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22 de setembro de 2015

Animal Crossing: Happy Home Designer


Animal Crossing é uma grande franquia da Nintendo que, ao longo dos anos, conquistou milhões de jogadores de todo o mundo com o seu estilo de jogo descontraído focado nas vertentes de personalização, colecionismo e socialização. Dois anos depois do extremamente bem sucedido "New Leaf", a série regressa com uma proposta diferente para os fãs: em vez de um habitante tradicional, Happy Home Designer oferece o papel de funcionário da Nook's Homes, um gabinete especializado em decoração de interiores (e não só!) que irá servir os habitantes da cidade mais próxima.

Ao começar o jogo, a adorável Lottie trata de todo o processo introdutório, oferecendo a sua casa como cobaia para experimentar com um conjunto limitado de elementos decorativos e assim descobrir a nova jogabilidade. A decoração da casa é um dos aspetos mais apreciados pelos fãs da série, mas sempre foi algo pouco prático. Este jogo, no entanto, tem essa componente como o seu elemento principal, pelo que a interface se torna um ponto crucial. Embora os controlos habituais de Animal Crossing também funcionem neste título, agora é extremamente simples colocar, mover e remover mobílias através do ecrã tátil, onde uma planta interativa do edifício simplifica imenso o processo. Também o catálogo é bastante fácil de navegar, estando organizado por categorias e subcategorias, mas também com um conveniente sistema de pesquisa itens por nome, mais recentes, ou cor. Assim, torna-se muito fácil experimentar, ficando a maior dificuldade de decidir o que colocar onde - problemas de um designer!

   

Como funcionário da Nook's Homes, compete ao jogador encontrar clientes que precisem do seu trabalho e decorar as suas casas. Normalmente, a busca por clientes consiste em sair à rua e falar com personagens que se encontrem nas imediações, mas também é possível visitar um antigo cliente e propor uma remodelação total da sua casa. Quase todos os animais têm um pedido específico que gostariam de ver concretizado ao fazer a casa nova, mas na realidade o jogador tem muita liberdade para fazer o que bem quiser. Os temas propostos são mais uma sugestão do que uma obrigação, podendo o personagem ter depois uma reação mais ou menos entusiástica, mas nunca se corre o risco de despedimento. Até porque o patrão Nook costuma estar ocupado a jogar golfe. Ainda assim, é interessante ver as reações dos personagens conforme se adiciona ou remove mobília, para perceber de que itens eles mais gostam de ter nas suas casas.

A cava novo cliente e novo tema, vão sendo acrescentados novos itens ao catálogo, geralmente relacionados com o tema proposto e os gostos do animal em questão. Assim, vão sendo desbloqueadas cada vez mais opções e que podem justificar o regresso à casa de um antigo cliente para adicionar "aquela peça que faltava". Há também um vasto conjunto de funcionalidades escondidas e que podem ser desbloqueadas ao consultar o Happy Home Handbook, uma espécie de tutorial para funções avançadas que inclui elementos decorativos para colocar no tecto (uma novidade em Animal Crossing), a possibilidade de utilizar texturas personalizadas e até a de alterar o aspecto dos móveis. Cada entrada neste manual tem o custo de duas Play Coins da Nintendo 3DS, um custo felizmente reduzido e que facilmente se pode obter ao transportar a consola.

   

Atingindo alguma experiência em decoração, a Isabelle irá visitar a empresa com pedidos da Câmara Municipal para a construção de edifícios públicos, como uma escola, hospital, lojas e restauração. Estes edifícios promovem o desenvolvimento da cidade e trazem novos habitantes com novos pedidos, e permitem também desbloquear novos conteúdos como casas com mais do que uma divisão, por exemplo. Os edifícios públicos trazem consigo alguns requisitos que obrigam a respeitar a sua utilidade (um café tem de ter mesas e um balcão, por exemplo), mas ainda assim dão imensa margem de manobra para criatividade.

No fim de contas, é só a criatividade que importa. Ao contrário da série principal, aqui não há pontuações, nem conceitos como o feng shui, embora possam ser aplicados. Desde que se respeitem critérios mínimos, tudo é permitido no design de casas para estes simpáticos personagens. Não haver possibilidade de "perder" ou um sistema de pontuações pode afastar alguns jogadores mais competitivos, mas é uma forte caraterística da série principal que os fãs também irão apreciar neste novo jogo. Aninal Crossing aposta na interação social e na partilha com amigos para apreciação das criações, e Happy Home Designer não é diferente, incluindo uma câmara dinâmica e um sistema para tirar screenshots a qualquer momento, assim como partilhas no Miiverse integradas no software e até um atalho para a partilha nas redes sociais através do browser da consola.

