The Legend of Zelda: Ocarina of Time


Não é todos os dias que temos em mãos um dos maiores legados da história dos videojogos! Foi em 1998 que The Legend of Zelda: Ocarina of Time deu o salto e estreou a série num mundo tridimensional, 12 anos apenas desde as suas origens na primeira consola da Nintendo. Ainda hoje, este é considerado pela crítica (segundo o Metacritic) como o melhor jogo de sempre, algo que os fãs o repetem, o que lança um desafio agora para o remake: como é trabalhar com algo tão precioso?



Mas, calma! Esta não é a primeira vez que Ocarina of Time renasce, e não estou a contar com lançamentos via Virtual Console, ou incluído noutros jogos, ou coletâneas. Foi no lançamento da Nintendo 3DS que o jogo surgia novamente, de cara lavada, visuais polidos e algumas features que melhoravam a experiência. Foi este também este o primeiro contacto que muitos tiveram com um jogo tão adorado, agora na (então) nova portátil da Nintendo, que na altura abriu muita curiosidade devido ao grande nome que o jogo ainda tinha. Muita da magia do original mantinha-se, os momentos épicos igualmente retratados e a primeira vez que entrávamos no Hyrule Field era, também aqui, memorável. Ainda assim, era "só" um remaster, e desta vez agora a história é diferente! Até porque como é promovido, "A lenda renasce".

The Legend of Zelda: Ocarina of Time regressa em grande, num lançamento para a Nintendo Switch 2 que transforma muito o jogo original! Voltei àquele mundo inesquecível, este que foi a primeira grande aventura em mundo aberto para muitos, com controlos e visuais 3D que vieram definir a indústria na altura, recebendo agora uma mudança notória para ser um jogo moderno. Uma aventura que conheço de uma ponta à outra, resultado das diferentes versões que joguei, cujas memórias tanto ajudaram-me a facilmente comparar o trabalho original com este remake, como me deixaram confuso quando dei por mim a não saber onde encontrar isto ou aquilo, isto porque nem tudo é igual!




Este é um remake no bom sentido da palavra: um jogo que recria fielmente a obra original da Nintendo 64, adicionado os quality of life habituais como a jogabilidade refinada que melhoram a experiência, sem o transformar profundamente. Curiosamente, das maiores evoluções é o botão de saltar, uma simples melhoria que não altera drasticamente o jogo, por isso não esperes grandes exploits para chegar a determinados locais assim, mas dá uma sensação de controlo que, até agora, não existia. O mesmo digo da câmara agora controlável, dei por mim estar sempre a olhar para tudo o que era sítio, fosse enquanto andava por Hyrule Field a calvagar com Epona, fosse em tudo o que era dungeon, mesmo quando não havia segredos à minha espera. Outra melhoria, mais simples, é ao rebolar também correr em seguida, o que fez com que não andasse a rebolar o tempo todo como na versão original.

Uma autêntica viagem no tempo, que não me transporta para os tempos da Nintendo 64, mas sim quando o joguei pela primeira vez na Nintendo GameCube, juntamente do lançamento de The Legend of Zelda: The Wind Waker (numa edição toda ela especial!). Já foi… mesmo há bastante tempo, e esta fervorosa nostalgia enquadra-se bem neste lançamento, não só porque Ocarina of Time, tal como o nome indica é sobre viagens no tempo, mas também porque a série celebra agora o seu 40.º aniversário e nada melhor que este capítulo para celebrar o acontecimento! Aventura que começa com Link ainda uma jovem criança, que após a chegada da fada Navi vê-se numa grande aventura para salvar o reino (quiçá, o mundo), tornando-se depois adulto e vendo tudo caído em ruína. Quando a saudade aperta, nada como tocar uma melodia na nossa Ocarina para sermos transportados de novo para o passado, sete anos antes, sendo esta viagem temporal habitual em vários momentos do jogo.



A história é simples: Link, um jovem Kokiri dormia pacificamente sem quaisquer preocupações na vida, até ser despertado por Navi, com uma missão: ir até à Great Deku Tree, receber um item importante e sair da floresta, com o objetivo de enfrentar a escuridão que já pairava sobre a região. Um perigo que tem um nome, Ganondorf, cuja primeira aparição assim foi tão marcante, que mudou por completo o modo como olhamos para o vilão da série, sob a forma de Ganon. É no início desta aventura que Link encontra Zelda, também ela cujo destino estava traçado, até porque este trio de personagens compõe a tríade de coragem, conhecimento e força, três partes que formam a Triforce. O resto? É história, como dizem, mesmo para quem não conheça o jogo original, não há propriamente grandes momentos chocantes, mas toda a narrativa ganha agora todo um novo valor.

