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6 de abril de 2017

1-2-Switch


Juntamente com The Legend of Zelda: Breath of the Wild, encabeçou o rol de títulos de lançamento para a Nintendo Switch, oferecendo um vasto leque de minijogos controlados pelos movimentos dos comandos Joy-Con e com a premissa de que a diversão nos videojogos não tem de estar limitada ao mundo do ecrã. A sua imagem de marca é um minijogo onde podemos ordenhar vacas, pelo que podemos contar com situações hilariantes para ocasiões de festa ou até mesmo para quebrar o gelo. Mas será o suficiente?

1-2-Switch assenta principalmente na competição entre dois jogadores e incentiva-os a jogar frente a frente, olhos nos olhos. Os jogadores fazem parte da jogabilidade, pelo que será conveniente jogar com pessoas "divertidas". Passo a explicar: a interação com o ecrã da consola é mantida ao mínimo em praticamente todo o software, salvo para os vídeos de demonstração dos minijogos. Os jogadores são então convidados a interagir entre si por intermédio do jogo, pelo que a experiência será facilmente arruinada por pessoas carrancudas que não estejam a achar graça nenhuma ao que estão a fazer. Com a disposição adequada, no entanto, pode ser um jogo hilariante! As situações proporcionadas, as "figuras tristes" e as piadas entre amigos são a alma deste jogo que, felizmente, incluiu um modo de jogo por equipas onde os jogadores vão alternando entre si.


Um grupo de amigos separado em duas equipas é, aliás, a forma mais divertida de jogar o 1-2-Switch. É principalmente um jogo de festa e, pela sua natureza quase minimalista, é ideal para estas situações independentemente do número de participantes. A interface simples torna-o extremamente acessível, com vídeos em live-action a explicar o funcionamento de todos os minijogos. Os jogos variam drasticamente de tema, havendo desde os mais simples como o "Quick Draw" (duelo no faroeste) e o "Milk" (ordenhar vacas) a outros bem mais elaborados como "Sword Fight" (duelo de espadas de gladiadores romanos) e "Copy Dance" onde os jogadores imitam as poses um do outro. Há jogos especialmente divertidos, como o "Wizard" onde o Joy-Con se torna uma varinha mágica e cada jogador empurra uma bola de energia na direção do adversário. Por outro lado, há jogos que simplesmente não funcionam, como o "Table Tennis" que pressupõe a imaginação de uma bola de ping-pong a voar entre os dois jogadores, ou o "Baseball", que sofre do mesmo problema. Menção especial para o jogo "Baby", que implica colocar a Nintendo Switch no modo portátil e embalá-la como se fosse o bebé que surge no ecrã. Não, Nintendo: isto é só perturbador!

A grande magia do 1-2-Switch deve-se ao "HD Rumble" incluído nos comandos Joy-Con, que nos dão um feedback extremamente preciso através da vibração. É possível contar o número de bolas no interior do comando em "Ball Count" ou sentir o clicar de um cofre que queremos arrombar em "Safe Crack", por exemplo. É uma tecnologia fantástica e muito bem utilizada em 1-2-Switch, mas que infelizmente só é aproveitada por um conjunto restrito de minijogos. Muitos dos outros parecem experiências que teriam funcionado na velhinha Wii com o seu MotionPlus. O maior problema do jogo é saber a pouco, não só por não aproveitar melhor as capacidades da Switch, mas também pela superficialidade dos minijogos. Não há variações de dificuldade e intensidade, nem qualquer motivo para repetir minijogos além da vontade espontânea de repetir os favoritos. Não deixa de ser um jogo divertido para apresentar aos amigos as funcionalidades da nova consola.


É natural que um título à base de minijogos seja encarado com cepticismo, especialmente quando acompanha o lançamento de uma consola e é vendido em separado, ao mesmo preço que a maioria dos restantes jogos. Olhando para o produto final, a expectativa de que deveria ser "oferecido" é injusta, mas também não se pode dizer que justifique o preço que a Nintendo pede por ele no lançamento. 1-2-Switch é um jogo com conteúdo divertido, que proporciona bons momentos e serve essencialmente como quebra-gelo e animar festas com os amigos. A qualidade dos minijogos não é consistente, embora sejam maioritariamente divertidos. Ainda assim, no momento de aquisição, o principal factor a ter em conta é a frequência com que se poderão proporcionar sessões de jogo com o grupo de amigos.

Nota: Esta análise foi efetuada com base numa cópia final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedida pela Nintendo.