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1 de agosto de 2017

Collar X Malice

Collar X Malice chegou à PS Vita para conquistar os fãs de novelas gráficas, embora não faça nada para apelar a quem não aprecie o género. Neste jogo, pouco uso vão dar aos botões da vossa consola, pois é praticamente nula a jogabilidade. Só irão usá-los no caso de desejarem passar à frente os diálogos (o que numa novela gráfica não faz o mínimo de sentido) e para tomar as decisões quando estas vos forem apresentadas no ecrã. Vão ler, vão ler mesmo muito, continuar a ler, a ler ainda mais, principalmente o primeiro capítulo do jogo que parece não ter fim à vista - isto falando no capítulo 0, que é apenas uma “mera” introdução duma boa parte das personagens e das primeiras ocorrências do jogo.

Com isso em mente, passemos então ao mais importante, conhecer o jogo em si. Tal como já referi, se vocês forem realmente verdadeiros fãs do género, o jogo é para vocês e por várias razões.


A narrativa do jogo é bastante interessante. Tudo se inicia com uma onda de crimes cometidos em diferentes meses do ano. Uma organização de nome Adonis decide fazer uma “limpeza” ao país onde a narrativa decorre, que é precisamente no Japão. Este grupo decide então fazer justiça com as suas mãos e publica vídeos das vítimas, afirmando que Adonis quer reconstruir por assim dizer o Japão, eliminando a corrupção existente. Esta organização deixa sempre uma moeda com a figura dum gato e uma numeração romana que indica a contagem decrescente até à total limpeza do sistema japonês. Uma espécie de V for Vendetta se preferirem, já que a polícia não toma ações eficazes contra o crime e não pune os criminosos que andam à solta por se recusar a tal. Mas nem toda a polícia é assim, e por isso mesmo temos Hoshino Ichika, a nossa protagonista.

A nossa protagonista é bela mas não é nenhuma super detetive, muito pelo contrário, apenas uma polícia comum que atende às chamadas de socorro fazendo o trabalho básico na esquadra policial. Uma noite, recebe uma chamada de emergência. Hoshino corre de imediato ao local para tomar conta da ocorrência e é apanhada desprevenida por alguém misterioso que a droga no momento. Assim que acorda a nossa protagonista apercebe-se que se encontra numa igreja isolada e que é uma vítima de Adonis. Além de ter sido raptada, Hoshino está paralisada e com um colar preso ao pescoço. A organização revela através do colar que Hishino é a vítima do mês de dezembro e que pouco ou nada poderá revelar à polícia, caso o faça, este colar contém um veneno fatal que será imediatamente injetado via remoto. No entanto um grupo de detetives, igualmente misteriosos, encontram Ichika e salvam a nossa protagonista, mas o colar permanece sem forma de o libertarem. O futuro dela ficará, então, nas vossas mãos até finalizarem o jogo.


Em Collar X Malice vão ter de tomar decisões que ditarão um final do jogo, pode ser bom ou pode ser mau, vai depender de todas as escolhas durante o jogo. O interessante, é poderem contar com 32 finais diferentes, se alguma vez terão paciência para tal? Não posso acreditar. O início do jogo pode muito bem ser maçador e vão realmente ter de jogar umas horas para que tudo comece a ter algum interesse, coisa que pode ser mesmo frustrante para alguém que jogue uma novela gráfica pela primeira vez, porque simplesmente não vão fazer uso de qualquer botão da consola, basicamente estarão apenas a ler um livro antes de poder tomar qualquer decisão.

A parte mais interessante, sem dúvida alguma é a estória, as personagens e a arte do jogo nipónica parecem retiradas dum manga/anime. A música fica aquém das expetativas, embora cumpra o importante que é manter um ritmo no jogo. O bom é ter o áudio em japonês, visto que se passa no Japão e as personagens contam com aquele humor típico japonês que assistimos nos animes. E um ponto muito positivo é o voice acting, é como se estivéssemos a assistir a um filme, no entanto não é o suficiente para nos agarrar a “jogar” horas a fio. Por vezes existem momentos mais interessantes, mas a grande parte do jogo consegue ser aborrecido.

Collar X Malice não é um jogo para qualquer pessoa desfrutar, pode ser muito aborrecido para o jogador comum, por isso será difícil agradar a muita gente. Até num point and click nós temos de usar os botões e puxar pela cabeça, coisa que em Collar X Malice isso não acontece, apenas visualizamos o desenrolar duma estória, que conta com diálogos e pensamentos por parte da protagonista e os seus intervenientes. Se acho interessante, sim, se é um jogo que me agradou muito, nem por isso. Fãs de novelas gráficas devem pelo menos dar uma hipótese, caso contrário este é certamente um jogo a evitar.


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PS Vita, gentilmente cedido pela Aksys Games.