A adição de voice acting acrescenta muito ao jogo, bem mais do que The Legend of Zelda: Breath of the Wild ou Tears of the Kingdom trouxeram, mas dito isto, senti que podiam ter ido bem mais além, e tornar este jogo totalmente narrado, com as várias personagens com que nos cruzamos a ganharem voz, ou até simplesmente prolongar as cutscenes com falas, que por vezes tinham uma passagem para a ausência de voz, do nada. Ainda assim, é nos momentos-chave de história que o jogo brilha, desde a despedida de Link e Saria, amigos de infância que têm agora um momento mais marcante, principalmente quando comparamos o mesmo momento com o jogo original! Todas as vozes estão muito bem conseguidas, com novas conversas no geral, que aprimoram mais o jogo e trazem mais emoção, e aqui o jogo conta com várias línguas diferentes, que podemos alternar a qualquer momento. Só lamento a ausência de português de Portugal, apesar de termos presente o do Brasil, e isto tanto na fala como nos textos.



Ao longo de 40 anos, The Legend of Zelda sofreu também várias alterações, e por muito que tenha adorado o mundo de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom e o quão extenso consegue ser, ficou sempre aquela saudade de um jogo com uma estrutura mais clássica, mais linear e com foco naquilo que mais adoro na série: as dungeons. The Legend of Zelda: Ocarina of Time é um jogo que destaca cada uma das suas masmorras, onde reinam os puzzles e há sempre um novo item, peça de equipamento ou até mesmo arma que irá ser a chave para desbloquear partes não só na masmorra em si, como no mundo. Mesmo já as conhecendo de uma ponta à outra, matei bem as saudades de cada uma delas, Forest Temple e Shadow Temple já eram das minhas dungeons favoritas na série, e agora neste remake fiquei a gostar ainda mais delas!

E, sim, já sei os enigmas de cor, a estrutura de todas é sempre a mesma: apanhar o mapa e o compasso, ganhar o item principal, enfrentar o boss intermediário, encontrar a chave da sala final e derrotar o boss principal da masmorra. Algo que se repete em praticamente todas as dungeons, mas em ponto algum tornou-se repetitivo! Matei as saudades desta estrutura tradicional, mas aqui surge algo que estou muito curioso em assistir: há um certo nervosismo, para muitos, este será o primeiro The Legend of Zelda tradicional para muitos jogadores, numa era após jogos com foco no open world onde as masmorras eram… diferentes. Nervossismo, pois creio que estamos numa boa altura para o regresso a esta estrutura, onde sim, podemos ter um mapa gigantesco a explorar, mas dedicado às dungeons e com momentos prolongados entre elas, comparando com o que podemos fazer nos entretantos em Ocarina of Time. Mas, resta saber se a reação a esta estrutura clássica, será bem recebida.



Visualmente? Fantástico! A direção artística do jogo brilha em todos os segundos, dos cenários imensamente ricos em detalhe, num jogo sempre fluído mesmo nos momentos de maior confusão, ou quando andava simplesmente pela região a olhar para o horizonte. Esta é sem dúvida a maior transformação do jogo, mesmo quando os layout é idêntico, sejam zonas exteriores como as mais variadas masmorras, tudo mudou ao ponto que me foi difícil lembrar-me de como eram originalmente estes locais, em vários momentos! Dou como exemplo Hyrule Field, a grande área que serve de hub que liga todas as áreas do jogo que era praticamente uma planície, agora está cheio de cantos e recantos cheios de vida, da flora à fauna, tornando-se ainda mais convidativa a sua exploração. Há uma certa riqueza na atenção ao detalhe: Navi, por exemplo, que surguiu originalmente como uma espécie de "ícone" que indicava o que estávamos a dar lock com a câmara, e escondendo-se com frequência. Agora, ela é uma personagem sempre presente, que nunca se esconde e serve ainda como uma fonte de luz que, inconscientemente, até torna mais visível certas partes do cenário. E não, não está sempre a gritar "Hey, listen!", ao ponto que só ao fim de algumas horas é que me lembrei dela, e que dava dicas e informações quando damos lock.

