Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen


Pokémon está de parabéns! Foi já um bom par de meses que iniciou as celebrações dos 30 anos da série, que começou com Pokémon Green e Pokémon Red no Japão a 27 de fevereiro em 1996, tecnicamente falando: Pocket Monsters. Uma febre, um fenómeno que ainda hoje é acompanhado e jogado por milhões, entre os jogos da série principal que marcam o lançamento das gerações, ou evoluções das mesmas, e os muitos (mas mesmo muitos) spin-offs

Podemos já estar de olhos postos em Pokémon Winds e Pokémon Waves, mas, e se pudéssemos experienciar as origens da série na Nintendo Switch agora? E, sim, sei que o lançamento já foi há algum tempo, mas entre vários jogos lançados Fire Red tem sido a minha companhia entre jogos, avançando aos poucos e lembrando-me perfeitamente do que havia feito até então, o que me deixam a olhar para eles como aquele RPG que vou jogando aos poucos.


Pokémon FireRed e LeafGreen chegaram precisamente para isso mesmo, os remakes dos jogos originais lançados na Game Boy Advance em 2004, íamos nós na terceira geração da série, e que agora chegam à Nintendo Switch. Ah... 2004, quando estava tudo a preparar-se para o Europeu de Futebol cá, e eu agarrado à portátil da Nintendo, mesmo com a futura consola de dois ecrãs à vista, consola essa importante aqui para o Meus Jogos. Foi um duo de jogos que marcou o início de uma nova tendência, os remakes de jogos passados com umas quantas novidades, que entretanto já cobriu as primeiras quatro gerações da série. Fire Red e Leaf Green aprendia muito com o que Ruby e Sapphire haviam trazido então, com melhores visuais e conteúdo inexistente nas versões originais, tal com novos Pokémon que haviam sido introduzidos posteriormente.

Na prática, são jogos que recriam na perfeição o que Red e Green (ou no nosso caso Blue) trouxeram ao mundo, tornando-se mais acessíveis e "modernos" com visuais e áudio mais detalhados, uma jogabilidade mais refinada onde podíamos finalmente correr no jogo, ajudando imenso até encontramos a bicicleta. Mesmo os Pokémon, ajustados nas suas posições no mapa de Kanto e os seus ataques mais variados para não estarmos tão limitados, ajudavam imenso o jogo e a sua exploração. Os menus mais acessíveis, as próprias boxes onde guardamos os Pokémon que estão tal como as conhecemos atualmente, e não as listas que tínhamos nos primeiros jogos da série.


Kanto é uma zona memorável, ainda hoje a favorita de muitos, pois foi o primeiro contacto com a série, o que traz toda uma quantidade de nostalgia impossível de desligar. Da icónica escolha entre Bulbasaur, Charmander e Squirtle no início, enfrentar Brock e Misty logos nos primeiros ginásios, ou simplesmente encontrar um Pikachu na Viridian Forest, se a sorte estiver do nosso lado. No meu caso foi uma dupla dose de nostalgia, com as memórias da primeira geração na Game Boy ao remake que tanto joguei na Game Boy Advance, enquanto esperava ansiosamente pelo lançamento da quarta geração com Pokémon Diamond e Pearl, na Nintendo DS.

E aqui há um bom misto de nostalgia e novidade! Pela primeira vez, e sem trafulhices, podemos explorar os conteúdos previamente inacessíveis no jogo, como o encontro com Deoxys, Lugia e Ho-Oh. Há também uma correção ao jogo na Nintendo Switch, com o trio Raikou, Entei ou Suicune permanecerem no jogo, mesmo se usarem um determinado ataque, que nos frustrou tanto na altura. Tudo isto acompanha as Sevii Islands, um conjunto de sete ilhas com muito a explorar, novos combates, itens e vários Pokémon que não encontramos no jogo principal, na nossa demanda pelas 8 crachás de ginásio, e a Elite 4.


