Notícias

Análises

1 de julho de 2014

Breath of Fire II


A Super Nintendo foi o palco principal de grandes séries de RPG da sua geração, desde novos títulos de séries como Final Fantasy e Dragon Quest, velhos clássicos imortalizados como Earthbound e Chrono Trigger ou até apostas diferentes como Super Mario RPG, que levou o canalizador ao mundo das batalhas por turnos. Foram vários os títulos do género que ainda hoje são bem recordados pelos fãs, cujas séries favoritas foram acompanhando as gerações de consolas.

Breath of Fire foi a aposta da Capcom num género que ainda não tinha explorado, criando para esse efeito todo um novo universo de criaturas mitológicas diversas em torno do protagonista Ryu, um herói que não deve ser confundido com o veterano lutador de Street Fighter. O primeiro jogo, lançado para SNES em 1993, foi bastante bem recebido pelos fãs do género, o que rapidamente levou ao lançamento da sequela no ano seguinte, usando o mesmo universo mas num mundo bastante diferente do primeiro título, onde se mantêm apenas raças e nomes de algumas personagens como é o caso de Ryu e Nina, um ponto chave que se manteve presente em todos os capítulos da série.

A história de Breath of Fire II tem o seu início na infância do protagonista, que rapidamente se vê separado da sua família e longe do local onde cresceu, tendo apenas a companhia do seu melhor amigo Bow. Já em adulto uma sucessão de eventos obriga-o a explorar o mundo e, o que começa por ser uma simples procura por uma ladra sucessivamente se torna numa viagem onde Ryu vai descobrir mais sobre si, sobre o seu clã e sobre um mundo onde um demónio tem ganho força aos poucos, e que Ryu e companhia se vêm no papel de o derrotar.

O desenvolvimento do enredo é bastante semelhante a muitos outros jogos do género, onde em cada novo local há um problema a resolver e só avançamos na história assim que concluímos essa situação. Mas o que poderia ser apenas mais um título idêntico a muitos outros acabou por se revelar bastante interessante, devido às personagens que vão surgindo (jogáveis ou não), a exploração do mundo e o desenvolvimento da história principal, que nos acompanha desde o início do jogo embora não tenhamos total consciência disso.

Em termos de jogabilidade é um simples RPG com batalhas por turnos, onde a prioridade dos ataques é definida pela velocidade dos personagens e inimigos presentes na batalha. Cada um dos heróis tem um leque de habilidades próprias, que compõem equipas até um máximo de 4 personagens, que no decorrer do jogo vai mudando constantemente devido à história, ou a partes do mundo que são apenas acessíveis através de habilidades que alguns personagens têm fora das batalhas.

Visualmente é um jogo interessante, apesar de algo datado, com cenários diversos que ajudam no desenvolvimento do mundo do jogo. Estes ganham bastante vida muito por causa da banda sonora, que embora muitas vezes sejam repetidas as mesmas músicas (algo que caracteriza muitos jogos da época) geralmente é empolgante, como por exemplo no caso das músicas das batalhas.

Um dos pontos chave da série é a diversidade das personagens principais do jogo, pois todas elas pertencem a raças diferentes que vão buscar inspiração a animais, máquinas e até mesmo plantas. No caso de Breath of Fire II não existe um único personagem humano: Ryu pertence ao White Dragon Clan; o seu melhor amigo Bow é um cão antropomórfico; Nina é uma princesa do clã de criaturas aladas; Katt é uma guerreira que pertence a um clã de felinos. Existem outros mais personagens que se vão juntando a nós durante o jogo, todos eles com habilidades distintas que nos levam a definir bem as nossas táticas no campo de batalha.

No geral é um jogo bastante acessível mesmo para os que não são fãs do género, que no seu início temos apenas Ryu presente na equipa e que demora um pouco até ter uma equipa completa. No entanto não é um jogo penoso, onde a derrota nos leva ao ponto de gravação mais próximo (tal como em Dragon Quest), e são bastantes os pontos onde podemos recuperar energia. Durante o percorrer do jogo temos ainda um sistema de fusões que, para além de alterar a aparência dos nossos personagens garantem ainda habilidades e estatísticas mais fortes, facilitando bastante o percurso do jogo.


Se gostam de RPGs retro, ou têm alguma curiosidade a explorar um destes jogos, Breath of Fire II é uma excelente aposta, e graças ao sistema de savestates o jogo torna-se mais acessível. Curiosamente o primeiro jogo da série ainda não se encontra disponível no catálogo de Virtual Console, pois os responsáveis pela distribuição do jogo fora do Japão foi na altura a Squaresoft, mas o seu lançamento neste serviço foi anunciado recentemente pela Capcom.