Não só os cenários, como as personagens ganham nova vida, mantendo os traços bem característicos de cada um deles, e sim: o grande nariz proeminente de Link adulto está também de regresso. Estão todos muito mais expressivos, têm uma nova vida que não senti nos dois grandes títulos da série na Nintendo Switch, mesmo nos momentos onde não há falas. Todas as personagem estão detalhada, mesmo as mais irrelevantes, mas principalmente Link está todo ele cheio de pequenos pormenores que vão da sua roupa, talhada como se fosse mesmo uma criança da floresta, aos acessórios que vamos ganhando aventura fora. Faça chuva, sol, seja de dia ou noite, tudo está pormenorizado e fiquei sempre imerso no jogo, sem quebras de fluidez, fosse quando jogava na TV, ou em modo portátil. Aliás, estava curioso como se ia portar o jogo fora da TV, estando agora bastante feliz com o resultado, e dei por mim a jogar alternadamente entre modos, embora nada bate o conforto de o jogar no sofá, em frente a um ecrã maior, a apreciar a riqueza dos pormenores sempre presentes no jogo.



Mesmo a banda sonora, agora totalmente orquestrada, aumenta em muito a imersão no jogo, com uma recriação fiel à composição original. Recomendo mesmo muito o uso de headphones, pois cada música está também trabalhada ao detalhe, rica em pormenores. Sempre que toca o tema principal de Hyrule Field é um convite à aventura, sempre que entrava numa masmorra a música criava o ambiente perfeito. Até porque é um jogo que vive disto, não fosse a Ocarina o item mais precioso do jogo, um instrumento musical que só tenho pena da Ocarina real (já anunciada) não estar disponível, a acompanhar este lançamento! É que uma das novidades é poder cantar, trautear, tocar uma melodia ou simplesmente largar os típicos "hum hums" enquanto puxamos da Ocarina no jogo, seja para o transporte rápido, para mudar de dia para a noite, invocar tempestades, ou simplesmente chamar a ajuda de um (bizarro) espantalho. Um gimmick peculiar, mas acima de tudo que funciona na perfeição, mesmo quando cantava baixo, a consola captava o som na perfeição, ao ponto que deixei por completo de tocar as músicas no modo tradicional com o comando, para simplesmente entoar a melodia com a voz.



Voltando à direção artística, ou aos visuais em si, pode ser esta a nova direção da série, após apostarem no celshading a que estava habituado? Talvez. O aspeto mais realista era algo que Ocarina of Time já o tentava fazer originalmente, nos limites técnicos da Nintendo 64, mas até que ponto a série volta a encontrar aqui um novo standard é algo que não consigo prever. Os visuais valorizam muito o jogo, mais sombrio quando o tem de ser, e mais colorido ou vivo quando é preciso, resultando numa experiência que nos envolve, por assim dizer.

Hyrule Castle Town é uma pequena cidade, por exemplo, mas está tão repleta de vida, e pormenores que fico a pensar o quão incrível seria um novo jogo da série, com tanto detalhe como este aqui presente. Até porque o ambiente criado por cada masmorra, por cada cenário que passei, do fundo da água aos perigos da Death Mountain, do labirinto das Lost Woods e do Forest Temple, ao incessante fogo do Fire Temple, todos os cenários realçam bem os seus elementos, tornando cada acontecimento do jogo memorável!



A vida que senti não era apenas graças aos visuais, o ciclo de noite e dia é uma constante, e a cada hora que passa as várias personagens vão seguindo com as suas vidas, onde podemos acompanhar os seus movimentos. Sei bem que é algo irrelevante ao nível das principais mecânicas, mas traz vida ao jogo, principalmente agora que não tinha de correr antes que a ponte levadiça da cidade fosse recolhida. Mas, ficou-me uma coisa bem presente no meu pensamento: se há tanta vida aqui, fico curioso com um potencial remake de The Legend of Zelda: Majora's Mask, onde o quotidiano é a mecânica principal, e onde os visuais sombrios que este remake trouxe, conseguem ser ainda mais relevantes. Enfim, fico só a pensar naquilo que "poderá ser", mas que vi algo de Majora's Mask neste remake, vi!

