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28 de setembro de 2016

Quest of Dungeons


"Devias ir sozinho!" "O quê?" Em Quest of Dungeons, os quatro heróis não têm muito de heróico. Qualquer que seja o protagonista escolhido, será imediatamente abandonado pelos companheiros de aventura, que preferem ficar a vê-lo partir para a sua própria morte. Quest of Dungeons é um roguelike com uma dificuldade considerável, pelo que a morte será tão certa como voltar a começar tudo do início.
David Amador (Upfall Studios). Foto: Bad Wolf
Quest of Dungeons é o primeiro jogo de um estúdio português a chegar às plataformas da Nintendo Wii U e 3DS. Estando já disponível para PC, Xbox One e dispositivos móveis, o jogo pode ter levado algum tempo a chegar ao universo "Nindies", mas é inegável o cuidado que foi dado a estas adaptações, que acrescentam novas funcionalidades com base no que as consolas têm para oferecer. O orgulho da Nintendo nesta adaptação é inegável, tendo o criador David Amador sido convidado a apresentar o título no showroom da marca em Lisboa.

O jogo, como já referido, é um roguelike com masmorras geradas dinamicamente e que se orgulha da morte permanente ("permadeath"). Por mais salas e pisos da masmorra que se avance, não haverá pontos de gravação intermédia: morte é morte, toca a começar de novo. O objetivo é, então, tentar fazer a melhor pontuação e avançar o mais possível, sem ter sequer a hipótese de memorizar o caminho, pois este será sempre diferente. A ideia pode desmotivar muitos jogadores, mas se pensarmos bem é o equivalente a perder no nível 8 do Tetris e voltar a jogar pelo desafio de chegar ao 9, mas num formato RPG.

Temos quatro personagens à escolha, todos com diferentes caraterísticas: o guerreiro, o feiticeiro, o assassino e o xamã. Eles chamam-se assim mesmo, como quase tudo no jogo, sendo o mais genérico possível. Num reino qualquer, um vilão fez qualquer coisa má e compete agora aos heróis enfrentar masmorras para salvar o mundo - a história do jogo poderia ser resumida a isto. É sempre melhor brincar com os estereótipos do que tentar parecer diferente e acabar por cair neles na mesma. Os heróis, então, têm uma arma e um skill equipados de início, mas poderão melhorar o equipamento à medida que vão progredindo. Mantendo o ar divertido e descontraído deste jogo, as descrições dos itens do jogo são bastante divertidas, assim como as falas dos personagens e inimigos. Por exemplo, após deixar um dos heróis parado durante algum tempo, encontro-o a dizer para si mesmo "Devia ter trazido a minha DS" (escusado será dizer que o jogo inclui a opção de jogar em Português).

Por falar em portáteis, a 3DS acaba por ser a melhor plataforma para se jogar Quest of Dungeons, graças à sua cuidada adaptação. Tanto nesta consola como na Wii U, o ecrã tátil permite aceder diretamente ao mapa e inventário ou, no caso desta última, jogar apenas no Gamepad sem utilizar a TV. A versão 3DS implementou um interessante sistema de StreetPass (que não tive oportunidade de verificar a tempo da análise, mas) que permite trocar "Ghosts" entre jogadores. Quando um personagem morre na versão 3DS, o jogo guarda todas as informações no StreetPass, para enviar a outros jogadores. Ao fazer um novo jogo, quem tiver recebido um "Ghost" por StreetPass irá encontrá-lo durante a aventura e, se o derrotar, ganhará todo o seu equipamento e habilidades. Afinal, ainda pode haver vida depois da morte!


Quest of Dungeons não é para todos. Os roguelikes podem ser frustrantes para muitos jogadores, pelo que devem tomar isso em consideração. Por outro lado, o baixo custo de lançamento (8,99€) aliado à campanha de Cross-buy entre as versões Wii U e Nintendo 3DS (compre uma e descarregue a outra grátis) tornam muito mais fácil a decisão de experimentar este divertido RPG desenvolvido em Portugal.
Nota: Esta análise foi efectuada com base em código final do jogo para a Wii U e Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Upfall Studios.