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13 de julho de 2016

Disney Art Academy


O futuro é agora. O futuro até tenta ser ambientalista. A alternativa a gastarmos resmas de papéis passa por usarmos as superfícies tácteis dos nossos tablets, smartphones ou, neste caso, consolas portáteis. Eis Disney Art Academy, um spinoff da série Art Academy. Os fãs têm razões para celebrar: um jogo para desenhar e colorir que mistura um dos universos mais coloridos e mágicos? Epá! Infelizmente, não há muitas razões para celebrar. Este Disney Art Academy é talvez um dos jogos artísticos mais monótonos e sensaborões de sempre.

Lamento, mas é mesmo uma pena. Tantos mundos, tantas personagens, tanto por onde pegar e começa torto logo quando nos apresentam os professores e o cenário. As minhas expectativas esperavam algo mais (épico?) com o mestre Yen Sid, um ambiente mais Fantasia, mas… estamos numa ilha tropical e os professores são personagens saídos de uma série dúbia do canal da Disney. Nem o Art Attack! Podiam ter usado esse maravilhoso programa de arte que tanto encantou e ensinou as crianças de todo o mundo. Não. E após esta desilusão pessoal o resto do jogo não melhora muito. Conhecemos as outras personagens, duas crianças que desenham connosco que por mais nódoa que o jogador seja, eles são piores. O jogo tem o cuidado de não nos fazer chorar, mas conheço-me e sei que sou mesmo mau. Ui. Numa lição cujo objectivo era não sair das margens, não havia quem me contrariasse. Também, se errarem à força toda, não serão penalizados. Aliás, podem dizer que cumpriram todas as lições e avançar no jogo até ao fim, desbloqueando mais desenhos. Se há coisa que não gosto é que me tomem por parvo. Esforça-te mais, jogo.


Disney Art Academy não é uma peça de fruta completamente podre, há lados comestíveis. O aspecto visual que apesar de poder ser (bem) melhor, é colorido e serve para nos envolver no meio, com as cores quentes da ilha. As ilustrações e os temas chegam-nos de várias décadas e estilos. O que é bom pois esta variedade permite treinar vários estilos e técnicas de desenho. Ora estamos a pegar em desenhos de filmes clássicos, desenhamos à mão, como avançamos para filmes mais recentes, já na era digital. Admito que não sou fã desta nova vaga de animação, mas entendo que seja essencial para aprendemos várias técnicas e abrirmos os nossos horizontes artísticos. Houve algo que me agradou nos efeitos sonoros. Tive imenso prazer em desenhar e explorar os materiais artísticos pois cada um replicava o som que me lembrava das aulas de desenho. Riscar com canetas de feltro soava tal e qual como me lembrava e catapultava-me para episódios felizes onde coloria sem preocupações. Os restantes materiais também estão bastante fiéis e é fácil confundir este jogo com a realidade, tirando o facto de estarmos a rabiscar num ecrã táctil.

E o ecrã sofre! É melhor arranjarem umas protecções para o ecrã pois vão sublinhar, decalcar, riscar, pintar, enfim. Vão fazer de tudo um pouco e o toque não vai ser leve. A variedade chega-nos através das várias lições que começam com básicas e vão aumentando de dificuldade. As aulas dedicam-se a técnicas diferentes ou reforçam a técnica aprendida em diferentes ilustrações, com um agradável pano histórico a explicar a técnica e a personagem. É um toque engraçado. No entanto, tal como na vida real, parece que o professor não planeou bem as aulas. Em vez de aprendermos o básico do desenho, passamos logo à pintura que dá uma sensação de começarmos a meio. Pronto, o professor é que sabe, mas quando comecei a desenhar é que tive noção de estar a aprender alguma coisa. No fim, quer tenham seguido as dicas dos professores ou tenham ignorado tudo, podem guardar os desenhos na vossa consola. Se quiserem, podem publicá-lo no Miiverse ou expô-lo numa galeria de arte virtual. Decididamente não iria querer ver as minhas criações.

E as minhas criações são horríveis. Muito boas quando segui instruções, mapas e tracejados, péssimas quando tentei o modo livre. E é neste modo que podem dar largas à imaginação ou seguir desenhos já existentes no jogo. Todos os materiais estão disponíveis, mas não terão professores a ajudar. Estão por vossa conta e risco: uma folha em branco (digital), umas canetas de feltro e é um serão bem passado.


Disney Art Academy é um não-jogo que serve o propósito de nos distrair e relaxar após a vida real. É uma memória e lembrança agridoce. Se temos tempo para pintar na consola, o que nos impede de tentarmos o mesmo na vida real? Um manual de ilustração ou mesmo seguindo as aulas destes professores conseguem ajudar a criar… alguma coisa. Não é preciso sermos Picasso para vencer neste jogo. Não há vencedores nem perdedores, apenas aqueles miúdos na ilha que desenham muito mal.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.