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24 de outubro de 2017

Wulverblade


Leio muito por aí que alguns jogos são cartas de amor a determinados jogos e géneros. Que este Wulverblade é uma homenagem aos antigos Golden Axe, Final Fight, para nomear alguns ou estaria aqui a análise toda – e com uma piscadela de olho ao Dark Souls porque todo o jogo difícil inspira-se em Dark Souls… Sabem que mais? Wulverblade é Wulverblade, um jogo frustrante, mas lindo de se ver.


Perdi imensas vezes devido à dificuldade e aos controlos, mas tentei, eu juro que tentei. É possível que já não tenha a estaleca dos outros tempos onde os jogos eram difíceis e separavam os miúdos dos graúdos, mas há limites. Há limite para lidar com comandos não responsivos, movimento tosco e desalinhado e poucos checkpoints. Não me consigo censurar, tenho pouco tempo útil para jogar e embora não queira um jogo que me dê a mão, não quero um jogo que me frustre. Joguei Bloodborne e soube onde me tinha inscrito. Lidei com as derrotas, inscrevi-me no ginásio para puxar ferro e, quando aprendia e vencia, sentia aquela sensação de adrenalina tão boa e que me fazia jogar mais e mais. No fim, eu estava mesmo bom! Em Wulverblade, quando passava um boss e acabava um nível só limpava o suor da testa e dizia aleluia. Talvez este género não seja a minha praia, talvez devesse investir o meu tempo noutro tipo de jogos e é verdade, mas há que abordar um jogo com mente aberta. Daí não dizer que Wulverblade é um jogo mau na soma das suas partes. O estilo, a animação e o som são fantásticos. O desenho animado que realça a violência e a visceralidade no combate é um chamativo, as sequências animadas que parecem telas desenhadas e o som ambiente, dos ataques e do gore; até o próprio trabalho de voz é imersivo.

Wulverblade é muito in your face e não anda com rodeios, é bastante violento e não esconde esse facto. Volta e meia andam a decepar cabeças, a desmembrar coitados e a espirrar sangue por todo o lado. Lobos surgem no ecrã e degolam as vítimas. E o ecrã congela, vibra como tivessem caído bombas, depois os slow motions para verem tudo ao detalhe. Ah, sim, Wulverblade tem nota máxima no departamento de awesome. Os olhos e ouvidos também comem, é certo. O cérebro não passa fome até porque a história é outro ponto positivo do jogo. A equipa de Michael Heald fez o trabalho de casa, estudou e criou um jogo à volta de um período pouco explorado: a invasão romana na Britânia, em 120 AD. Não jogamos com uma dupla à lá Asterix e Obelix a distribuir chapadas ao romanos, mas com um trio de fanfarrões e fanfarrona que pintam o seu caminho de vermelho. Temos Caradoc que é o faz tudo, Brennus, o músculo e a Guinevere, a ágil. Cada personagen tem as suas caracterísicas que introduzem uma pequena variedade ao jogo e um estilo diferente de luta.


Vamos agora falar do combate que é o sumo. Funciona q.b. Cada personagem tens os seus atributos e vamos com quem gostarmos mais. Temos à nossa disposição ataques normais que passam a combos quando pressionados repetidamente. Premindo duas vezes o movimento, a personagem corre e pode ir de encontro aos inimigos. Correr também funciona no R, mas se jogarem com um Joy-Con não dá. Podem defender os golpes e contra-atacar se forem coordenados. Uma vez por cenário podem invocar os lobos que mencionei acima e, quando encherem a barra no vosso ícone podem entrar em modo Rage. Tiram mais dano e não recebem em troca, recuperando energia no processo. Acontece algum inimigo cair inconsciente e ficar à mercê de uma mercy kill que carrega rapidamente a barra de Rage. Podem usar o que estiver no chão, armas, braços e cabeças para atirar aos adversários. Se apanharem armas fortes, podem usar o botão de ataque forte para as usar, mas com moderação porque desaparecem logo. O q.b. do meu comentário prende-se ao facto de às vezes os tempos de resposta entre o botão e o movimento demorarem, serem desajustados ou para o ar sem nenhuma necessidade. Andar até a um inimigo é lento, colocar em posição demora e quando acertamos já estamos encurralados. Quando funciona é bom, quando não funciona não é.


Ouço dizer que o problema está entre a televisão e o sofá, talvez seja mesmo de mim.
Acredito que sim, porque gosto do que vejo. Gosto daquele ambiente, gosto de passar pela floresta com música ambiente, ver a fauna a passar no fundo ou inimidos a passarem sorrateiros. Gosto de sorrir enquanto a personagem atirar pedaços de romano pelo ar. Não gostei foi da minha experiência, mas não acho que seja um mau jogo, entretém, mas não me vai ficar na memória.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Novy Unlimited.