Enquanto jogava, e como já havia referido, por vezes as memórias que tenho da versão original (ou do remaster na Nintendo 3DS) pregavam-me autênticas partidas. Este é um remake fiel, mas a localização de muitos dos Heart Pieces e Gold Skulltulas diferem, e teimoso como sou por várias vezes não descansei até conseguir tanto um item como o outro, sabendo que não queria voltar àqueles locais depois. Através do mapa, o jogo ajuda-nos a saber se já encontramos tanto os Heart Pieces como os Gold Skulltulas em cada local, e temos ainda um item (opcional) que funciona como sensor para encontrar estas aranhas douradas, o que nos ajuda imenso na exploração.



Item este que se enquadra perfeitamente no jogo: Ocarina of Time, à semelhança de qualquer outro jogo The Legend of Zelda, convida à exploração, a perdemo-nos pelos mapas a vasculhar tudo o que é canto, à medida que avançamos história fora e sempre curiosos com "o que vai acontecer a seguir?", embora neste específico já conheço bem. Todos os momentos nos puxam à aventura, por várias vezes vemos algo que ainda não conseguimos ter, apenas para regressar mais tarde com o item certo para abrir caminho.

Além da história principal, há um conjunto de missões secundárias que convido muito a fazer, seja pelas recompensas, seja pela missão em si, com um sistema de progressão à medida que avançamos no jogo, vou dizer interessante, sem querer revelar muito. Aqui não há grandes diferenças face ao jogo original, quem já conhece bem as quests rapidamente vai concluir qualquer uma delas, sendo que há uma grande novidade relativamente à progressão. 



O Hall of Fallen Foes, que desbloqueamos mais a meio do jogo, convida-nos a enfrentar inimigos e bosses passados, com vida e itens limitados, que se resume mais a uma questão de skill do que propriamente a tudo o que já desbloqueamos. Aqui a progressão resume-se a ter novos inimigos que surgem neste autêntico museu à medida que os derrotamos enquanto avançamos na história, o que foi curioso quando encontrei um par de inimigos que não havia derrotado, mesmo após ter acabado o jogo. Infelizmente não há grandes recompensas, mas curiosamente, foi onde encontrei algo desafiante a enfrentar! Isto entre tentar derrotar os inimigos o mais rapidamente possível, e talvez aqui fosse interessante ter uma espécie de leaderboard para comparar tempos entre amigos ou desconhecidos.

Há semelhança do resto da série, Ocarina of Time mesmo agora no remake não apresenta grande desafio, sendo inclusivamente demasiado fácil em vários momentos. O que é curioso, pois há inclusive habilidades que nos aumentam a defesa, sem sentir propriamente necessidade de tal. Aqui surge a minha principal crítica ao jogo, não ter algo como um modo Master Quest mais desafiante, com inimigos mais difíceis e menos quantidade de recursos. Embora saiba perfeitamente que a série nunca foi propriamente conhecida pela sua dificuldade. Aos que têm amiibo, por dia podemos ainda usar as figuras de The Legend of Zelda para recuperar vida, magia, bombas, flechas… tudo o que torna irrelevante a ida às lojas para recuperar stock. Também teria sido simpático ter alguma referência ou piscar de olhos a outros jogos da série, mesmo de modo puramente cosmético, mas como um extra "engraçado".



Há outras coisas a apontar, como esta seria a oportunidade perfeita de expandir o jogo, colocar novos segredos para nos surpreender durante a aventura, mas depois pensei até que ponto muitos aceitariam tocar naquilo que muitos acarinham como o seu videojogo favorito. Até porque há novos itens, poucos, mas que introduzem mecânicas novas mais na ótica de nos ajudar, que podemos ou não usar. Este é um jogo bastante composto, recheado de coisas, e estou muito curioso por ver toda uma nova geração de jogadores que nunca exploraram a versão original, a empancarem do mesmo modo que me aconteceu a mim, quando o joguei pela primeira vez. E, não, não coloco o Water Temple nesta equação até porque defendo que o hate por essa dungeon é talvez exagerado, embora saiba bem o quão chato ele consegue ser num determinado momento (que se mantém).

