World Of Warcraft: Forever — o renascimento de uma era
No entanto, um jogo que eu era demasiado novo para compreender e para jogar era World of Warcraft (WoW), até porque em 2004 tinha eu uns míseros sete anos de vida às costas e não sabia sequer o que era um MMO. Também não ajudava o facto de WoW ser um jogo com uma subscrição e eu nunca na vida iria, com tão tenra idade, pedir aos meus caros progenitores para esbanjar dinheiro num jogo online que se podia jogar com qualquer pessoa no mundo. Se já hoje ainda tenho dificuldade em explicar que “Não mãe, não fui banido, o que é que estás para aí a dizer?” simplesmente porque, em algumas alturas do ano, passo mais tempo a jogar com a minha consola na cama ou a ver filmes e séries sem estar ao PC, imaginem o que era explicar o fenómeno Warcraft nessa altura: “É, é! Isso é tudo masé vírus!” ou “Deves pensar que o dinheiro nasce do céu!”. Bem, esta última até tem a sua razão…

World Of Warcraft: Midnight (Blizzard Entertainment, Meus Jogos)
Nunca consegui acompanhar a febre do maior MMO do mundo exatamente porque talvez era mais novo do que o público-alvo, mas também por uma questão financeira, apesar de ver vídeos na internet deste mundo incrível. No entanto, há cerca de dez anos, finalmente meti-lhe as mãos em cima, experimentando a Starter Edition e a levelar um Worgen na narrativa de abertura de Gilneas, que tanto me fascinou, para depois ficar boquiaberto ao entrar em Stormwind pela primeira vez e descobrir que, para chegar até Ironforge, tinha de apanhar um metro subterrâneo e deslocar-me em tempo real pelo mundo! Infelizmente a minha aventura teve de ficar por esse pequeno demo.
Passado uns quatro anos, consegui finalmente envolver-me ainda mais neste jogo quando saiu a mítica expansão World of Warcraft: Shadowlands, após ter visto aquele fantástico trailer onde a Sylvanas assalta Icecrown e, após enfrentar a horda da Scourge controlada por Bolvar, acaba por pegar no Helm of Domination e, num momento em que toda a gente pensava que iríamos ter uma Lich Queen, levamos com um 180 inesperado, com a Banshee Queen a quebrar o capacete do Lich King e, com isto, quebrar a barreira que separava a vida e a morte.
E então, lá fui eu, no dia de lançamento, sozinho e criei o meu mage, fiz a narrativa inicial de salvar os vários heróis de Azeroth da Maw e, eventualmente, fui lançado para os corredores de Oribos, onde Bolvar me esperava para me atirar para a minha primeira grande aventura nas Shadowlands. Acabei por juntar-me a uma guild britânica, fiz meia dúzia de raids, dungeons, mas nunca me senti bem recebido. Nunca consegui encontrar amigos que me acompanhassem nas minhas demandas, uma sensação que pensei que nunca iria ter, pois, as amizades de WoW na minha cabeça, tinham sido formadas em 2004 e, maioritariamente, em países como o Reino Unido e EUA. “Quem é que em Portugal joga disto? Ou conhece isto?”, pensava eu na minha ingenuidade. E, assim, a minha relação com Warcraft foi sempre um bocado tóxica de on & off, parei de jogar antes do fim da primeira season de Shadowlands.

World Of Warcraft: Midnight (Blizzard Entertainment, Meus Jogos)
Mas aquele bichinho continuou ali a coçar o canto do meu hemisfério esquerdo (ou será o direito?) e, eventualmente, o meu feed de YouTube era constantemente bombardeado com trailers de World of Warcraft: Dragonflight. E, após uma batalha com o meu senso comum, lá fui eu à expansão e estive lá pela primeira vez num lançamento em tempo real com outros jogadores portugueses que encontrei! E que adrenalina!
Eventualmente, acabei por entrar numa guild portuguesa, onde, surpreendentemente, tive de ser raid leader da primeira raid da expansão (sem nunca o ter feito anteriormente e praticamente sem experiência palpável a raidar) — e acho que até não fiz um mau trabalho, para ser sincero! No fim dessa experiência, acabei por fazer uma amizade com a qual, até hoje, ainda falamos sempre que podemos e jogamos juntos sempre que nos é possível.
Nos últimos anos, acabei por ter de cortar relações com Warcraft de novo devido a algumas decisões financeiras que eram prioritárias e acabei por jogar parte de War Within e Midnight (este último maioritariamente porque achei que a história estava a “engonhar” demasiado entre cada season e tinha também outros jogos aos quais me queria dedicar). Agora, (quase) no fim de 2026, surge então o World of Warcraft: Forever e, tal como muitos, foi amor à primeira vista.
Uma oportunidade para finalmente acompanhar uma comunidade e um jogo desde a sua nascença (não conto com os servidores Classic, porque aí toda a gente já sabia como funcionavam as coisas e iam dar min-max a tudo o que era conteúdo). E, após muitos anos em que eu e o amigo que mencionei anteriormente não estivemos ativos juntos em Azeroth, decidimos os dois voltar a este mundo que, entre nós os dois, dizemos sempre: “Quer queiras, quer não, um gajo acaba sempre por voltar ao WoW!” e, se isto acontece, é porque devem estar a fazer algo bem!

