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28 de setembro de 2013

SteamWorld Dig


É costume dizer-se que não devemos julgar um livro pela capa. Diz o bom senso que, o que é visível à superfície, não revela o que está no interior e, por isso mesmo, devemos conhecer algo em profundidade antes de estabelecer um julgamento. Quando Rusty chega à velha cidade mineira, a sua missão é a de escavar uma simples mina à procura de ouro. Mais um jogo como tantos outros de escavar minas, apanhar pedras preciosas, vender e escavar mais, portanto? Não, muito pelo contrário.

SteamWorld Dig é uma metáfora para si próprio: a aventura e as descobertas de Rusty naquela mina são comparáveis à relação do jogador com o próprio jogo. Quanto mais se escava, mais se descobre acerca deste mundo steampunk e do passado daquelas minas, ao mesmo tempo que se descobre que este jogo é muito mais do que se poderia esperar. Afinal, esta mina esconde segredos ancestrais, à espera de ser desenterrados...

  

No começo do jogo, apenas se pode escavar e recolher tesouros, para depois vender e adquirir melhorias para o personagem que lhe permitam chegar mais longe. Porém, ao fim de algum tempo, começam a surgir outras coisas dentro da mina, como passagens secretas para explorar, onde se escondem novos poderes e habilidades para Rusty. Correr, saltar mais alto, um punho de ferro... aos poucos, vamos deixando de simplesmente escavar e começando a jogar um jogo de plataformas.

A grande parte das plataformas são criadas pelo jogador através das suas próprias escavações, o que faz desta uma experiência bastante personalizada. Conforme se vai aprofundando a exploração, são apresentados novos cenários e mistérios. De onde vieram estes poderes? O que é que o destino tem reservado para Rusty? A resposta a estas questões implica voltar a sítios já visitados, para descobrir novos caminhos graças às habilidades entretanto adquiridas. Soa familiar? Sim, afinal estamos a jogar um metroidvania.


O dilema de analisar um jogo como este está entre deixar ou não que o leitor se surpreenda da mesma forma que o autor da análise. No entanto, o jogo omitir a sua verdadeira essência é simultâneamente o que o faz passar despercebido para muitos jogadores e o que o torna tão viciante para quem só queria um joguinho sobre escavações. A junção de temáticas western e steampunk também contribui bastante para o apelo deste título, com gráficos simples mas muito bem executados e uma banda sonora subtil mas bastante agradável.


Com cerca de 7 horas de duração, a sensação de descoberta é uma constante até ao último minuto em que tudo é revelado, gratificando o herói da mesma forma que o jogador por se ter aventurado em ir além da superfície nem ficar pelas primeiras camadas. SteamWorld Dig é um jogo brilhante e uma aventura executada na perfeição, um dos melhores títulos já lançados na eShop da Nintendo 3DS.