Notícias

Análises

27 de maio de 2015

Splatoon


A nova franquia da Nintendo tem sido o centro das atenções dos fãs da empresa e não só. Isto, porque o primeiro shooter multijogador online a sair dos estúdios da EAD oferece uma mecânica bastante original, com personagens carismáticas e um estilo artístico que recorda do punk dos anos 90 e jogos como Jet Set Radio. O pior é que é mesmo viciante! Estará lançado o novo grande sucesso da Nintendo?

O conceito do jogo é simples: duas equipas de 4 elementos enfrentam-se em arenas pela ocupação do território, marcando-o com tintas coloridas. Estes combates, conhecidos por Turf War, são a essência de Splatoon e a primeira coisa que os jogadores poderão fazer após um breve tutorial para aprender os controlos. Os adversários são pessoas de todo o mundo escolhidas aleatoriamente, mas é possível procurar amigos que estejam online para se juntar às suas batalhas. Mesmo que um grupo de 8 jogadores se mantenha ao longo de vários combates, a constituição das equipas é sempre sorteada, fazendo com que o maior rival de um combate se possa tornar um forte aliado na ronda seguinte. O resultado desta política é uma tendência para batalhas mais equilibradas sem necessidade de agrupar jogadores por níveis de experiência.

A jogabilidade é muito simples e de aprendizagem rápida, com um botão para controlar os movimentos, outro para disparar e ainda o giroscópio do GamePad para controlar a câmara (que pode ser desligado e trocado pelo segundo analógico) com sensibilidade de câmara ajustável. Ao deslocar-se sobre a tinta da cor da sua equipa, o personagem desloca-se mais rapidamente, ficando invisível caso se transforme em lula, adquirindo a capacidade de nadar pela tinta e até subir paredes desta forma. Por outro lado, a tinta da cor adversária irá dificultar os movimentos do personagem e deixá-lo mais vulnerável aos ataques inimigos. No ecrã do GamePad é possível visualizar em tempo real o estado do jogo e a localização dos aliados, bastando um toque nos mesmos para que o personagem dê um salto até junto deles.


Há três principais categorias de armas, dividindo-se entre as bisnagas automáticas, as armas de longo alcance e os rolos de tinta. Embora todas tenham as suas vantagens e desvantagens, as de longo alcance são menos vantajosas no modo Turf War onde o objetivo é pintar a maior quantidade de território possível. Os rolos, por outro lado, permitem pintar rapidamente uma grande área, tendo um forte poder de ataque cobra adversários que surjam pelo caminho, mas também fazem dos seus utilizadores alvos muito apetecíveis. Além destas, existem armas secundárias e especiais, que são obtidas e equipadas em conjunto com a principal escolhida, não havendo combinações personalizadas. Existe ainda um modo bastante útil para testar as armas antes de comprar e experimentar novos estilos de jogo.

Em Splatoon, a experiência é muito importante, sendo baseada nos resultados da Turf War. No final de cada combate, o jogo recompensa os jogadores de acordo com a sua prestação individual a marcar território, oferecendo um bónus aos elementos da equipa vencedora. Conforme se acumula pontos neste modo, vai-se também se subindo de nível, o que permite desbloquear novas armas e comprar novos equipamentos (a partir do nível 4). A única forma de progredir é combater e subir a reputação perante os comerciantes de Inkopolis. Os novos equipamentos, além do estilo que dão ao personagem, oferecem novas habilidades que poderão ser muito vantajosas em combate, pelo que as estratégias de jogo também deverão ter este factor em consideração.

Ao todo, existem 5 arenas diferentes para combates, mas apenas duas estão disponíveis em cada momento, sendo anunciadas pelas irmãs Callie e Marie. A cada 4h é anunciada uma rotação dos cenários, que pode levar os jogadores a querer mudar de equipamento e estratégia, visto que cada arena favorece certos tipos de armas. Cada um terá as suas arenas favoritas, mas a rotação faz com que todas sejam jogadas por igual, evitando cenários cheios de jogadores com outros pouco jogados. Os cenários mais estreitos que colocam as duas equipas frente a frente oferecem ação mais intensa, onde rapidamente se forma uma fronteira entre os dois territórios e que cada equipa tenta "empurrar", enquanto as arenas mais largas promovem uma experiência mais caótica.



