Notícias

Análises

16 de julho de 2010

Dragon Quest V: The Hand of the Heavenly Bride

Dragon Quest V ainda é considerado por muitos o melhor jogo da série, sendo muitas vezes referido como um dos melhores RPGs de sempre. Infelizmente, este clássico da Super Nintendo (1992) nunca tinha sido publicado na Europa e chegou apenas 17 anos depois a este território, graças a este remake para a Nintendo DS. À primeira vista, sem quaisquer full-motion videos ou impressionantes gráficos 3D, é difícil olhar para este jogo e perceber o que fez com que os seus jogadores o tivessem tanto em conta. No entanto, ao fim de poucas horas de jogo, a sua história mostra-se tão cativante que se torna impossível abandonar esta aventura.

Mesmo em comparação com outros jogos da série, Dragon Quest V destaca-se pela emocionante história  de um pequeno rapaz que acompanha o pai em busca da mãe desaparecida e de um lendário herói que os possa ajudar na demanda. Apesar da simplicidade desta premissa, o desenrolar da história mostra-se verdadeiramente surpreendente (mesmo para o nível de histórias que temos nos jogos mais actuais), emocionante e até, por vezes, chocante. Em nenhum momento se abandona a perspectiva do personagem, o que dá maior ênfase à sensação de descoberta obtida durante o jogo e o envolvimento com este personagem que é acompanhado desde a infância à idade adulta. Este não é um jogo com um herói cujo passado seja contado em flashbacks ou revelado no fim: é acompanhado todo o percurso da sua vida.

A passagem do tempo é um elemento central para este jogo, muito bem gerido pelas sequências de história que são geralmente associadas a situações memoráveis na vida do personagem (mas não serão aqui reveladas para manter o efeito da surpresa). Outro dos elementos centrais é a escolha de uma de 3 mulheres com quem o protagonista se pode casar. Esta decisão acabará por afectar todo o jogo que se segue, pois cada possível esposa tem características e personalidade distintas, que irão depois influenciar os filhos nascidos desse casamento. A qualquer momento da aventura, está disponível a funcionalidade "party talk", que permite conversar com os companheiros de viagem e evidencia principalmente as diferentes personalidades dos personagens, sendo também bastante útil quando não se sabe para onde ir em seguida no jogo.

A jogabilidade é tão simples e acessível como a de qualquer outro Dragon Quest, com um sistema de batalhas por turnos que permite escolher calmamente os ataques de cada personagem da equipa, ou atribuir tácticas de combate autónomas a alguns deles (por exemplo: ter um personagem que se concentre em curar os companheiros caso sejam feridos). Após derrotar os monstros em batalha, alguns mais impressionáveis poderão mostrar interesse em juntar-se à aventura, passando assim a fazer parte da equipa como qualquer outro personagem. Além dos quatro lugares disponíveis na equipa, o personagem ganha a certa altura uma carroça puxada a cavalo que permite transportes personagens e monstros adicionais, podendo assim substituí-los a qualquer momento em batalha, excepto em locais onde o cavalo não possa entrar. Os restantes monstros serão guardados num monstergarten, especialmente útil a quem se quiser dedicar a coleccionar várias criaturas.

O grafismo consiste numa mistura simples de cenários 3D com texturas detalhadas e sprites 2D para os personagens e monstros. Embora não sejam impressionantes para o que é possível fazer-se na Nintendo DS, são ainda assim um grande avanço em relação à versão original do jogo e nunca afectam negativamente a experiência de jogo. A animação dos monstros em batalha é fantástica e, muitas vezes, cria a ilusão destes serem tridimensionais.


Dragon Quest V: The Hand of the Heavenly Bride é um jogo absolutamente memorável, mesmo até para os parâmetros de hoje em dia. A história familiar que centra todo o seu enredo dá-lhe um toque pessoal a quem o joga – como esquecer estes personagens cuja vida se acompanha desde o primeiro dia? Não é apenas um jogo para fãs de aventuras ou RPGs: é um jogo para todos os que apreciam uma boa história, contada de uma maneira fantástica. Mesmo sem gráficos impressionantes ou sem utilizar muitas das funcionalidades oferecidas pela Nintendo DS, este é um dos melhores jogos que existem na consola.