Super Mario Run



O impensável aconteceu: Super Mario chega ao mercado mobile através de um runner, um anúncio que deixou o mundo dos videojogos a falar desta estreia. É um momento memorável, e após o lançamento de Miitomo, chega o primeiro jogo convencional da Nintendo (já que Pokémon GO não é um jogo Nintendo), ainda que apenas disponível para os dispositivos iOS, embora o seu lançamento para Android chega posteriormente.

Em primeiro lugar, uma breve introdução ao género. Um runner é um jogo ao género de plataformas feitos a pensar nos dispositivos móveis, onde o personagem se move automaticamente e um simples toque no ecrã faz o personagem saltar, na maioria dos casos. Existem imensos endless runners já disponíveis tanto para iOS como Android, onde percorremos infinitamente níveis (genéricos) a recolher pontos, até o tempo terminar.

Mas Super Mario Run não pertence ao universo destes endless runners, embora tenha um modo de jogo semelhante, e surge com um grupo de níveis construídos ao estilo de um jogo de plataformas tradicional. Para ter acesso a estes níveis é preciso comprar o jogo, mas fica a recomendação que vale bem a pena o dinheiro gasto, principalmente porque ao comprar o jogo não lidamos com micro-transações, que saem bem mais caras na maioria dos casos em jogos ditos gratuitos. Se preferirem podem não comprar o jogo, ficando assim limitados a uma espécie de demonstração, e com o modo à endless runner disponível.

Como "prometido", é um jogo de plataformas possível de jogar apenas com uma mão, em que o simples toque no ecrã faz com que Mario salte, e quaisquer mecânicas adicionais, como wall jumps, escorregar ou andar pendurado no teto, são efetuadas automaticamente. Rapidamente o jogo me prendeu, e embora já tenha jogado alguns runners no telemóvel, este conseguiu surpreender pela positiva, ao destacar-se através dos níveis bem construídos a que volto, de modo a explora-los devidamente. A própria jogabilidade vicia, e fez-me sentir sem quaisquer dúvidas que é um jogo de plataformas, e não um outro runner cuja dificuldade escala subitamente, fazendo-nos perder e "incentivar" a gastar dinheiro por um mais uma vida extra.

É curioso que, embora se chame "Run", Mario mais parece estar a fazer parkour pois passa a maior parte do jogo a fazer piruetas, cambalhotas e até rebolar no chão ao aterrar. Está mais atleta que nunca (os Jogos Olímpicos têm-lhe feito bem!), e mesmo ao passar por Goombas ou Koopa Troopas pode não os matar, passando apenas por cima deles. Mas o mais divertido é saltar precisamente no exacto momento em que Mario está em cima dos inimigos, provocando uma grande acrobacia!

Chegar à bandeirola no fim do nível não o torna obsoleto, e à boa tradição de Super Mario existem moedas especiais para encontrar nesses níveis. O replay value e desafio extra surge quando, ao conseguir 5 moedas rosa surgem outras 5 mais difíceis de obter, e à terceira vez surgem as moedas pretas, que não só tive dificuldade a obter muitas delas, como o próprio nível muda ligeiramente. É um bom desafio que me agarrou!

Trata-se de mais um título ao estilo 2D, que surgiu em "New Super Mario Bros." para a Nintendo DS. Mas o certo déjà vu que senti logo no início, desapareceu pouco tempo depois: a jogabilidade é nova, causando um desafio extra porque não consigo parar (existindo apenas determinados sítios onde parava), e mesmo todo o conjunto de animações à parkour deu a sensação de jogo novo, mesmo reutilizando elementos dos jogos anteriores. Os cenários (e as suas músicas) são os mesmos há 10 anos, mas a distribuição dos níveis faz com que não pareça tão repetitivo.

Mario não vem sozinho e temos para desbloquear outros personagens, cada um deles com características próprias, e sem a existência de power-ups (excepto o Cogumelo e a Estrela) a jogabilidade acaba por ser bastante semelhante, seja com que personagem for. No fim é uma questão de preferência, embora que para determinados níveis, certos personagens sejam mais úteis. Existem ainda vários itens para decorar o Reino Cogumelo, que ficou completamente destruído após (mais uma) invasão de Bowser, e à semelhança dos personagens existem várias decorações e edifícios para desbloquear.

Para desbloquear conteúdo basta ganhar Toads, e o modo de os obter é através do modo Corridas, o endless runner do jogo, onde encontramos os níveis infinitos. Aqui combatemos contra o tempo, enquanto tentamos conseguir a melhor pontuação possível. Todas as moedas, inimigos derrotados e até mesmo acrobacias contam, pois enquanto corremos vamos preenchendo uma barra, que quando cheia começa a "Febre das Moedas", onde por todo o lado saltam moedas, ideal para acumular bastantes pontos. O desafio não está apenas em conseguir uma boa pontuação, mas vencer o adversário que temos de enfrentar.

Foi um modo que me divertiu bastante! É desafiante, e o mesmo cenário conseguiu ter níveis diferentes, sendo que os da casa assombrada foram os mais difíceis. Embora a maioria das vezes (durante o tempo de análise) visse apenas rivais pré-definidos, que servem apenas para demonstração, vencer a pontuação de outros jogadores tornou-se rapidamente um desafio interessante e com boas recompensas. Uma boa prestação aumenta o número de Toads que conseguimos, e quando ambos os jogadores jogam bem, o número de Toads é superior, tornando-se uma boa recompensa!


O salto de Super Mario para o mercado mobile é marcante, e Super Mario Run consegue não só provar que é um jogo de plataformas "à antiga", como também ajustar-se na perfeição aos dispositivos móveis e mesmo com a transição para o estilo runner, conseguiu manter a essência da série. É fácil imaginar uma nova febre de Super Mario nos telemóveis, embora que a ligação online obrigatória do jogo, mais o facto de não ser gratuito poderá afastar muitos jogadores. Quem possui um dispositivo iOS já pode começar, enquanto que a versão Android está a caminho e sinceramente espero que não demore muito mais.
Nota: Esta análise foi efectuada com base em código final do jogo para dispositivos iOS, gentilmente cedido pela Nintendo.
Super Mario Run Super Mario Run Reviewed by Nuno Mendes on 15 dezembro Rating: 5

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