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27 de janeiro de 2015

The Legend of Zelda: Retrospectiva [Parte 2/5]

Na primeira parte desta retrospectiva, pudemos vislumbrar os primeiros passos da grande série que é The Legend of Zelda. Agora, iremos mergulhar no inicio da década de 90, do século passado, que deu à luz a alguns a um dos melhores jogos da série.


Zelda no Mundo e a chegada à SNES

Os dois jogos lançados para a NES na década de 80, foram um sucesso gigantesco para a Nintendo. Em pouco tempo, Zelda tornara-se, a par de Mário, no porta-estandarte da companhia. Link, Zelda, Ganon e as restantes personagens iriam figurar numa série de animação desenvolvida pela DIC distribuída pela Viacon, entre Setembro e Dezembro de 1989. Os episódios rondavam os 15/16 minutos e o desenho-animado apenas teria 13 episódios, no total. Acabaria por ser cancelada, juntamente com The Super Mario Bros Super Show, mas Link e Zelda surgiriam na, mais popular, Captain N: The Game Master, embora com um design diferente do visto em The Legend of Zelda.


O mundo mágico de Hyrule não se ficaria pelas TV's, mas antes daria o salto para as BDs. Entre Fevereiro e Agosto de 1990, a editora Norte-Americana, Valiant Comics, iria produzir uma comic baseada nos eventos de Zelda II. Com sucesso relactivo, a comic teria mais dez números lançados em 1993. Enquanto isso, no Japão, o mangaka Yuu Mishouzaki já havia adaptado as storylines de ambos os jogos a duas mangas, entre 1989 e 1990.


Perante esta Zeldamania que se fazia sentir e com a proximidade iminente de um novo sistema, a SNES, a Nintendo irá testar um "novo" Zelda. Em 1989, precisamente, a Nintendo lança o Zelda Game and Watch, nos EUA, o primeiríssimo jogo portátil da série. Fortemente influenciado por Zelda II, este jogo LCD vem colocar-nos, uma vez mais, na pele de Link. Desta feita, o herói lendário deve resgatar a princesa Zelda das garras de oito perigosos Dragões. O jogo é considerado uma pequena pérola da série Game and Watch, embora seja mais linear e fácil que os seus antecessores. Este pequeno spin-off seria relançado duas vezes, a primeira em 1998, como parte da série de jogos portáteis, Nintendo Mini Classics, e uma segunda vez em 2002, para o GBA, como um desbloqueável dentro do jogo Game and Watch Gallery 4. Também em 89, a Nelsonic obteve a licença para incorporar um Zelda na sua linha de game watches. O jogo em si, revelou não ser nada de extraordinário, contendo apenas quatro níveis, com um boss Dragão no final de cada um deles. O objectivo de Link, neste pequeníssimo jogo de pulso, é o de reunir a Triforce, que foi partida em quatro partes.


Em 1991, a Nintendo, acabadinha de lançar a poderosa SNES, iria finalmente lançar o terceiro capítulo da série. The Legend of Zelda: The Triforce of the Gods, mais conhecido entre nós como A Link to the Past, demoraria mais um ano até chegar ao Ocidente. Altamente censurado, no ocidental, por causa das múltiplas referências religiosas presentes no jogo, Link to the Past era uma prequela dos dois jogos anteriores, apresentando-nos, pela primeira vez, um novo Link. Este Link morava com o tio, a sul do castelo de Hyrule, quando recebeu um pedido de ajuda telepático enviado por uma aprisionada Princesa Zelda. A jovem, descendente dos Seven Sages, encontra-se captiva do maléfico feiticeiro (um padre na versão japonesa), Agahnim, que busca libertar Ganon da sua prisão no Dark World. Link contará com a ajuda de Sahasrahla, que lhe servirá de mentor e lhe colocará à disposição a poderosa Master Sword.

