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18 de outubro de 2017

Parascientific Escape: Crossing at the Farthest Horizon


A Intense e a Circle Entertainment trazem-nos aquela que é a terceira entrada na sua série de visual novels detectivescos, conhecida como Parascientific Escape. Crossing at the Farthest Horizon é uma sequela directa do título anterior, Gears Detective, recuperando grande parte do cast, avançando ainda mais o argumento e mantendo o mesmo estilo de gameplay.

A história gira, uma vez mais, em torno de Kyosuke Ayama, o detective psíquico do braço biónico que havia perdido o pai em Gears. Ao seu lado continua a ajudante e aspirante a noiva, Mari. A relação entre ambos parece ter-se aprofundado em Crossing, com Kyosuke a retribuir o afecto de Mari. Será que teremos um quarto título onde os dois estarão casados? O tempo dirá. Para além destas duas personagens, temos ainda o secretário do presidente da companhia IXG (e o melhor amigo de Kyosuke), Yukiya, assim como a serial killer de Gears, a imprevisível Tsukiko. Esta última encontra-se em liberdade condicional e auxilia-nos na aventura.


Numa história que gira em torno dos PSI (pessoas com habilidades psíquicas) e no preconceito de que são alvo, o foco caí não em Kyosuke, mas antes nas irmãs Hitomi e Ritsu. Ambas, juntamente com a mãe revolucionária, Iori, são o ponto fulcral da narrativa. Tanto Hitomi, que servirá como co-protagonista deste jogo, como Ritsu, que alterna entre o caminho da vilania e do heroísmo, têm uma rara e poderosa característica. A de serem psíquicas duplas. Isto será algo que tentará ser explorado pela vilã, a tal mãe adoptiva, Iori que visa nada mais, nada menos que a criação de um país só com psíquicos.

Relativamente ao gameplay este não mudou, com o jogo a dividir-se ainda em duas fases. A da investigação, nas quais podemos visitar as diferentes localizações no jogo, procurar itens e pistas necessárias para avançar no jogo, assim como falar com as diferentes personagens. Nesta fase somos muitas vezes presenteados com pequenas escolhas, na forma como respondemos a algumas das questões que nos são colocadas pelas outras personagens. As respostas dadas por nós terão influência na rapariga com que Kyosuke terminará no final (embora Mari seja a sua namorada canónica). A outra fase de jogo é a da aventura, na qual o propósito será o de escapar de quartos fechados e armadilhas montadas pelos antagonistas. Nesta fase faremos uso das habilidades psíquicas do personagem para dar pequenas espreitadelas no passado e descobrir objectos que possam ser usados no presente, dando origem às chamadas Time Scars.


Da mesma forma que o gameplay permanece inalterado, o mesmo pode ser dito em relação aos gráficos e música, que mantêm o mesmo tom, o que é um ponto deveras positivo. Ainda assim e apesar de avançar a história de Gears, desenvolvendo ainda mais as suas personagens, Crossing surge-nos não como um novo jogo, mas antes como uma mera expansão do anterior. Crossing peca por não ter corrido mais riscos com a jogabilidade, dando-nos a mesma experiência de Gears, em vez de tentar inovar. Igualmente negativo é o ritmo extremamente lento de Crossing, que demora em colocar o jogador em acção, perdendo-se na ainda assim interessante narrativa.

Em suma, Crossing é sobretudo um jogo para quem gostou de Gears e quer explorar mais o mundo aí apresentado (sobretudo a história de Hitomi e Ritsu). Para os outros, existem melhores opções no género. Ainda assim, um título razoável e curto.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Circle Entertainment.