesmo muito a explorar, e por vezes é até mesmo frustrante, pois não fazia mesmo ideia do que tinha de fazer, para desvendar um ou outro segredo que estava à minha frente. Há algumas ajudas fora dos níveis, quase como um convite para voltar ao nível para desvendar aquele segredo já com a indicação do que tinha de fazer, mas muitas vezes a vontade, honestamente, não era a maior. Queria era explorar os mundos seguintes, que ainda são uns quantos, todos eles com alguns níveis. E aqui não vão encontrar um jogo com uma catrefada de níveis, embora sejam vários e ainda temos desafios adicionais além de simplesmente encontrar isto ou aquilo.


Yoshi and the Mysterious Book acaba por ser um jogo relaxante, cheio de surpresas e honestamente bom para jogar após um exaustivo dia de trabalho, mas talvez seja demasiado pacífico e faltou-lhe ali algum sentimento de perigo, bem típico dos jogos de plataformas. Apesar disso, o convite constante à exploração e descoberta é viciante, onde todos os níveis têm surpresas e momentos de "ah-HAH!" ao finalmente descobrir porque é que aquela parte do nível nos parecia tão estranha. 


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.

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