   

A nível gráfico, Link to the Past, como seria de se esperar, foi um salto enorme em relação aos jogos anteriores. Mais animações, mais cores, melhores efeitos sonoros são fruto da melhor capacidade gráfica da SNES. A música, a cargo de Koji Kondo é tão incrível que ganharia um cd duplo, editado pela Sony Records, e intitulado Sound and Drama, em 1995. É pena o seu lançamento se ter ficado exclusivamente por terras nipónicas. No entanto, o grande legado de Link to The Past foi o seu gameplay e certos elementos que se tornariam tradicionais em outros jogos da série daqui em diante. Link to the Past recuperou a perspectiva top-down do jogo original, embora tenha mantido a barra de magia do segundo título. O jogo da SNES tornou Link muito mais fácil de manobrar. O pequeno herói pode brandir a sua espada diagonalmente, não mais cingido a um mero ataque frontal, bem como fazer o agora habitual ataque rodopiante. Novos items foram também introduzidos. Para além da espada, escudo, setas e bombas, temos agora o extremamente útil hookshot, que permite alcançar os sítios inacessivéis, bem como as Pegasus Boots, que permitem corrida ao nosso herói. Conceitos como a Master Sword, a Ocarina ou Mundos Paralelos, aqui representado pelo Dark World, são introduzidos para o gaúdio de inúmeros jogadores.


A Link to the Past foi mais um sucesso retundante da Nintendo. Aclamado, na época, como um dos maiores jogos da SNES, este terceiro título depressa garantiu a sua posição como um dos melhores, não apenas da série, mas também dos videojogos em geral. Seria mais tarde relançado em versão portátil para o GBA, em 2003 nos EUA e em 2004 no resto do mundo. Esta conversão, feita a meias com a Capcom, incluia o primeiro jogo multiplayer da série, Four Swords, bem como uma nova dungeon e diferentes efeitos sonoros. A versão original da SNES foi tornada disponível no sistema Virtual Console da Wii e da Wii U.


A sua história seria adaptada para formato BD pelo japonês Shotaro Ishinomori e seria publicada nas páginas da Nintendo Power, de Janeiro a Dezembro de 1992. As doze edições seriam compiladas em formato TPB no ano seguinte. Para além disto, A Link to the Past ganharia, ainda, duas adaptações para manga. A primeira, em dois volumes, por Ataru Cagiva entre 1995 e 1996, a segunda por Akira Himekawa, em 2005 (na qual seria introduzida a personagem Ghanti).

Em 1992, a série Zelda conheceria mais um capítulo no mercado dos jogos LCD com o lançamento de Zelda no Densetsu: Kamigami no Triforce, para a Barcode Battler II, da Epoch Co. O jogo funcionava como um e-reader, e tinha cerca de 30 cartas disponiveis, sendo baseado na história do jogo da SNES.


A Nintendo voltaria a licenciar as personagens de Zelda, em 1993, à Philips, como parte de um contrato (falhado) para desenvolver um add-on para a SNES. Três jogos seriam desenvolvidos, sem qualquer envolvimento da Nintendo, para a Philips CD-i. The Faces of Evil e The Wand of Gamelon seriam lançados em Outubro de 1993, sendo Zelda's Adventure colocado à venda em 1994. Embora o último colocasse a princesa Zelda pela primeira vez na posição de protagonista do jogo, o facto de terem sido feitos de forma apressada fez com que fossem arrassados pelos críticos da época. Mau gameplay, FMVs com qualidade dispensável foram alguns dos motivos apontados para este trio se destacar, negativamente, no rol já largo de jogos da série. Naturalmente, hoje em dia a Nintendo trata estes títulos como se nunca tivessem existido, ficando de fora até das retrospectivas oficiais da série. Mas este licenciamento infeliz não beliscou a reputação da série.

