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29 de janeiro de 2015

The Legend of Zelda: Retrospectiva [Parte 4/5]

A entrada no novo século irá trazer muitas mudanças a nível do estilo e direcção da série. Inicialmente, nem todas serão bem recebidas, mas com o passar do tempo conseguirão alcançar os corações dos fãs de Zelda espalhados por toda a parte.


Ventos de mudança

O século XXI começou com a participação de Link (e da sua contraparte mais jovem), Zelda (incluindo a "personna" Sheik) e Ganondorf em mais uma edição de Super Smash Bros., o Melee, logo em 2001. Mas o que mais marcou a viragem do século para os fãs ocorreu algum tempo antes, com uma tech demo da nova consola GameCube, apresentada a 24 de Novembro de 2000 no Nintendo Space World 2000 Exposition. Nesta demo, conhecida como The Legend of Zelda 128, o herói lendário da série e o vilão Ganondorf são mostrados num duelo frenético. Os gráficos, deveras impressionantes para a altura, bem como a fluidez da animação e os efeitos de luz deixaram os fãs de água na boca e ansiosos por um novo Zelda.

   

Em apenas um ano, a expectativa se tornaria em choque e desilusão. No evento Nintendo Space World 2001, Shigeru Miyamoto apresenta o primeiro trailer do próximo Zelda, com um estilo gráfico completamente diferente. Ao contrário do que Zelda 128 parecia ter sugerido, Miyamoto e a Nintendo optaram por usar cel shading o que conferiu ao recém-chegado título um aspecto cartonesco e infantil. O jogo só seria lançado no ano seguinte, dando tempo para que a Nintendo fosse apresentando a evolução gráfica deste novo estilo artístico. Jogadores e críticos tinham-no rejeitado à primeira impressão, mas o jogo acabaria por ser considerado o melhor da mostra da E3 desse ano.


A espera por um novo jogo terminaria em Dezembro de 2002, com o lançamento japonês de The Legend of Zelda: The Wind Waker. A história passava-se séculos após os eventos de Ocarina of Time. O reino de Hyrule que conhecíamos dá lugar a pequenas ilhas e ilhotas, perdidas em um imenso mar azulado conhecido, e bem, como The Great Sea. Nessas ilhas é prestada homenagem ao Hero of Time, cuja perícia e coragem possibilitou a vitória sobre Ganon. No entanto, é-nos revelado que o herói e a sua arma, a Master Sword, desapareceram misteriosamente e não estariam presentes quando o grande mal regressa. É neste contexto e após ver a sua jovem irmã, Aryll, raptada, que um jovem Link (não o mesmo dos dois jogos anteriores) decide deixar a sua ilha-natal para percorrer o vasto oceano à sua procura. Pelo caminho, vai encontrar ameaças familiares aos fãs de Zelda, nomeadamente, um Ganondorf renascido, bem como ajudas essenciais tanto na forma do bizarro Tingle como de Tetra (incarnação da princesa Zelda) e seu bando de piratas.

   

Wind Waker apresenta-nos um Link que aparenta ser bastante mais novo do que o Young Link de Ocarina ou Majora's, mas que é tão capaz como este. Adoptando, em grande parte, o gameplay dos títulos da N64, Wind Waker acrescenta o sistema de "Parry", que vem conferir uma maior capacidade ofensiva e defensiva ao diminuto herói esverdeado. Pela primeira vez em um jogo da série é possível apropriarmo-nos das armas de inimigos caídos, o que aumenta exponencialmente o rol de items à nossa disposição. O jogo, como outros tantos, volta a focar-se na música quer como meio de transporte, quer como forma de resolver os inúmeros puzzles com os quais nos iremos deparar. Link serve-se da batuta Wind Waker para manipular as correntes de ar e com isso fazer avançar o seu barco rumo à ilha seguinte.

Outra novidade que é introduzida com este jogo é precisamente a navegação pelo vasto oceano. Já não temos a fiel Epona à disposição, mas sim um barco falante, o King of Red Lions. Uma das últimas inovações de Wind Waker estaria relacionada com a possibilidade de se conectar, via Link Cable, ao GBA. Isso permitiria a um segundo jogador participar na aventura na pele do "irritante" Tingle. Muito criticado ao início mas eventualmente aceite por todos como uma excelente entrada na série, Wind Waker faria parte da Zelda Collection (como um demo de vinte minutos) e de um bundle especial da GameCube, que incluía um disco bónus com Ocarina of Time, em 2003.

   

O jogo seria o segundo título da série, a seguir a Ocarina of Time, a ter direito a um remake, com o lançamento de uma The Legend of Zelda: The Wind Waker HD para a Wii U, em 2013. A história de Wind Waker seria ainda passada para manga, com Link's Logbook, e a sua banda-sonora ganharia dois CDs em 2003. Para mais informações acerca deste título, aconselhamos a leitura do especial do Meus Jogos DS sobre o décimo aniversário de Wind Waker [link].

Apesar de controversa, esta versão de Link, assim como todo este Mundo novo, ganhariam duas sequelas directas para a Nintendo DS, bem como uma presença constante, a par de um Link adulto e mais tradicional, nos dois Super Smash seguintes, para a Wii e Wii U/3DS respectivamente.


