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31 de outubro de 2012

Kingdom Hearts 3D [Dream Drop Distance]


Foi há 10 anos que surgiu o projeto que uniu a Square-Enix e a Disney, com o propósito de unir o universo de Final Fantasy com os mundos da Disney, criando assim a série Kingdom Hearts que rapidamente ganhou uma fanbase bastante forte, até mesmo em Portugal. Enquanto os fãs continuam a aguardar pelo 3º capítulo da série, foram lançados diversos spin-offs, mas ao contrário dos títulos da série na Nintendo DS, [Dream Drop Distance] é um jogo que merece o máximo de atenção pelos fãs, e um bom ponto de entrada para os que não conhecem a série. A Nintendo 3DS foi escolhida como principal plataforma para celebrar estes 10 anos, e é uma festa cheia de nostalgia e inovação.

Neste jogo Sora e Riku iniciam o mais importante teste que enfrentaram até hoje, o Mark of Mastery, que no seu caso consiste em entrar no universo dos sonhos, e explorar mundos da Disney e Square-Enix que estão presos num sonho. A fantasia continua a ser um ponto forte e consegue ligar a história às personagens, mas este jogo foge à fórmula muito devido à sua jogabilidade.

Nele somos obrigados a utilizar ambas as personagens, não só porque a história incentiva, mas porque sem concluir os mundos com ambos os personagens, não conseguimos prosseguir no jogo. O contador de Drop está quase sempre presente, e funciona como um cronómetro, que terminando o tempo mudamos imediatamente de personagem. Torna-se apenas inconveniente quando estamos numa batalha importante e somos obrigados a recomeçar depois. Também por vezes a narrativa está construída de modo a terminar primeiro com uma personagem, mas como a escolha é livre, isso torna-se confuso para aquele ponto da história.

Trocar de personagem é uma boa experiência porque, mesmo partilhando o mesmo mundo, as histórias são paralelas e explora pontos diferentes dos diversos mundos. Os próprios cenários têm zonas exclusivas para cada um dos personagens e não se tornam enfadonhos, resolvendo o problema de repetição presente no título Kingdom Hearts: Birth By Sleep.

Mas a maior revolução está na jogabilidade, que por si só é um forte motivo para ficar agarrado ao jogo. O sistema de Flowmotion permite-nos utilizar os cenários e os próprios inimigos para nossa vantagem, e combinar a velocidade com estratégia, para que possamos derrotar os inimigos rapidamente pois o tempo está "contra nós". Temos ainda o sistema de Reality Shift que surge como um mini-jogo no ecrã táctil, que muda consoante o mundo onde estamos, e serve como um ataque devastador ou para prosseguir no cenário.

Toda esta ação é acompanhada por visuais bastante bons, mas que poderiam estar mais polidos. O efeito 3D resulta muito bem em todo o jogo (e não sofre de problemas de ghosting como vistos noutros jogos), mas em 2D pouco altera, não usando quaisquer filtros de anti-aliasing que seriam bem vindos.

Neste jogo somos também acompanhados por Dream Eaters, criaturas que nos assistem e lutam connosco, permitindo até ataques conjuntos, que embora diversas vezes semelhantes entre monstros, é diferente quando usamos Sora ou Riku. São extremamente importantes para o jogo pois é com o seu uso que desbloqueamos ataques, magias e habilidades. Com o decorrer do jogo vamos tendo receitas que servem para criar novos Dream Eaters, ou podemos até usar cartões de realidade aumentada para adquirir alguns monstros especiais!

Existe também uma forte componente de Pokémon, onde podemos usar os nossos personagens num sistema de batalhas que utiliza cartas que nos lembra Kingdom Hearts: Chain of Memories, e mini jogos com realidade aumentada que nos remete a NintenDogs. Tudo isto ajuda-nos a treinar e a desbloquear ataques novos, tal como criaturas mais fortes, desenvolvendo as nossas criaturas, onde para além do nome podemos mudar-lhes a cor.

A nostalgia é palavra chave deste jogo, e durante o jogo vamos recebendo algumas notas relativas a jogos passados. Isto permite-nos relembrar pontos chaves dos jogos da série, ou apresentar o mais importante da história a todos aqueles que nunca jogaram Kingdom Hearts. Temos ainda diversas notas sobre as personagens que nos vão aparecendo, ideal para que todos percebam quem é quem e a sua importância na série.

Mas a nostalgia não fica pela série. Enquanto que nos jogos anteriores as personagens de Final Fantasy surgem como personagens importantes na história, aqui surgem Neku, Shiki e companhia, de The World Ends With You, e a sua história é representada em Traverse Town, o primeiro mundo importante que visitamos, que se encontra bastante diferente das vezes anteriores que apareceu na série. Ficamos a querer mais, e a pensar que mais poderia ter sido feito, mas talvez desse modo não seriam os 10 anos a ser festejados.


Por último aponto a banda sonora deste jogo, que embora estejamos bastante habituados ao muito bom trabalho de Yoko Shimomura na série, ou até observar a sua qualidade em séries como Mario & Luigi, e em jogos mais recentes como Radiant Historia e Xenoblade Chronicles, aqui a banda sonora é excelente, com diversos momentos que nos arrepiam e nos fazem querer ouvir mais. A quase totalidade das músicas foi bem trabalhadas, e não se prendeu em demasia aos mundos Disney, sabendo recriar o clima desses universos mas torna-los ainda mais interessantes.

Aponto em especial, como muitos que já jogaram puderam observar, ao mundo de Fantasia. Mal entramos neste universo Disney e somos transportados para os sonhos de Mickey, notamos que o jogo se torna um jogo mudo, ouvindo apenas a banda sonora do filme animado, e até mesmo os ataques são trocados por sons instrumentais. É de um detalhe incrível que nos faz querer visitar vezes sem conta esse mundo. O voice acting continua a ter bastante qualidade, agora com alguma maturidade, mesmo surgindo uma ou outra personagem que esteja mais estranha.



Kingdom Hearts fica assim preparado para o 3º capítulo, que embora seja certo que não tenha o seu lançamento na 3DS, os seus fãs poderão ver na consola um bom formato para jogar RPG, e Dream Drop Distance comprova que podemos ter um bom jogo de ação, fluído, e que nos deixa bastante satisfeitos com o resultado final.