Se esta é a primeira vez que vais explorar The Legend of Zelda: Ocarina of Time, e conseguiste fugir a tudo o que é spoiler ao longo destes anos todos, além de dar os meus parabéns pelo feito bem difícil de conseguir, digo só: aproveita bem a demanda, ignora tudo e todos, segue a aventura ao teu ritmo, sem qualquer apoio externo. Este é um jogo que por várias vezes não nos aponta o óbvio, embora dê dicas bem claras para onde ir, e de quando nos falta algo para prosseguir, indicar-nos de leve o caminho. Muitas vezes nem tudo é óbvio, e a descoberta da solução faz muito parte da magia que a série consegue trazer, algo que não tem estado tão presente nos últimos jogos da série, e nada como ouvir a musiquinha de quando resolvemos um enigma, para saber que fizemos um bom trabalho.



Esta foi uma aventura que varri rapidamente de uma ponta à outra, dei por mim a fazer masmorra atrás de masmorra, indo diretamente de um sítio para o outro, desviando-me quando necessário e mesmo preparando a aventura, indo buscar determinadas coisas mesmo antes de precisar delas. A sensação que deu é que o jogo passou a voar, mas na realidade quando ia vendo o número de horas, e atingia as 20 horas bem passadas já na reta final da aventura, reparei estar com o tempo expectável. Eu é que facilmente fui absorvido pelo jogo, novamente! Mas, é normal ficar a querer mais após o acabar, mesmo que haja a vontade pessoal de completar o jogo a 100%, mesmo que não haja propriamente uma recompensa pelo feito, dá vontade de o fazer. E, sim, muitos dos louros aplicados agora advém do jogo original, mas foi excelente ver o quão bem preservado o jogo está neste remake, trazendo uma aventura memorável aos dias de hoje, perfeita para ser descoberta entre toda uma geração (ou gerações) de jogadores que o vão jogar pela primeira vez.

É curioso ver que, passadas já algumas décadas desde o lançamento de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, ver que a influência deixada pelo jogo ainda é bem visível. Foi uma das primeiras grandes aventuras a explorar um jogo totalmente em 3D, numa era em que os jogos do género iam surgindo, entre muitos que apesar dos visuais tridimensionais, a jogabilidade ainda não era tão livre. Coisas como o Z-Targeting, uma das principais mecânicas deste jogo, que ainda hoje é fundamental em tudo o que são jogos de ação, especialmente nos soulslike que tão populares são hoje em dia. Tenho grandes dúvidas que este remake seja influência agora, mas no ponto de vista de perceber o impacto que o jogo original teve no final dos anos 90, recomendo muito que o experienciem agora na Nintendo Switch 2! Fico apenas curioso em saber se, agora que temos novamente um grande jogo da série desta escala e "à antiga", se o próximo capítulo da série volta às origens, ou não, ou se teremos também um remake de The Legend of Zelda: Majora's Mask, aproveitando muito que foi feito neste lançamento, que aceito bem!

Termino The Legend of Zelda: Ocarina of Time feliz, um jogo que há um ano nem sequer imaginava que estaria a jogar (recordo que o jogo foi anunciado há cinco meses), que vem num momento perfeito não só para celebrar o 40.º aniversário da série. Talvez seja excelente para explorar agora na época mais festiva do ano, e tal como foi há quase 30 anos a prenda de Natal de muitos jogadores na altura, quem sabe se não será também uma memória preciosa daqueles que o vão receber este ano. Um jogo memorável, marcante, e que numa era em que tudo procura ser mais um jogo open world extenso com milhentas coisas distintas para fazer, sabe muito bem poder descontrair, seguir uma aventura contida em si sem grandes desvios.

E, agora? Talvez jogue novamente o jogo do início, ou pegue na versão da Nintendo 3DS para conseguir mais comparações diretas, enquanto tenho o remake bem fresco na memória. Se bem que, honestamente a vontade que tenho é "limpar o pó" à Nintendo Wii U, pegar no The Legend of Zelda: The Wind Waker HD e continuar a história que começa neste remake, ou simplesmente jogar a versão original na Nintendo Switch 2.



Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.



"Ao Telmo, que não podia mesmo deixar de ser, ainda por cima sendo uma série que tanto adoras. Às memórias da corrida atrás da caixa com a arte dourada do Ocarina of Time 3D, às tardes em que discutíamos o jogo original, e da vontade que dava jogar The Wind Waker após o terminar. Sei perfeitamente que irias devorar esta aventura em tempo recorde, sempre com um sorriso gravado na cara e um entusiasmo notório em falar do jogo. Em certo modo, ter-me aventurado por Hyrule mais uma vez, foi como um regresso ao Café Progresso, para mais uma sessão de jogo."

- Nuno

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