Quando um grande número de jogadores tiver atingido o nível 10, o que da experiência de análise poderá demorar um pouco mais de uma semana, será disponibilizado o modo Ranked Battles para jogadores acima desse nível, oferecendo combates mais intensos e que se estreia com Splat Zones. Aqui serão definidas 1 ou 2 zonas específicas da arena, sendo que o objetivo é tomar o controlo das mesmas e mantê-lo o maior tempo possível defendendo o território. Em futuras atualizações gratuitas já anunciadas, a Nintendo irá acrescentar novas arenas e modos de jogo adicionais para as Ranked battles.

Para quem quiser jogar offline, há ainda um simples modo para dois jogadores onde competem para ver quem consegue rebentar o maior número de balões num tempo limite. Embora seja suficientemente divertido para mostrar as mecânicas do Splatoon a um amigo, este modo não passa de uma pequena distração em comparação com os modos online e o modo para um jogador.



Tendo em conta o quão focado é este título na componente online, a vertente offline é bastante surpreendente: uma espécie de jogo de plataformas 3D, mas com as mecânicas de Splatoon inseridas na jogabilidade. Um grupo de criaturas rivais dos Inklings, conhecidas por Octarians (polvos), raptou o Great Zapfish, o principal responsável pelo fornecimento de eletricidade da luminosa praça central de Inkopolis. Compete agora ao jogador atravessar um vasto conjunto de níveis onde os polvos guardam pequenos peixes Zap, abrindo alas até chegar ao boss final, deixando para trás um colorido rasto de tinta.

Embora os primeiros níveis pareçam bastante simples, a dificuldade e intensidade da experiência aumenta consideravelmente à medida que os níveis vão ficando cada vez mais criativos e divertidos. Há cinco mundos ao todo, todos eles com vários níveis e governados por um nível de boss que resulta numa batalha espectacular. O jogo é facilmente comparável a um Super Mario Galaxy, com muitas semelhanças tais como a estrutura de mini cenários exploráveis, a forma de viajar pelo ar entre eles e até a forma como novas mecânicas são apresentadas em todos os níveis para uma experiência sempre fresca. Infelizmente, a escassa repetição de ideias faz com que este modo seja um pouco menos extenso do que o desejado, deixando a chorar por mais após a derrota do boss final, que por sinal é um dos combates finais mais épicos dos últimos tempos num jogo da Nintendo.

Existe uma forma de expandir o jogo offline, através das figuras amiibo. No lançamento, o jogo é compatível com 3 destas figuras, criadas especificamente para o Splatoon, que oferecem um conjunto de missões e permitem desbloquear itens exclusivos no jogo. Infelizmente, não foi possível testar esta componente, uma vez que as figuras amiibo só estarão disponíveis na data de lançamento do jogo. Adicionalmente aos conteúdos gratuitos já anunciados para futuras atualizações, as figuras amiibo têm potencial de ser outra forma de lançar conteúdos extra para este título. 



Esta análise foi elaborada com base numa versão Pre-Release Review fornecida pela Nintendo aos diversos meios de comunicação, pelo que a experiência de jogo online se baseou num público já bastante conhecedor de jogos, o que pode ter contribuído para umas sessões de jogo mais intensas. No entanto, nas 4 sessões de teste público (disfarçadas de demo gratuita com o título Global Testfire), foi possível verificar que os jogadores rapidamente se adaptam e começam a experimentar novas armas e estratégias. De todas estas sessões de jogo, apenas no último Global Testfire se notou uma sobrecarga dos servidores causada pelo crescente interesse dos utilizadores da Wii U, fazendo acreditar que está tudo a postos para a data de lançamento.

Com personagens carismáticas, uma mecânica de jogo extremamente viciante e um plano de atualizações gratuitas para manter a sensação de novidade, Splatoon tem tudo o que é preciso para ser um dos jogos de maior sucesso na Wii U. Resta saber se a comunidade online irá ou não aderir e manter este jogo vivo durante muito tempo, já que a vertente multijogador é o seu principal factor de venda. Dito isto, o modo para um jogador é também um elemento importante que, mais do que desbloquear itens para o online, oferece uma boa dose de excelente conteúdo que só peca pela curta duração - mas aquela batalha final, essa ficará nas memórias desta geração.