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20 de janeiro de 2017

Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King


A primeira vez que ouvi falar em Dragon Quest foi em 2006, altura em que a série se estreava em território europeu com o lançamento de Dragon Quest VIII para a PlayStation 2. O estilo artístico inconfundível de Akira Toriyama, as reviews que lia e as opiniões que ouvia diziam-me que era um jogo que iria adorar. Não possuindo a consola na altura, acabei por eventualmente adquirir uma cópia do jogo na esperança de um dia ter tempo e dinheiro para adquirir uma consola e jogá-lo. A oportunidade nunca surgiu, o meu primeiro contacto com a série seria mais tarde com o remake de Dragon Quest V na Nintendo DS - e que jogo incrível foi esse!

Desde então comecei a acompanhar a série e admirar a forma como se especializou em mudar o menos possível ao longo de diversas iterações. Pelo meio modernizou-se, acrescentou inimigos no mapa para acabar com as "random battles", mas sempre se manteve fiel a um espírito muito característico de todos os Dragon Quest. Viria então reencontrar-me agora com Dragon Quest VIII, mais de uma década depois, graças a esta adaptação para a Nintendo 3DS.

   

Em Dragon Quest VIII, acompanhamos de perto a história do rei Trode, que se vê amaldiçoado por um maléfico bobo da corte chamado Dhoulmagus. O rei, transformado num troll, e a princesa Medea, transformada numa égua, assistem à destruição de todo o reino a que apenas um soldado escapa ileso - este sim, o nosso personagem. O grupo parte em perseguição do malvado Dhoulmagus, apenas para descobrir a cada nova cidade que chegaram tarde demais e que ele já espalhou um pouco mais de caos e destruição. E é assim, de cidade em cidade, masmorra em masmorra, que vamos avançando na história à medida que exploramos o mapa dos quatro continentes deste mundo de fantasia.

Parte da magia de Dragon Quest está na forma como mantém a história fresca e interessante ao apresentar-nos um novo problema assim que chegamos a um novo local, geralmente relacionado diretamente com o problema "principal" que serve de mote à aventura. A mestria com que isto é feito ao longo de gerações faz com que jogar agora Dragon Quest VIII seja tão interessante como quando foi desenvolvido originalmente, mesmo que seja uma estrutura linear e, dirão alguns, antiquada. A qualidade dos diálogos e o sentido de humor dos personagens fazem um bom equilíbrio com a seriedade que esperamos dos melhores jogos de RPG, dando a este jogo tanto de dramático como de divertido. No fim de contas, é a diversão que fica connosco, mas durante a aventura é impressionante a quantidade de temas sérios que são abordados nas pequenas tragédias dos personagens que encontramos.

   

A adaptação à Nintendo 3DS trouxe algumas novidades, sendo a que mais salta à vista são os monstros visíveis nos cenários, não havendo mais "random battles" no jogo. O combate em si permanece igual e permite controlar as ações de todos os personagens individualmente ou atribuir-lhes táticas para que combatam automaticamente. No entanto, agora há mais personagens jogáveis que se podem juntar à equipa, mais masmorras para explorar e uma história mais aprofundada para o herói e o vilão. Num jogo que já de si tinha uma grande longevidade, acrescentaram ainda mais conteúdo para se jogar após o fim da história, fazendo deste um RPG muito bem recheado para os apreciadores do género.

Visualmente, o jogo coloca-se numa posição curiosa, sendo muito mais detalhado que a anterior adaptação do Dragon Quest VII, mas também perdendo aquela sensação de "gráficos 3DS" que a caraterizavam. Esta adaptação é bastante fiel ao original da PS2, sacrificando naturalmente na resolução do ecrã e no detalhe dos cenários, mas compensando em cores vivas que se adequam ao formato da portátil. Funciona muito bem e ao fim de algum tempo começa a parecer-nos um jogo nativo da Nintendo 3DS, mesmo se lado a lado fica bastante aquém do original.

Quanto à banda sonora, perdemos as faixas orquestradas que se encontram na versão japonesa do jogo para a 3DS, ficando o Ocidente com a versão em MIDI que, francamente, não é a mesma coisa mas também não soa mal. Por outro lado, o excelente "voice acting" caraterístico da versão PS2 mantém-se neste jogo e continua a ser uma peça fundamental no apelo destes personagens com os seus variados sotaques.


Dragon Quest VIII pode ser um clássico da PS2 e ainda por cima uma adaptação que demorou quase 2 anos a chegar à Europa depois de ter saído no Japão, mas não é de todo um jogo envelhecido. A história é deliciosa e o seu desenvolvimento é dos melhores da série, com personagens fascinantes a surgir uns atrás dos outros à medida que se vai jogando. Um RPG de excelência que vem apenas reforçar o catálogo da 3DS que já por si é bastante forte nesta área. Acima de tudo, é um RPG extremamente divertido e colorido com o potencial de converter novos jogadores em fãs de Dragon Quest à espera de novos lançamentos!
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.