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27 de setembro de 2017

Destiny 2


Quando chegou ao mercado em 2014, Destiny teve uma recepção complicada. Apesar de um grande entusiasmo e expetativa, o jogo foi lançado num formato que a grande maioria dos jogadores (e a crítica) considerou incompleta. Problemas que seriam abordados ao longo destes últimos anos com o lançamento de novas expansões, mas ofuscaram o que poderia ter sido um lançamento brilhante. Agora, a aventura épica está de regresso com uma épica sequela que demonstra uma enorme evolução em relação ao anterior.

Destiny 2 começa quando uma raça alienígena, Cabal, aparece do nada e ataca o Traveler, entidade que conferiu poderes sobre-humanos aos terráqueos. O seu líder, Ghaul, é um supervilão que está disposto a aniquilar o que for necessário para se apoderar dos poderes do Traveler, tudo isto para que se sinta um verdadeiro deus. Compete a nós, jogadores, ser o primeiro Guardião a recuperar a Luz (o poder do Traveler) e lutar para defender a Terra desta nova ameaça. Para nos ajudar, teremos milhares de outros jogadores de todo o mundo a combater esta e outras espécies alienígenas num confronto de proporções épicas.


Tal como o jogo anterior, este é um RPG / FPS de mundo partilhado que podemos jogar de várias formas diferentes, como fazer a campanha completa com uma equipa de amigos, grupos de desconhecidos ou até mesmo uma aventura a solo. A grande novidade, neste aspecto, é que agora a campanha não é algo que se seleciona no menu, mas que começa e termina no contexto do mundo partilhado com outros jogadores. O que isto significa é que podemos ir a solo ou com uma equipa para a região onde é esperado fazer a missão e, pelo caminho, ver os restantes jogadores nas suas atividades, podendo ajudá-los. O mesmo acontece no final da missão, que habitualmente nos deixa precisamente nesse mundo, em vez de nos trazer de volta à órbita. Os menus estão menos presentes e a experiência torna-se muito mais coesa. É impressionante a forma como muitas vezes não nos apercebemos quando o jogo transita entre modos, tudo acontece naturalmente.

A aventura divide-se principalmente entre o modo campanha e o modo público, sendo que todo o jogo pode ser jogado em equipa (Fireteam), salvo missões específicas para um só jogador que servem para avançar certas partes da história. Para quem se quer focar em jogar apenas a história, o modo público servirá essencialmente como um meio para fazer "grinding" e subir o nível do personagem ou obter melhor equipamento. No entanto, há imensas coisas interessantes para se fazer fora da história principal. Em cada planeta, há um mapa extenso para explorar, onde além das patrulhas e eventos públicos é possível encontrar "aventuras", missões secundárias com boas recompensas. Para quebrar a rotina do co-op, existe ainda o Crucible onde os jogadores podem competir entre si, também em troca de boas recompensas. Quem não gosta de "loot"? Em suma, o conteúdo é realmente extenso e prolonga a vida do jogo muito além do objetivo de derrotar o mau da fita.


Destiny 2 tem tudo o que é bom numa sequela. É um jogo com mais acção, mais conteúdo e muito melhor história, com personagens interessantes e sequências de animação absolutamente espectaculares. Não deixa de ser estranho jogar na pele de um Guardião "especial" quando sabemos que todos os outros jogadores ouviram a mesma ladainha, mas o mesmo pode ser dito da maioria dos jogos online com uma história em torno do protagonista. Gráficos excelentes (numa PS4 normal, agora imagine-se numa PS4 Pro) e banda sonora envolvente - aliás, é um jogo que prefiro jogar de headphones devido à qualidade do som!

Também a jogabilidade não desilude, com controlos bastante acessíveis e uma AI dos adversários relativamente acessível. Algumas armas e ataques especiais permitem-nos jogar com o personagem visto na terceira pessoa, modo em que os controlos funcionam perfeitamente bem apesar do jogo ter sido pensado como um first-person shooter. O maior problema que encontro neste jogo é o tempo livre que requer dos jogadores: Destiny 2 simplesmente não é adequado a pequenas sessões. Meia hora disponível para jogar? É melhor escolher outra coisa. Este jogo é imersivo, envolvente, mas também exigente, com longas missões e sequências de história. Dificilmente uma sessão curta irá oferecer algo gratificante. Por outro lado, o jogo é perfeito para ocupar uma tarde ou noite inteira a jogar com amigos online.


Excluindo então aqueles que não terão tempo para o jogar, Destiny 2 oferece um pouco de tudo para todos os gostos e é um jogo diferente para cada um. Na minha experiência, é um jogo single-player, que posso jogar em modo cooperativo sempre que quiser, e no qual encontro outros jogadores a tratar das suas vidas, aos quais gosto de me juntar para os eventos públicos, mas longe do modo competitivo. Para outros, será uma experiência completamente diferente - muitos levarão semanas até concluir a história porque estiveram entretidos noutras atividades. Já o que mais aprecio no jogo é a diversidade de inimigos que podemos encontrar, com múltiplas facções em guerra desde os grotescos Hive aos robóticos Vex, sem esquecer, claro, os novos Cabal. Há também que contar com a longevidade do multijogador, pois o calendário de atividades públicas in-game servirá muitas vezes de motivo para reunir a Fireteam e voltar ao jogo.


Destiny 2 é um jogo espetacular e o seu maior triunfo está na acessibilidade. É extremamente fácil começar e aprender as mecânicas do jogo, independentemente de se ter jogado o anterior ou estar familiarizado com o género. Com uma história empolgante para a campanha e mundos abertos recheados de atividades para o multijogador, temos aqui um jogo capaz de ocupar o nosso tempo durante meses se a isso estivermos dispostos. Um dos títulos que mais gostei de jogar este ano na PlayStation 4, também disponível para Xbox One e PC.


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela SIEE.