   

Em 1993, The Legend of Zelda: Link's Awakening seria lançado para o Gameboy. O quarto jogo da série, chamado Dream Island no Japão, mantinha o gameplay de Link to the Past praticamente intacto, ou não tivesse começado a ser desenvolvido como um port do seu irmão mais velho da SNES. Link's Awakening foi desenvolvido por Takashi Tezuka que, apoiado no argumento desenvolvido pelo duo composto por Yoshiaki Koizumi e Kensuke Tanabe, criou um mundo diferente dos até então vistos nos restantes jogos da série. Pensado inicialmente como um mero spin-off da série principal, o jogo do GB procurou restringir as suas ligações ao Reino de Hyrule e às figuras da princesa Zelda e do vilão Ganon. Como tal, a história tem lugar na misteriosa ilha de Koholint, onde um jovem Link naufragou. Encontrado pela jovem Marin, estranhamente parecida com Zelda, Link descobre através de um mocho que, para regressar a casa, deve acordar o Wind Fish. Para conseguir fazê-lo, Link terá que vencer as criaturas conhecidas como Nightmares e reclamar os items que estas têm em sua posse.


O jogo mantém o overworld típico, com uma aldeia repleta de NPCs e oito masmorras repletas de puzzles para resolver. Todavia, e ao contrário do que se havia sucedido com o jogo de 1991, este Zelda faz uso de uma perspectiva sidescroller, em certas masmorras, e marca o regresso do salto ao rol de habilidades de Link, características provenientes de Zelda II. Link's Awakening tem uma natureza única e isso revela-se no facto de diversas personagens de outras séries da Nintendo marcarem presença no jogo, quer como inimigos, quer como meros NPCs. As sidequests, bem como o humor e o "breaking of the fourth wall" por parte de algumas personagens, funcionaram como um chamariz para jogadores por todo o Mundo. Todo este charme próprio, apesar das críticas relativas aos gráficos monocromáticos, valeu-lhe o título de melhor jogo do Gameboy.


Essa popularidade iria valer-lhe um remake, a cores, para o Gameboy Color, em 1998. Esta versão DX do título veio com uma nova dungeon, bem como novos inimigos e puzzles. Havia ainda a possibilidade de, através do uso do Gameboy Printer, se imprimirem "fotos" tiradas no jogo. Link's Awakening tornar-se-ia disponível para novos jogadores via a Virtual Console da Nintendo 3DS, em 2011.

   

Após duas grandes entradas na série, a Nintendo iria disponibilizar, via um licenciamento à St. GIGA, entre 1995 e 1997, dois novos jogos do Zelda para a Satellaview, um add-on da Super Famicom com serviço via satélite disponível apenas no Japão. O primeiro, BS Zelda no Densetsu, teria dois mapas disponibilizados em Agosto e Dezembro de 1995, respectivamente. O jogo é visto como um remake do primeiro Zelda, embora a sua história se encontre mais próxima da vista em Link to the Past. Mais uma vez, cabe a Link salvar Zelda e derrotar Ganon. Com um gameplay e um overworld map que nos remete para Zelda I, BS Zelda no Densetsu é visto por aqueles que o jogaram como a Third e Fourth Quests, em referência ao título original da série e à sua Master Quest.


Em 1997, a Nintendo disponibilizou o segundo, e último, Zelda para o sistema Satellaview. BS Zelda no Densetsu: Inishie no Sekiban é visto como uma versão melhorada de Link to the Past, embora a história seja diferente. É verdade que é a mesma Hyrule do jogo da SNES e a ameaça volta a vir do tenebroso Ganon, no entanto, e pela primeira vez em um Zelda produzido pela Nintendo, o protagonista não é Link, mas antes o avatar do próprio jogador. A este, cabe encontrar as stone tablets que lhe vão possibilitar os meios para vencer o principe das trevas, sempre com o apoio de Zelda e de muitas outras personagens do universo Zelda. O jogo seria difundido uma segunda vez em 1999 e o seu gameplay apoiava-se, fortemente, no de Link to the Past. Devido à natureza dos jogos para a Satellaview, estes dois jogos nunca mais veriam a luz do dia...

Com a década de 90 a aproximar-se do seu final, estaria reservado mais um grande jogo Zelda, a estrear na nova consola doméstica da Nintendo, a N64. Mas isso é uma história a continuar na terceira parte...