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30 de setembro de 2016

VR Portal - Testámos o PlayStation VR


"O que se esconde por trás desta porta?" É o que pensamos enquanto nos aproximamos do VR Portal para tocar à campainha. A convite da PlayStation Portugal, fomos visitar este showroom especial que, até dezembro, conta receber cerca de 9000 portugueses ansiosos por experimentar o PS VR. Este equipamento de Realidade Virtual que chega à PS4 já no próximo dia 13 de outubro, e o VR Portal serve para dar aos jogadores uma boa oportunidade de experimentar antes de comprar. As visitas terão uma duração de cerca de 15 minutos e permitirão experimentar um jogo para o PS VR na PlayStation 4, além de tirar fotos para partilhar nas redes sociais, mas para isso é necessário fazer marcação prévia em trypsvr.com/pt_PT.

Ao atravessar a porta de entrada, deparámo-nos com um forte néon azul semelhante à luz emitida pelo equipamento e, do hall de entrada, temos acesso a 3 salas com ambientes distintos. Uma, com um sofá, dava acesso a jogos mais generalistas como The Playroom e o interessante Robinson: The Journey, enquanto que outra era dedicada a simuladores com RIGS e Driveclub VR. A última sala, porém, tinha um ambiente muito distinto e mais escuro, onde era possível experimentar Resident Evil 7: Biohazard. Mas antes de entrar nos jogos, há que falar primeiro do equipamento.

PS VR e acessórios extra, em exposição na Gamescom 2016
O PlayStation VR consiste essencialmente num capacete com visor incorporado, equipado com vários ajustes de tamanho e distância, para um máximo conforto e qualidade de imagem. Quando colocado na cabeça, é realmente muito confortável e tapa por completo a luz vinda do exterior. Os headphones não vêm integrados mas, pelo que percebi, podemos ligar quaisquer headphones ao mesmo cabo que liga o capacete à PS4. O cabo, esse sim, é o grande problema do PS VR. Embora se compreenda a razão de utilizar um fio, a restrição que isto coloca nos jogos onde o jogador se movimenta mais pode ser problemática - o melhor é ficar sentado.

Ao colocar e focar o capacete, notamos imediatamente a baixa resolução do equipamento. Ou seja, a imagem parece pixelizada e os gráficos parecem pouco impressionantes se tivermos como referência o que costumamos ver na PS4. É uma comparação injusta, sim, mas importante para gerir as expetativas dos jogadores. Em geral, considerando os jogos experimentados, os visuais são bastante bons e mais do que suficientemente realistas para termos uma experiência imersiva. As demos disponíveis são bastante diversificadas e apresentam várias possibilidades de interação em VR, mas ficou a faltar um jogo que vendesse o sistema de forma mais imediata.


O Driveclub VR é uma das melhores experiências do evento. Numa demo equipada com cadeira, pedais e volante, o capacete de Realidade Virtual faz mesmo toda a diferença. Os gráficos do jogo não são espantosos, mas transmitem uma sensação muito arcade quando aliados ao restante equipamento. A diferença está na imersão que temos ao percorrer a pista a alta velocidade, sentir o impacto das curvas mal calculadas e a adrenalina a subir um bocadinho. No futuro, os jogos de corridas só farão sentido em VR, quando a tecnologia permitir ver imagens no capacete com a qualidade que alguns jogos já têm no PC em monitores 4K HDR.

Robinson: The Journey, um dos que mais gostei de jogar, oferece um ambiente selvagem para explorar, com cenários bastante detalhados. A demo é totalmente linear em levar-nos do ponto A ao ponto B, sendo o único desafio descobrir como interagir com o ambiente para poder avançar. Infelizmente, o jogo baseia-se no DualShock 4 em vez dos comandos move, o que quebra toda a imersão quando o jogo pede para premir um ou outro botão: os nossos olhos dizem que estamos na selva, mas somos obrigados a lembrar-nos que há um comando no mundo real que não aparece na imagem.

RIGS Mechanized Combat League é outro jogo baseado no comando DualShock 4, mas muito leve na utilização dos seus botões. O analógico permite movimentar o personagem e cada gatilho dispara a arma correspondente. De resto, é um arena shooter onde combatemos dentro de mechs em batalhas de 3 contra 3, sendo também o mais próximo que podemos ter hoje em dia de controlar um Evangelion. A mira baseia-se no movimento da cabeça, algo estranho ao início, mas que se aprende rapidamente. Outro pormenor interessante é que este é o único jogo onde, ao olhar para baixo, podemos ver um corpo - por incrível que pareça, em todos os outros somos só uma câmara flutuante! O jogo, no entanto, não é fácil: consegui empatar a partida e, segundo o assistente da PlayStation que estava presente, fiz o melhor resultado dos jogadores até ao momento.


O jogo London Heist já tinha uma demo disponível na Lisboa Games Week 2015, mas não tive oportunidade de a jogar na altura. No VR Portal, é possível jogá-lo totalmente em Português para ouvir em 5 minutos mais palavrões do que num filme português inteiro. Mas nem só de asneirada vive o jogo, há também a melhor jogabilidade graças aos comandos Move. Neste jogo, estamos no interior de uma carrinha a disparar contra outras carrinhas e motas que nos perseguem na autoestrada. Como os movimentos são traduzidos fielmente pelos comandos, parece mesmo que estamos a segurar a arma e apontar dentro do jogo! Infelizmente, não se percebe pela demo como é que este conceito pode expandir para um jogo completo sem ser apenas "on rails".

Outro jogo "on rails", desta vez de forma mais literal, é Until Dawn: Rush of Blood. Aqui, o jogo "Until Dawn" serve de temática para uma montanha russa de terror onde por todo o lado vão surgindo inimigos e outros alvos em que devemos acertar com os comandos move. A experiência está cheia de cenas gore e "jump scares" e dá alguma adrenalina, indicando que este tipo de jogos onde nos limitamos a olhar e disparar pode ser um caminho a explorar nos equipamentos de Realidade Virtual.

Já com uma jogabilidade mais tradicional assente no DualShock 4 era a demo de Resident Evil 7: Biohazard. Aqui assistimos à adaptação para VR de um jogo "normal" para a PS4, mudando então a apresentação para algo muito mais imersivo - poderá ser impróprio para cardíacos!

Os conteúdos da caixa do PS VR, que estará disponível por cerca de 400€
Existe um grande apetite hoje em dia para experimentar os equipamentos de Realidade Virtual, mas a grande incógnita é se vale mesmo a pena comprar. À saída do VR Portal, não houve um jogo que me tivesse deixado com vontade de sair a correr para uma loja e comprar (reservar) o equipamento. Houve, sim, um conjunto de pequenas experiências que me mostraram o potencial desta tecnologia. Estamos ainda numa fase inicial da Realidade Virtual nos videojogos, à procura dos conceitos de jogabilidade que melhor se adequam, pelo que é normal que na fase de lançamento não tenhamos um jogo que se diga obrigatório, ou que por si justifique a aquisição.

Por outro lado, o PlayStation VR, mesmo para quem ainda não tenha PS4 e precise de adquirir também a consola, é hoje em dia a porta de entrada mais acessível para o mundo da Realidade Virtual. Veja-se, por comparação, o custo absurdo de um Samsung Gear VR onde temos de encaixar o ecrã de um telemóvel para experiências bem mais limitadas do que a PlayStation oferece. A grande questão é se o VR por si só será um forte argumento de venda perante o público e, assim, capaz de gerar interesse nas equipas de desenvolvimento para criar jogos mais elaborados e com experiências memoráveis.