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26 de setembro de 2016

Okhlos



Okhlos é a mais recente proposta da Devolver Digital presente no Steam. Inserido num dos muitos sub-géneros dos RPGs, o roguelike, Okhlos é um jogo que assenta numa premissa bastante caricata, diria mesmo inédita. Em vez assumirmos o papel do tradicional herói de espada em punho ou da heroína acompanhada por pequenas feras aladas, somos presenteados com a persona do clássico orador, do "tranquilo" filósofo helénico. Tranquilo talvez não seja de todo o termo adequado para caracterizar o nosso avatar neste jogo. Cansado da violência sem sentido e caprichosa dos Deuses do Olimpo, o tal orador decide combater fogo com fogo, e organiza um motim contra estes. Na figura do orador, cabe-nos reunir o máximo de pessoas que conseguirmos e avançar Grécia adentro. Começamos em Delfos e seguimos rumo ao mítico Monte Olimpo. Pelo caminho, temos todo o tipo de monstros lendários e até alguns Deuses do Panteão como obstáculos à nossa progressão.

   

Okhlos, que está em Português, o que não deixa de ser um bónus bastante agradável, começa com uma intro hilariante, que marca o tom de um jogo que não se leva de todo a sério. O jogador começa no que resta da sua academia, totalmente arrasada pela fúria divina. É lá que irá recrutar os primeiros elementos da sua mob (a "turba"). É sobre a constituição desta mob que vai assentar toda a jogabilidade de Okhlos, pois os elementos que formos recrutando têm diferentes habilidades a serem exploradas. Temos dois tipos de soldados, uns irão aumentar o nosso nível de ataque e outros farão o mesmo com a nossa defesa. Temos trabalhadores com a habilidade bastante relevante de apanhar e transportar diferentes itens, os quais poderão ser usados para curar ou aprimorar ainda mais as nossas habilidades e as da nossa mob. Temos ainda elementos que aumentam a vitalidade e outros que levantam a moral da multidão enfurecida. Até podemos comandar uma variedade de animais, desde galinhas, a gatos, se bem que inicialmente temos um limite de 25 elementos, o qual poderá felizmente ser ampliado à medida que se for avançando.

A forma de recrutamento não poderia ser mais simples. É só chocarmos com o elemento em questão e voilà, ele é parte da mob. Existem ainda personagens especiais, os chamados heróis, que serão recrutados em situações específicas. Os heróis variam nas habilidades que trazem para a mob, mas cada um deles provará ser certamente um elemento-chave para a nossa estratégia. E é este o papel do orador/jogador, o de ser o estratega. Cabe ao jogador manter a mob furiosa, de forma evitar deserções, o que irá obviamente enfraquecer a força geral da rebelião. O jogo serve-se tanto do rato, como do teclado. Com o rato podemos marcar o local para o qual queremos direccionar a mob, sendo que o botão esquerdo ordena um ataque e o direito coloca a mob numa atitude mais defensiva. Com  o teclado movemos o nosso avatar e, se for caso de os termos, é através dele que usamos os diferentes itens apanhados no jogo.


Convém salientar que enquanto os elementos da mob podem ser facilmente substituídos se caídos em batalha, o mesmo não pode ser dito do nosso avatar. Se a barra deste chegar a zero, a nossa aventura termina, o que significa um regresso ao início do jogo. Sim, infelizmente Okhlos não faz save ou checkpoint. Os inimigos que iremos enfrentar vão variando ao longo do jogo e ficando progressivamente mais difíceis. Se inicialmente podemos comandar a mob para ataque desmedido sem grandes preocupações, mais para a frente teremos que pensar de forma mais estratégica se quisermos evitar a total aniquilação em campo. Os Bosses são outra história e dispõem de poderes que causaram bastante mossa na nossa multidão enfurecida. Neste caso, a melhor estratégia é atacar rápido e bem. Quanto mais demorarmos pior. Como seria de esperar, os Bosses são os inimigos finais de cada zona. No entanto e antes de aqui chegarmos temos que ultrapassar cinco áreas menores. Iremos fazê-lo, destruindo todos os inimigos no ecrã. Entre cada área temos um pequeno comerciante que nos permite redefinir a nossa estratégica, ao trocarmos elementos da mob ou ao adquirirmos novos heróis.


Okhlos tem um grafismo reminiscente da época das oito bits e uma música bastante adequada ao tom humorístico do jogo. É certo que o jogo peca um pouco por ter algumas quebras no framerate, sobretudo nas alturas nas quais temos muita acção no ecrã. A seta que nos permite guiar a mob nem sempre se consegue distinguir do resto do cenário e o jogo em si, até pela forma como está estruturado peca um pouco pela repetição. Este título tem apenas uma opção de jogo e não dispõe de multijogador. Ainda assim é um jogo que incentiva ao replay, pois tem uma variedade enorme de elementos para serem desbloqueados. Em suma, Okhlos é um título curioso pela sua história invulgar e jogabilidade distinta, que poderá falhar na tarefa de manter o jogador agarrado devido não apenas ao seu carácter repetitivo, mas sobretudo ao facto de ter-se que voltar ao princípio de cada área sempre que se perde.
Nota: Esta análise foi efectuada com base em código final do jogo para PC Windows, gentilmente cedido pela Cosmocover.