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16 de setembro de 2014

Teslagrad


A eShop da Wii U tem recebido vários títulos que não temem em arriscar, explorando conceitos ou até mesmo mecânicas algo diferentes. Desde os primeiros lançamentos como Little Inferno, títulos suportados por grandes empresas como Child of Light, e até mesmo aventuras extremamente bem recebidas como SteamWorld Dig, é curioso apontar que estes jogos são sempre muito bem acompanhados por visuais deslumbrantes. Agora Teslagrad é mais um título que se enquadra nesses grupo.

Logo no início somos introduzidos à história do jogo, sem um único diálogo ou texto a descrever o que se sucede, usando apenas os visuais do jogo e sem recorrer a sequências de vídeo. Somos assim introduzidos a uma Europa escura, velha, embelezada por visuais muito ao estilo Steampunk e devidamente acompanhados por uma banda sonora que cria bem o ambiente.

Acompanhamos a história de um simples rapaz, que mal o controlamos temos de fugir de soldados que nos querem capturar. Desconhecemos por completo os motivos para a captura do jovem herói, mas não temos outra alternativa do que fugir, pois somos completamente indefesos. Durante essa fuga encontramos a Tesla Tower, uma misteriosa torre que iremos explorar durante o jogo, e desvendar os segredos que guarda. Nunca temos uma explicação concreta do que aconteceu, ou a origem dos objetos que vamos encontrando, o que cria bastante mistério e nos incentiva, de um certo modo, à descoberta do jogo.

A jogabilidade é bastante simples, sendo um jogo de plataformas repleto de puzzles que muitas vezes nos fazem parar para pensar, e ainda com um pouco de ação à mistura. Desenvolve-se um pouco como um metroidvania, pois vamos desbloqueando habilidades aos poucos que nos permitem progredir no jogo e enfrentar novos desafios, embora a exploração da Tesla Tower seja bastante linear. Um único contacto com um inimigo ou armadilha é morte imediata, mas sempre que perdemos voltamos ao início da área ou antes de uma situação complicada. Como não existe um número de vidas, muitas vezes encontramo-nos em situações tentativa-erro em que perdemos muitas vezes até descobrir o método certo para avançar.

A primeira habilidade que encontramos no jogo (e a que mais iremos usar durante o percorrer do mesmo) é um par de luvas capazes de polarizar alguns elementos do jogo: ao atingir um metal com a luva azul tornamos esse metal azul, capaz de atrair metais vermelhos (ou ser atraído por eles, dependendo do tamanho de cada), e por sua vez repele outros metais azuis, ou é repelido por eles. A mecânica é bastante simples e familiar para quem já alguma vez pegou num íman, mas no entanto os puzzles tornam-se bastante complexos à medida que vamos avançando.

Os controlos são simples, mas no entanto muitas vezes sentimos que tanto o nosso personagem como vários objetos que temos de usar para resolver os puzzles, são bastante leves e "flutuam" com muita facilidade, e cometemos erros de usar mal essas peças. Felizmente basta sair dessa área e voltar a entrar para fazer um reset aos elementos presentes, e começamos do zero. O GamePad serve principalmente para nos orientar melhor na Tesla Tower, apresentando um mapa que se vai completando à medida que avançamos, e também para observar com atenção os "desenhos" que vamos coleccionando se optarmos por explorar com mais atenção as áreas do jogo. Esses desenhos são iluminuras, ilustrações que nos descrevem através da imagem o mundo ou história do jogo.


Teslagrad é uma aventura com visuais bastante belos, com um estilo de animação bastante clássico e que funciona na perfeição com os cenários em três dimensões. Tudo é muito bem animado, o que ajuda a querer descobrir sempre um pouco mais da Tesla Tower e da história ou mundo do jogo, pois queremos saber o que nos espera no fim. Um jogo que nos recorda dos jogos mais tradicionais, onde nós próprios tínhamos de descobrir como progredir no jogo, sem os tutoriais que hoje em dia vemos na maioria dos jogos, e sem textos ou quaisquer descrições sobre o mundo que nos rodeia.