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9 de junho de 2017

Tekken 7


Tekken é uma daquelas séries que praticamente todos conhecem, por ter sido um título marcante na PlayStation. Lembro-me perfeitamente de ter sido o primeiro jogo que tive para a consola, juntamente com o primeiro Crash Brandicoot, e foi preciso uma procura desenfreada de loja em loja até encontrar o jogo. Foi um fenómeno que assisti pessoalmente, quer ao passar tardes inteiras com amigos, todos colados em frente a um pequeno televisor, ou ainda por ouvir falar de Tekken por estar num daqueles CDs de demos, que na altura acompanhavam as revistas de jogos.


Era visto como um rival a sério de Virtua Fighter, jogos que saltavam para o 3D enquanto outros jogos de luta mais clássicos como Street Fighter, continuavam "presos" nas duas dimensões. Os gráficos mega realistas que se resumiam a conjuntos de simples blocos quadrados, eram o melhor que existia, com sequências de animação ainda mais detalhadas. Anos mais tarde surge Tekken 3, que continuou a trazer longas sessões de porrada (digital) entre amigos, mas a sua estreia na PS2 com o 4.º jogo acabou por ficar algo esquecida, tendo sido revitalizado em Tekken 5.

O mais recente capítulo da saga da família Mishima chega agora, onde Heihachi lança um novo King of the Iron Fist Tournament com o objetivo de reunir os lutadores mais fortes do mundo, de forma a mascarar os seus próprios objetivos. Mas o torneio acaba por ser irrelevante: afinal o mundo está envolvido em guerra entre o grupo Mishima Zaibatsu e a G Corporation, numa luta pelo controlo dele. É absurdo, talvez demasiado e ao mesmo normal, pois afinal Tekken sempre teve uma história estranha, até mesmo exagerada mas que já fazem bem parte do charme da série, onde demónios são bastante comuns, e robôs, adolescentes e animais mestres das artes marciais partilham o ringue. No meio disto tudo surge Kazumi, a falecida mulher de Heihachi e mãe de Kazuya, que embora esta seja a estreia dela na série, é das personagens mais importantes.


São vários os personagens, a maioria deles familiares, mas também com estreias no roster mas que quase todos não têm participação na história. No geral são diferentes, longe dos tempos dos Tekken em que quase metade do elenco era clones de outros personagens. Existe ainda a forte possibilidade (atrevo-me a dizer mesmo que é garantido) que novos serão lançados através de DLCs, bastando olhar para certos personagens contra quem lutamos no modo história, mas que não podemos jogar com eles. É particularmente ridículo não poder jogar com uma certa personagem que enfrentamos nesse modo, e infelizmente longe vão os tempos em que desbloqueávamos personagens ao terminar o simples modo Arcade.

Temos os modos de jogo esperados, desde o principal Story: The Mishima Saga, ao modo Arcade, VS e batalhas Online (ranked, sem classificação e ainda torneios) que são frequentemente usados. Existe também o modo Treasure Battle, que vejo-o como uma espécie de Survival Mode que muitas vezes jogava em Tekken 2, mas que aqui permite desbloquear roupas, acessórios, elementos visuais para o nosso perfil de jogador, e dinheiro in-game para comprar tudo o resto.

Visualmente o jogo é bastante bom, com personagens bastante detalhados e imensos efeitos visuais durante as batalhas. Os cenários também são bem detalhados, e acompanhados por músicas que, embora não fiquem no ouvido, acompanham bem os níveis. Existem alguns casos de clipping infelizes, em que roupas mais largas se "prendem" nos personagens, mas nada que durante o combate seja distrativo. Por falar em roupas, existem várias para desbloquear e vestir os nossos personagens, mas infelizmente as peças são partilhadas entre os personagens, acabando por existir poucos elementos únicos a cada um deles.


Há personagens para todos os gostos, desde os mais práticos onde a arte do button mashing permite efectuar várias combinações, aos mais técnicos como é o caso de Akuma, o famoso demónio de Street Fighter que aqui surge como convidado. É talvez dos personagens mais curiosos e interessantes que do jogo, pela sua forte integração na história, e a sua jogabilidade à Street Fighter, onde facilmente efectuamos Hadokens, Shoryukens e Tatsumakis, e tem ainda a barra "Super", exclusiva dele. Não deixo de pensar se este será um resultado de Tekken x Street Fighter, que nunca viu a luz do dia, e gostei bastante de jogar com Akuma ao ponto de pensar se o Ryu ou Chun-Li não fossem adições interessantes em futuros DLCs.

Com vários estilos de combate diferentes, dos mais realistas aos mais estranhos, é muito fácil escolher um ou vários favoritos com que jogar. O sistema de combate é bastante sólido, idêntico ao que a série tem vindo a oferecer e bastante polido, focando-se no uso de combinações, aproveitar as falhas do adversário e, se possível, lança-lo ao ar e continuar a atacar sem que este caia, atingindo com o máximo possível de ataques. Uma novidade em Tekken 7 são as Rage Arts, ataques especiais possíveis de usar apenas quando o personagem se encontra em Rage, ou seja, quando a sua vida está baixa. É uma espécie de ataque de último recurso, que pode dar uma grande reviravolta à luta, que se torna mais empolgante quando termina um close-up em câmara lenta, e vemos um "Great" no ecrã, que consegue ser mais satisfatório que o já tradicional "Perfect".



Um pormenor que acho bastante interessante em Tekken é cada personagem falar na sua língua, e perceberem-se todos como se estivessem a falar numa só. É mais um daquelas coisas que tornam Tekken absurdo e ao mesmo tempo único, pois quer em breves lutas ou nas sequências de história. Ter diálogos em que um personagem fala japonês, obtém uma resposta em inglês e outra em italiano, é estranho mas funciona! Existe ainda português (do Brasil), francês, espanhol, árabe, entre outras nacionalidades.

Pegando novamente na história, este jogo é o último capítulo da saga do clã Mishima, e a história serviu para ligar uns pontos que têm vindo a estar meio ignorados na série, como é o caso de Kazumi ou os motivos que levou Heihachi a querer matar o seu próprio filho. Ficamos a saber melhor o que aconteceu, embora a história continue tão confusa e estranha como sempre foi, tudo isto contado por um repórter (sem nome) que narra também a história. Embora as ilustrações que a acompanham sejam boas, tal como as sequências de vídeo, a voz monocórdica e aborrecida do narrador tornam-na entediante, e ainda com capítulos que duram menos de 5 minutos. Também bastante fracas estão as histórias paralelas de cada personagem, que se resumem a uma breve luta, uma curta sequência e pouco desenvolve.


Tekken está assim de regresso para demonstrar que ainda sabe ser um grande jogo de luta ao estilo 3D, e concluir a história da família Mishima embora que isso, talvez, não vá mudar muito a direção dos próximos jogos da série. Afinal já vimos tantas coisas impensáveis que se tornaram banais. Quando resumido ao que importa como jogo de luta, é muito fácil de recomendar face à acessibilidade dos controlos, e ao mesmo tempo ser um desafio para os mais experientes, podendo jogar em níveis de dificuldade que nos fazem suar!


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para PC, gentilmente cedido pela Bandai Namco Entertainment Europe