Isekai Villain
Isekai é um termo japonês que indica a passagem de um determinado indivíduo para uma outra realidade. Essa ocorrência pode dar-se pela morte do mesmo no seu mundo de origem. Uma morte que serve de partida para o seu renascimento num novo mundo. Mundo este, normalmente, regido pelas regras da magia e da fantasia. Ora é essa a premissa que serve de base para este novo RPG do duo Exe-Create / Kemco.
Colocado no papel do vilão, Yu vai procurar reunir a sua própria equipa, com a qual tentará fintar o destino, enquanto enfrenta alguns dos heróis mais poderosos do reino, num RPG ao estilo daquilo que este estúdio já nos habituou. A party do nosso protagonista contém três outras personagens, cuja adesão será gradual à medida que formos avançando na aventura. Temos Denice, uma guerreira ruiva que ataca servindo-se maioritariamente com dados. Será ela a nossa principal opção em termos de magia de cura. Segue-se o talentoso mago Zalam, um necromante que exerce a sua magia ofensiva usando os crânios que o rodeiam.
Por fim, temos Reef, membro dos Kalbean, uma raça humanoide com características muito peculiares e cujos elementos podem ser encontrados em toda a parte, servindo diferentes funções, desde comerciante a guerreiro. Reef, cujo feitio pode ser considerado no mínimo difícil, tem um estilo de combate bastante físico, atacando os inimigos com aquilo que parece ser um cortador de relva manual modificado. Este trio recebe muita atenção no que à sua caracterização diz respeito. O diálogo que partilham entre si e com o protagonista, conta-se entre o que de melhor já vi no que a jogos da Kemco diz respeito.
Com o seu trio de aliados, Yu vai andar de cidade em cidade, em busca de informações que lhe permitam evoluir na aventura, estabelecendo contacto com os diversos NPC que lá residem e aproveitando para dar uma espreitadela nas suas lojas, de forma a melhorar o seu equipamento e refrescar o seu stock de poções. Será nestas cidades, e após a masmorra local ter sido vencida, que teremos pequenas missões. Sidequests que nos são dadas pelos habitantes e que permitem não apenas a oportunidade de obter experiência e itens novos, como também aumentar a nossa notoriedade enquanto grupo.
Isekai Villain é um RPG de combates por turnos, ao estilo de Final Fantasy, no qual os inimigos vão aparecendo de surpresa para atacar o jogador, sempre que este decida se aventurar numa das inúmeras masmorras existentes no jogo. O nosso grupo tem a possibilidade de fazer ataques físicos normais ou usar habilidades especiais e mágicas (chamadas de skills), para abater a sua oposição. Muitos desses ataques podem ser combinados para provocar extra dano. As skills podem ser melhoradas acedendo à chamada Skill Tree e usando os SP (pontos obtidos em batalha e que são diferentes dos pontos de experiência) disponíveis para desbloquear novas habilidades ou novos níveis para as que já temos.
Para além do ataque temos ainda a possibilidade de usar itens, colocar as nossas personagens em posturas defensivas ou fugir. Especial atenção deve ser dada ainda ao facto dos adversários poderem ocupar diferentes posições no terreno de batalha, com os seus elementos ofensivos a serem colocados na parte da frente, enquanto que os restantes ficam na parte detrás. Isso irá afetar a potência da nossa ofensiva. Contudo, nada disto é novidade, sendo uma mecânica bastante comum neste género de RPG.
A novidade deste jogo reside na possibilidade de construirmos o nosso próprio esconderijo, usando itens obtidos nas batalhas, em baús escondidos nas masmorras ou por e simplesmente desmantelando alguns itens de forma a criar essas matérias primas. À medida que o nosso esconderijo for crescendo, novas funcionalidades do jogo serão desbloqueadas, aumentando o nosso rol de opções consideravelmente.
Isekai Villain tem os já tradicionais elementos Gacha presente em todos os jogos da Kemco, assim como uma loja interna acessível a qualquer altura e na qual podemos trocar itens, forjar novos ou modificar a dificuldade do jogo (alterando alguns dos seus parâmetros). Tudo isto pode ser feito usando vales e pedras especiais ou, no caso do conteúdo premium, valor monetário.
A nível gráfico e musical, este jogo cumpre, trazendo consigo uma aparência 16bits muito consistente com algo visto em séries como Saga, por exemplo. A artwork quer das personagens, quer dos sprites está particularmente bem conseguida.
Em suma, Isekai não é um jogo difícil (o plus game já é uma conversa diferente), que traz muitas das tropes já conhecidas da Kemco e cujo principal charme irá residir nas suas personagens e nas interações destas entre si e com o mundo à sua volta. Mais um bom esforço desta companhia e um jogo a ter em conta para a semana do Halloween.