Foi um grande mundo novo na altura, e ainda o é, expandindo aquilo que já conhecia do jogo originalmente com muitas coisas novas, deixando-me curioso por descobrir tudo o que tinha a ver. Apesar disso, foi um remake que contou com algumas escolhas... peculiares, resultados da terceira geração de Pokémon que me deixou bem de pé atrás na altura. Pokémon Gold e Silver haviam introduzido a mecânica de dia e noite, que não regressou em Fire Red e Leaf Green. É também estranho não ter determinadas evoluções de Pokémon até obter o National Dex, evoluções estas que podiam muito bem estar logo presentes no jogo, como Umbreon, Espeon e até mesmo Crobat.

É também curioso que a qualidade visual dos jogos Pokémon seja um tema recorrente agora, mas já na Game Boy Advance os jogos estavam muito atrás de jogos de lançamento como Golden Sun, ou The Legend of Zelda: Minish Cap, lançado no mesmo ano que estes Pokémon. Não que fosse terrível, os jogos em 2D sempre disfarçavam melhor estas discrepâncias, e mesmo sem fundos, efeitos visuais notórios ou até mesmo a animação nos Pokémon, eram jogos que cumpriam bem o seu objetivo. Tudo coisas que agora encontramos no maior e mais luminoso ecrã da Nintendo Switch, ou das TVs, quando comparando com o pequeno ecrã da Game Boy Advance em 2004.


Para todos os efeitos, a emulação dos jogos encontra-se em condições na Nintendo Switch, com os extras que já apontei, e ligação para o Pokémon Home diretamente da consola, sem ter de andar aos saltos de geração em geração até chegar à compatibilidade com a caixa onde conseguimos meter tudo o que é Pokémon que apanhamos hoje em dia. Se há coisa que peca, e muito, é a falta de poder jogar online, quer para combates ou para trocas, algo que podia muito bem ser trabalhado neste lançamento, mas foram pelo caminho mais fácil em simplesmente manter estas ligações apenas locais, e nada mais. Isso e, talvez, podia ter sido interessante explorarem a resolução completa do jogo, enchendo o ecrã na totalidade... mas isso seria um remaster de um remake, e talvez para o efeito, está muito bem assim.

O que me deixa curioso: é uma questão de tempo até que Pokémon Ruby, Sapphire e Emerald fiquem também disponíveis na Nintendo Switch, também eles jogos adquiridos em separado e não parte do catálogo de títulos presentes no Nintendo Switch Online, até porque é vital manter a conetividade com o Pokémon Home. Mas, a falta da ligação online deixa-nos muito limitados para umas quantas evoluções disponíveis apenas por troca, mesmo o simples completar do Pokédex com os exclusivos entre versões, fica difícil sem esta ligação à internet, que em muito facilitava esse desafio bem mais tranquilos, quando eram "apenas" pouco menos que 400 Pokémon diferentes a apanhar. Coisas que até podem alterar até essa chegada, mas que honestamente tenho as minhas dúvidas.


Ainda assim, mesmo com estas limitações, vale mesmo muito a pena explorar estes remakes pela nostalgia, pelo desafio acrescido que eram os jogos então, bem mais limitados na escolha de Pokémon disponíveis, onde o único dragão disponível era Dratini (e as suas evoluções), pelo menos até derrotar a Elite 4. E é curioso explorar agora um duo de jogos que existiram antes de tantas alterações da série, do modo como funcionavam os atributos, da partilha de experiência entre todos os Pokémon da equipa, um jogo que na altura havia introduzido uma mecânica determinante: as Natures, que moldavam os stats dos Pokémon. São jogos rápidos, não nos roubam muito mais que umas duas ou três dezenas de horas, embora se procurarmos completar tudo, facilmente duplicam ou triplicam.


Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen são duas pérolas na Nintendo Switch, jogos com pouco mais de 20 anos que nos levam umas boas gerações atrás numa série que celebra 30 anos de existência. Não escapam de algumas questões como a falta do online, mas apesar disso, são boas experiências a abraçar, que poderão ser ainda mais aprofundadas num eventual lançamento dos restantes jogos da terceira geração, e quem sabe: não serão a desculpa perfeita para pegar na Nintendo Switch, combinar um café com amigos e trocar Pokémon presencialmente, como nos bons velhos tempos?

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo

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