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17 de abril de 2014

Golden Sun


Durante o anúncio de lançamento da Game Boy Advance um jogo que chamou bastante à atenção foi Golden Sun, um RPG ao estilo tradicional que estaria disponível pouco tempo depois do lançamento da consola no Japão. Um jogo desenvolvido pela Camelot, responsáveis por Mario Tennis e Golf para a Nintendo 64, ou mais importante ainda Shining Force em consolas da SEGA.

O jogo começa nos eventos da infância de Isaac e Garet, dois rapazes da cidade de Vale que foi parcialmente destruída após o despertar do Mt. Aleph, um vulcão até então dormente onde existe um templo que esconde vários segredos sobre o mundo. Weyard é um mundo plano que se parece com uma ilha flutuante onde a água dos oceanos jorra pelas bordas da terra. De imediato vemos que estamos diante um jogo onde a fantasia reina sobre o que é fisicamente possível, tirando partido do imaginário para criar ambientes únicos e memoráveis.

A aventura dos nossos dois heróis é a de resgatar Jenna, amiga de infância de ambos, e Kraden, um velho sábio com bons conhecimentos sobre a Alchemy, uma força que governa o mundo, e Psynergy que funciona como uma espécie de magia. Para além do trio de inimigos bastante curiosos que os obriga a partir nesta aventura, surge também um pedido de Wise One, um estranho ser que nada mais é que uma pedra gigante falante com apenas um olho: evitar que as quatro Elemental Towers (torres colossais associadas aos quatro elementos que governam o mundo) sejam acessas, pois Wise One afirma que o seu despertar irá trazer ruína ao mundo.

Estes quatro elementos têm planetas associados: água (Mercúrio), terra (Vénus), fogo (Marte), vento (Júpiter), com um papel fundamental tanto na história da série tal como nas personagens. O que aparenta ser uma simples história de resgate rapidamente ganha toda uma grandiosidade que ainda hoje é bastante bem recordada pelos fãs. Depois de ter os pilares bem estabelecidos empurra o jogador para um mundo fantástico onde rapidamente passa a conhecer Ivan e Mia, os restantes personagens que formam a equipa, e juntos vão descobrindo mais sobre o mundo e o que é a Alchemy. Pelo percurso exploramos os mais distintos cenários, como cidades com histórias próprias a resolver, florestas falantes, templos repletos de armadilhas e até um longo mar.

Uma das mecânicas principais enquanto exploramos o mundo é toda uma componente de enigmas que temos de resolver para prosseguir, puzzles onde no geral usamos o poder da Psynergy para empurrar estátuas, apanhar objetos, ler mentes e revelar segredos, entre muitos outros. Durante todo o jogo somos recebidos por vários quebra-cabeças muitas vezes comparáveis aos da série Legend of Zelda, por raramente se repetir a mesma fórmula em demasia e por surpreender sempre com novos enigmas geralmente associados ao ambiente onde nos encontramos. Uma mecânica única, muito raramente usada em jogos ao estilo RPG e que trouxeram algo que diferenciasse a série Golden Sun.

Mas não é apenas na exploração que a magia acontece, pois durante as batalhas lidamos com um sistema que, embora aparente ser simples torna-se complexo em alguns aspetos, devido aos Djinn que atribuem classes aos personagens, cada uma delas com um conjunto de ataques e estatísticas. Numa fase inicial começamos por usar o Djinn que partilhe o mesmo elemento do personagem que o tem equipado, mas rapidamente nos encontramos a explorar combinações diversas que desbloqueiam ataques únicos, novas classes e até mesmo Psynergy para ser usada nos cenários do jogo para explorar cantos secretos. É interessante criar combinações e descobrir as que melhor se adaptam ao nosso estilo de jogo, e rapidamente nos vemos a não usar Djinns de Venus em Isaac, por exemplo, embora ambos partilhem o mesmo elemento.

Como se não bastasse todo um jogo de combinações temos uma forte dinâmica durante as batalhas que envolve invocar os Djinn, cada um deles com habilidades próprias quer de ataque ou suporte. Quando os invocamos tornam-se inativos, retirando os bónus de diversas estatísticas e ficamos também sem algumas Psynergy, ou até mesmo as combinações de ataques únicos conseguidos devido à mistura de Djinns de elementos diferentes. Claro que nem tudo se perde e para além da ajuda das diversas habilidades dos Djinn, um determinado número de invocações permite-nos utilizar divindades extremamente poderosas que nos dão alguma vantagem nas batalhas. Após o seu uso (e alguns turnos) os Djinn voltam a tornar-se ativos, trazendo consigo todas as estatísticas e ataques, prontos a serem usados novamente.

Existem muitos Djinn a procurar no mundo, uns mais fáceis de encontrar que outros, e vários são os que temos de derrotar para os poder usar, sendo recomendável encontrar todos se quisermos ter os nossos personagens o mais fortes possíveis. Existem ainda diversas armas que possuem ataques que são usados aleatoriamente durante um simples ataque e itens únicos que quando equipados nos dão classes únicas, associadas a eles. Tudo isto num sistema de batalha bastante rico e dinâmico, que pode ser bastante simples bastando apenas equipar os personagens com Djinns dos elementos correspondentes, evitando assim uma mudança constante de ataques.

É um mundo rico em detalhe, com visuais fantásticos e uma banda sonora de excelência, que em 2001 (2002 na Europa) deixaram muitos entusiasmados por mostrar o que a Game Boy Advance era capaz de fazer, um enorme salto da anterior consola portátil da Nintendo. Acima de tudo foi uma grande aventura em formato portátil capaz de rivalizar com muitos títulos lançados até então nas consolas domésticas, não só devido à sua história como a própria jogabilidade, quer durante as batalhas ou até mesmo na exploração do mundo.

Contudo foi apenas a primeira metade de uma grande aventura na GBA e podemos apenas ver a conclusão desta história em The Lost Age. Jogar Golden Sun quer na televisão ou no Game Pad podia implicar perder muita da riqueza dos visuais devido ao aumento dos pixeis, mas a emulação por parte da M2 encontra-se boa e, com cores vibrantes, dando uma nova camada a este clássico. Jogar Golden Sun numa televisão transmite a sensação que podia muito bem ter sido um clássico RPG da Super Nintendo.


É um jogo obrigatório para todos os amantes de RPGs no geral e que possuam uma Wii U, quer para matar saudades deste clássico ou para descobrir o início de uma série que, depois dos eventos de Golden Sun: Dark Dawn deixou muitos a pedir um quarto título. É bom re-descobrir este jogo e ver como as suas mecânicas ainda hoje são bastante únicas e, enquanto não chega The Lost Age, podemos já começar a aventura para nos preparar para a sua conclusão.