   

No entanto, a principal forma de partilha no jogo é mesmo através da Happy Home Network, que fica acessível com uma atualização gratuita disponível logo no lançamento. Aqui, é possível publicar todos os designs de casas e edifícios públicos, juntamente com uma curta expressão que resume o conceito aplicado pelo designer. Todas estas partilhas têm um código numérico e um QR Code associados, que podem depois ser utilizados para partilhar com os amigos ou nas redes sociais. Nesta rede, onde também serão promovidos desafios internacionais, é possível ver as criações de outros jogadores e dar-lhes um rating de 0 a 3 em quatro categorias: "Cute", "Cool", "Unique" e "I'd live here!". Não existem votos negativos, pelo que até a atribuição de 1 estrela numa das categorias irá funcionar como um cumprimento ao criador. Não havendo um critério automático de avaliação das casas, esta será a melhor forma de se obter algum feedback das criações feitas no jogo.

A Happy Home Network é bastante robusta e tem uma interface simples, onde se pode pesquisar criações pelo nome do residente, tipo de edifício público, ou até pelos ratings atribuídos pelos jogadores. Os resultados apresentam a foto escolhida pelo criador para representar a sua obra e, se o jogador quiser, poderá então visitar e dar a sua avaliação. Durante a visita, terá ainda a possibilidade de adicionar o criador aos favoritos, ou copiar uma textura personalizada caso esteja disponível. Infelizmente, não há nesta versão uma forma fácil de procurar conteúdos dos amigos, sendo necessário aceder-lhes através de um dos códigos já referidos e depois colocar o criador nos favoritos.

   

Uma novidades da Nintendo introduzida no mercado em simultâneo com o este título são os Cartões amiibo. Estes cartões funcionam como as figuras amiibo já conhecidas dos fãs da Nintendo, mas neste caso assumem uma vertente de colecionismo e trocas ao estilo "caderneta de cromos", com todos os personagens de Animal Crossing distribuídos por 4 séries de 100 cartões. Alguns destes cartões são "especiais" e, em vez dos habitantes habituais, contêm personagens importantes da série como a Isabelle, o Tom Nook, Mr. Resetti e até a nova assistente Lottie, apresentando um efeito holográfico na face do cartão. Os cartões são vendidos em boosters de 3 unidades, sendo que há sempre um especial em cada embalagem. Todas as cópias físicas do jogo incluem também um cartão especial, e está prometida a compatibilidade destes amiibo com futuros títulos como Animal Crossing Amiibo Festival, que será lançado ainda este ano para a Wii U.

Em Happy Home Designer, a principal função destes cartões é a de "telefonar" ao personagem representado, que depois irá apresentar o seu pedido de design. É uma forma rápida de adicionar ao jogo um personagem de que se goste muito e ainda não tenha surgido, e também a única forma de criar casas para os personagens dos cartões especiais. Felizmente, um cartão é compatível com múltiplas cópias do jogo, podendo ser partilhado com amigos para o desbloqueio de personagens. Concluída a casa, é também possível guardá-la no cartão da personagem (apenas uma casa por cartão). Esta informação poderá ser utilizada futuramente noutros jogos compatíveis com os cartões, como o spin-off Amiibo Festival.


Outra funcionalidade dos cartões neste jogo é a hipótese de chamar um ou mais personagens quando se está a visitar um cliente, para um convívio mais animado. Pode ser divertido para tirar screenshots e partilhar no Miiverse e redes sociais, mas tem uma funcionalidade extra que pode ser muito útil. Ao colocar novamente o cartão de um personagem que está a visitar uma casa, este irá "memorizar" a decoração, ou seja, guardar a informação do catálogo no cartão. Ao telefonar a esse personagem a partir da Nook's Homes, os itens que ele terá visto serão adicionados ao catálogo. Esta funcionalidade, ausente do modo online, permite assim obter itens raros que um amigo tenha numa das suas casas. No final de contas, os cartões não são realmente necessários para a experiência do jogo, mas podem torná-la mais divertida. Desaconselham-se as tentativas de colecionar todos, mas é perfeitamente justificável a procura de cartões de alguns personagens favoritos, cujas casas se queira personalizar até para jogos futuros.


Animal Crossing: Happy Home Designer não é um jogo para todos, e foi feito especialmente para os fãs da série que gostam muito da componente de decoração da casa, oferecendo-lhes o maior catálogo de sempre na franquia para dar asas à criatividade e partilhar as suas criações com o mundo. Não há orçamento, nem pontuação, nem dificuldade. Jogadores que apreciam a componente de decoração em séries como esta ou The Sims terão aqui muito para apreciar, mas quem espera algo mais diversificado poderá ficar desapontado com o que este título oferece, pois faz mesmo justiça ao nome. E mesmo que nem todos compreendam ou apreciem o conceito, a verdade é que este é um jogo extremamente viciante, que nos deixa explorar o lado obsessivo dos seus personagens (quem é que quer uma casa TODA decorada às bolinhas? ou um quarto cheio de balões?) e puxa pelo nosso perfeccionismo. Um jogo que irá ficar ligado na consola durante muito tempo, mesmo que em modo de descanso até à próxima oportunidade de arrastar alguns móveis.
Notas: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.
O jogo foi testado numa New Nintendo 3DS. Algumas funcionalidades poderão ter comportamentos diferentes em modelos anteriores.