No entanto, e como já havia referido na segunda parte desta retrospectiva, este não foi o único título da série Zelda a ser lançado nesta altura. Publicado em 2002 nos EUA e em 2003 no resto do Mundo, fruto de uma já referida cooperação com um dos estúdios da Capcom, a Nintendo vai desenvolver uma versão portátil do hit da SNES, A Link to the Past, e vai adicionar aquele que seria o primeiro jogo multiplayer de toda a série, Four Swords. Este adopta o gameplay do A Link to the Past, mas com um estilo gráfico diferente (inspirado em Wind Waker) e possui uma storyline própria, embora mais simplista. Uma vez mais, a princesa Zelda encontra-se em perigo. Cabe não a um, mas a quatro Links, de cores distintas, impedir que o maléfico Vaati, recentemente liberto da sua prisão no interior da Four Sword, despose a princesa contra a sua vontade.


Bastante mais curto que o jogo que lhe serviu de inspiração, Four Swords tem certas limitações, que podem ser visivéis no facto de cada jogador apenas poder transportar um item adicional à vez, todavia, brilha na experiência multi-player. Para além disto, Four Swords apresenta um novo item, o Gnat Hat, que permite reduzir drasticamente o tamanho de Link, que servirá de inspiração para outro jogo. Four Swords foi bastante bem recebido na época, e o conceito de multijogador que trouxe para a série acabaria por ser expandido para jogos futuros. Um remake deste Four Swords que vinha comemorar os 25 anos da série Zelda, seria lançado gratuitamente para o serviço DSiWare, para as consolas Nintendo DSi e DSi XL, sendo compatível com a família de consolas Nintendo 3DS. Este The Legend of Zelda: Four Swords Anniversary Edition, para além de novas áreas jogáveis, trazia consigo um novo modo single-player e a possibilidade de jogar via wireless.

   

Após uma inesperada aparição de Link no segundo Soul Calibur, da Namco, o herói lendário vai regressar em um novo jogo para a GameCube. The Legend of Zelda: Four Swords Adventures seria uma sequela directa do Four Swords do GBA, sendo lançado em 2004 no Japão e EUA e em 2005 na Europa e Austrália. Este trazia a experiência multiplayer para a consola doméstica da Nintendo, embora fosse necessário o uso do GBA como comando, oferecendo assim um ecrã "privado" a cada jogador além da imagem geral na TV. A complexidade e o custo material da experiência a 4 jogadores fez com que muitos não pudessem tirar o máximo partido deste jogo. Já o modo para um jogador permitia controlar os 4 personagens em simultâneo como uma equipa em diferentes formações. Ao contrário do que aconteceu com o Four Swords da GBA, este Adventures optou por um estilo artístico adaptado do A Link to the Past, mas não foi um jogo que primou por ter um grafismo impressionante.


No Japão, foi disponibilizado um jogo extra com Four Swords Adventures: o Navi Tracker's, que estave planeado para ser um título independente no ocidente chamado de Tetra Tracker's. Este modo, que assenta no multiplayer, embora seja passível de ser jogado em single-player, consitia numa espécie de jogo de captura de bandeiras. Four Swords Adventures teve um êxito relativo e logrou uma adaptação para manga por Akira Himekawa, adoptando o nome da versão japonesa, Four Swords+. Um aspecto interessante dessa manga reside no facto de cada um dos quatro Link's possuir uma personalidade diferente e ter como nome a cor do uniforme que enverga.


Entre 2004 e 2005 a parceria entre a Nintendo e a Capcom daria frutos pela última vez com o lançamento do décimo segundo título da série principal e último para o GBA. Conhecido como Mysterious Hat, no Japão, este novo jogo será lançado no Ocidente como The Legend of Zelda: Minish Cap. Embora venha explorar a história por detrás da figura de Vaati, o grande vilão de Four Swords, Minish Cap é um Zelda tradicional e exclusivamente single-player, abandonando a vertente multiplayer dos Four Swords. Adaptando a si muitas características de outros títulos anteriores, vai introduzir novas personagens, incluindo a diminuta raça dos Minish (ou Picori), bem como novos items (Mole Mits, Cane of Pacci e Gust Jar). O protagonista deve reunir as chamadas Kinstones, estas são fundamentais para desbloquear novas áreas e com isso avançar na história.

   

O próprio Link apresenta novas habilidades, nomeadamente a capacidade de rolar, nunca antes disponível num jogo portátil da série, bem como a multiplicação à Four Swords, extremamente útil para a resolução dos puzzles. Minish Cap, que teve direito a uma manga publicada no Japão em 2006 e transcrita para inglês em 2009, vai ser alvo de uma promoção fora do comum, ao ser incluído com a venda do novo modelo do GBA, o SP. Este GBA SP especial tem a particularidade de ser dourado e incluir temática relativa à série com um Triforce gravado no topo. Ao mesmo tempo, algumas versões douradas do jogo (e algumas assinadas pelo próprio Miyamoto) vão ser colocadas à venda. Embora seja visto como um jogo curto, fruto talvez da sua natureza portátil, Minish vai ter, não só, boas vendas, como será declarado, pelos media, como o melhor jogo do GBA em 2005.


Na quinta e última parte desta retrospectiva iremos abordar a passagem da série pelas imensamente populares Wii e DS, bem como os passos seguintes. Não percam.