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27 de setembro de 2016

Sonic Boom: Fire & Ice


Sonic Boom é um nome que passou a ser quase sinónimo de "péssimo", para muitos jogadores. Desde o anúncio dos primeiros 2 jogos para Wii U e 3DS, com um desempenho desastroso de ambos, "Boom" foi uma série que rapidamente foi esquecida. Dentro deste panorama o anúncio de Sonic Boom: Fire & Ice foi uma surpresa, pois ninguém contava com uma sequela e surge como uma espécie de jogo que ninguém pediu, mas que ainda assim chega ao mercado.

Esta sequela não vem no espírito dos jogos anteriores, mas de um certo modo associada à série de animação que ainda hoje é transmitida na televisão. Tornou-se uma espécie de "jogo da série de TV sobre um jogo", e tal é o primeiro impacto que tive no início: embora fosse inegável reconhecer Sonic e Amy, sentia que estava a jogar algo sobre uma série de animação para os mais novos, e não um novo jogo de Sonic the Hedgehog.

Saltando para o primeiro nível somos recebidos pela velocidade característica da série, sendo inegável que se trata de um jogo de plataformas de Sonic, munido do Spin Dash e o Homing Attack. De volta está também o Enerbeam, uma espécie de corda de energia, e que vem agora acompanhado com uma nova habilidade que dá o nome ao jogo: o poder de controlar gelo ou fogo, uma mecânica que irá acompanhar o jogo todo.

Sonic vem devidamente acompanhado por Tails, Amy, Knuckles e Sticks, e podemos facilmente trocar de personagen a qualquer momento, e cada um tem habilidades características, como a velocidade de Sonic, o poder de voar de Tails, o martelo de Amy, o bumerangue de Sticks e a força de Knuckles. Quando comparado com Sonic Boom: Shattered Crystal, esta sequela é mais próxima dos jogos de Sonic mais clássicos, ou seja, os níveis têm múltiplos caminhos, sempre recheados com inimigos para derrotar e armadilhas diversas.

A jogabilidade tem um toque de jogo de ação, através de ataques especiais de cada um dos personagens, bastante úteis para ultrapassar vários obstáculos que surgem pelo caminho. É algo bastante confuso no início, e que parece ser um exagero de movimentos diferentes, mas que nos habituamos facilmente embora fique longe de ser acessível e causa alguma frustração. Dou como exemplo, um momento que usamos o Homing Attack, para depois usar o Enerbeam, seguido de usar o poder de fogo para derreter blocos de gelo, usamos de seguida o Homing Attack numa mola, e depois usar o poder de gelo para criar uma ponte. Tudo isto acontece em poucos segundos, e ficamos apenas a pensar "para quê tanta coisa".

Até mesmo os próprios menus do jogo são confusos, e parece que o mesmo nem foi devidamente testado, mesmo tendo sido adiado. Por exemplo, o botão principal para avançar nos menus é o A, como estamos habituados, mas no entanto, ao concluir um nível, esse mesmo botão é a opção de repetir o mesmo nível, sendo que temos de escolher "Exit" para avançar no jogo. Talvez seja um pormenor (que pode ser corrigido mais tarde), mas aconteceu constantemente durante a análise, ao ponto de se tornar frustrante.

Mas a presença de loops corkscrews, característicos da série, surge como se fosse para nos relembrar que isto é um jogo Sonic, e de facto há algo de gratificante quando os atravessamos a alta velocidade. Mesmo as habilidades básicas de cada um dos personagens vai buscar aquilo que gostávamos nos jogos da Mega Drive, as pequenas alterações entre personagens, sem mudar a jogabilidade, e que nos obriga a trocar de personagens para conseguir avançar no nível ou aceder a locais secretos.

Para além dos níveis de plataformas temos alguns mini-jogos, como controlar um submarino, um shooter com um hovercraft, uma espécie de Sonic Dash ou até mesmo pistas de corrida, em que Sonic enfrenta um robô rival. São níveis que até estão bastante interessantes, dando alguma diversidade ao jogo. Também interessantes estão os bosses, nada de extraordinários, mas que nos fazem fazer coisas diferentes em cada um deles.

 Como referi anteriormente, este jogo acompanha bem o espírito da série de animação, e tal é notório nas sequências de história que surgem pelo meio, que usam o estilo de humor que podemos observar na série. Desapareceram os diálogos constrangedores e estáticos entre personagens, sendo trocados por sequências que só pecam por usarem os modelos do próprio jogo, muito longe da qualidade que podemos observar na série.

No geral é um jogo bastante fácil, com níveis curtos mas com bastantes segredos para encontrar durante o nível, se os explorar-mos devidamente. Existem bastantes checkpoints, e sem a penalização da morte facilmente chegamos ao fim, mas o uso excessivo de armadilhas feitas à base de picos (que estão constantemente a aparecer) torna tudo um pouco aborrecido. O próprio design dos níveis é entediante, sem momentos marcantes e todos os níveis do jogo parecerem ser todos iguais, onde muitas vezes parece que o jogo está em modo automático, ao sermos constantemente atirados para Boost Pads, que nos fazem atingir a velocidade máxima.


Atendendo as espectativas algo baixas, o jogo consegue entreter e é uma melhoria significativa face aos anteriores, mas longe de ser um jogo facilmente recomendável. Mas perde-se ao dar bastante quantidade de conteúdos, mas pouca qualidade dos mesmos, e embora hajam momentos interessantes enquanto percorremos o jogo, estes perdem-se no meio de tantos níveis idênticos, pouco característicos.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.