World Of Warcraft: Forever (Beta) (Blizzard Entertainment, Meus Jogos)
World of Warcraft: Forever promete fazer o que muitos pediam: clássico, mas mais de tudo (o chamado "Classic+"). Confesso que, mal vi os primeiros trailers da Blizzcon, decidi sem margem de dúvida que queria fazer parte deste novo mundo e, sem esperar, “inscrevi-me” no beta. E, apesar de nunca ter feito parte da minha infância, é difícil não dizer “que nostalgia”, um MMORPG de tempos mais simples, onde o objetivo é aproveitar a fase de leveling e a sensação de companheirismo e comunidade.
Decidi aproveitar este beta para tentar explorar as minhas opções de classe (claro que vou Alliance, porque Ally é vida e Horde e Orgrimmar são… bem… vou ficar por aqui para não ferir suscetibilidades!). Quis logo experimentar a nova raça, os Skyborne. Primeiramente porque era conteúdo novo num mundo que toda a gente já conhecia de trás para a frente e, segundo, sejamos honestos, aquelas formas de druida exclusivas eram muito porreiras.
A área inicial dos Skyborne é extremamente encantadora, a música que vos acompanha nos níveis iniciais é fenomenal e mágica, faz-vos mesmo sentir que estão dentro de um mundo de fantasia! Isto, suportado pelos novos visuais de nevoeiro, iluminação e água, ajuda-nos logo a sentir em casa. Logo depois, contrariando a minha natureza, fui experimentar um Undead Paladin. Infelizmente, não me puxa andar com um cadáver cheio de roupas e armaduras rasgadas, mas é só para não me acusarem de ser hater da Horde, fui experimentar e está experimentado!

World Of Warcraft: Forever (Beta) (Blizzard Entertainment, Meus Jogos)
A sensação de comunidade é maior que nunca, mais do que em WoW Classic! Com a nova mecânica de acampamento, onde jogadores pelo mundo se podem juntar, colocar alguns itens (tendas, bandeiras, fontes de mana, etc.) para, ao fim de algum tempo a descansar e a relaxar (não se esqueçam de fazer /sit), recebermos buffs (e buffs bons!) por, basicamente, interagir com aqueles que nos rodeiam e parar um minuto da nossa vida frenética para simplesmente “existir”.
A este ponto, já encontrámos uma guild portuguesa, na qual vamos progredir e, sendo simples e bom, decidi ser um warrior, apenas porque não me quero estar a preocupar constantemente com parar para repor a minha mana a cada um ou dois mobs. Vai ser uma abordagem mais simples, para uma época mais simples. Estou entusiástico por progredir em raids e dungeons novas, sem ter que me preocupar com o fim implacável do mundo às mãos de Ragnaros e dos Dark Iron Dwarves.
World of Warcraft: Forever será um ponto de viragem para muitos, que talvez tenham abandonado muito antes de eu dar os primeiros passos. Talvez tenham parado depois de Lich King, ou Burning Crusade. E, num tempo em que vejo cada vez mais perto o tempo de chegar Legion Classic ou Shadowlands Classic, onde vamos dar full circle a tudo, mesmo a tempo da Worldsoul Saga terminar, espero poder desfrutar deste mundo por muitos mais anos e fazer mais amizades das quais me posso orgulhar.
World of Warcraft: Forever será um ponto de viragem para muitos, que talvez tenham abandonado muito antes de eu dar os primeiros passos. Talvez tenham parado depois de Lich King, ou Burning Crusade. E, num tempo em que vejo cada vez mais perto o tempo de chegar Legion Classic ou Shadowlands Classic, onde vamos dar full circle a tudo, mesmo a tempo da Worldsoul Saga terminar, espero poder desfrutar deste mundo por muitos mais anos e fazer mais amizades das quais me posso orgulhar.
Obrigado a todos vocês por lerem esta pequena crónica minha e, independentemente de serem Alliance ou Horde, espero ver-vos em Azeroth e a tornarem-se os heróis que sempre mereceram ser.
For the Alliance! Glory for the Alliance!
For the Horde! Lok'Tar Ogar!
FOR AZEROTH!
For the Alliance! Glory for the Alliance!
For the Horde! Lok'Tar Ogar!
FOR AZEROTH!

World Of Warcraft: Forever (Beta) (Blizzard Entertainment, Meus Jogos)



