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1 de abril de 2013

Fire Emblem, por Ivo Silva – Parte III: Fuga para o Ocidente

Terminamos aqui a nossa retrospectiva da série Fire Emblem. Após dois artigos dedicados aos tempos em que esta épica saga da Nintendo se manteve restrita ao Japão e toda uma viagem pela banda sonora dos vários jogos já editados, olhamos agora para os jogos publicados desde o início do século até aos dias de hoje. O catalizador da transição para o ocidente foi algo bastante surpreendente e fez com que, desde então, quase todos os conteúdos da série tenham sido publicados por cá... algo que poderão descobrir em seguida. Para todas as publicações deste especial Fire Emblem no Meus Jogos DS, podem aceder aqui.

Parte III – Fuga para o Ocidente

Em 2001, é lançado internacionalmente Super Smash Bros. Melee para a nova consola da Nintendo, a GameCube. Esta sequela do aclamado jogo da N64 vai trazer consigo um conjunto de novas personagens. Duas delas quase não viram a luz do dia no Ocidente: estou a falar de Marth e Roy. Ambos eram personagens da série FE, uma série totalmente desconhecida fora do Japão, pelo que não valeria a pena incluí-las nas versões americanas e europeias do SSBM. No entanto, e depois de experimentarem a versão japonesa do jogo, os representantes americanos da Nintendo vão discordar da decisão da casa-mãe, o que vai conduzir, em última instância, a que ambos as personagens surjam também nas versões dos EUA e da Europa. Marth e Roy revelar-se-iam extremamente populares. Estava dado o primeiro passo para a internacionalização de FE.

Antes desse salto, todavia, 29 de Março de 2002 marcaria o lançamento de Fire Emblem: Fuin no Tsurugi (Sword of the Seal ou The Binding Seal), exclusivo do Japão. Lançado para o Gameboy Advance, este foi o primeiro titulo da série a estrear numa portátil. A história passa-se no continente de Elibe, onde acompanhamos Roy – o integrante de SSBM um ano antes – na sua luta contra o corrupto Reino de Bern. Roy conta com o auxílio da princesa Guinevere, irmã de Zephiel, o vilão da história. A Roy está incumbida a missão de encontrar a Sword of Seals e derrotar, não um dragão, desta vez, mas um demónio monstruoso de nome Idoun, que ameaça lançar o caos na terra. Com 62 personagens disponíveis, este era, até esta altura, o com maior número de toda a série.

Ainda antes, em 2001, a companhia NTT Publishing lançou só no Japão um conjunto de Card Games baseados no terceiro, quarto e quinto jogos da série. A mesma companhia seria também, responsável pelos CDs de música de FE e por inúmeras mangas da série. A mais recente destas é Hasho no Tsurugi, que conta com três personagens novas, criadas propositadamente para a manga. São elas, o herói Al, o heavy knight, Gant e a sacerdotisa Tiena.

Mas a grande revolução chegaria em 2003, com o sétimo jogo da série e o segundo do GBA a ser lançado no Japão: um ano depois seria publicado nos EUA e na Europa Fire Emblem: The Blazing Sword (Rekka no Ken), uma prequela do jogo anterior. Os protagonistas eram Hector, Lyndis e Elinwood, sendo este último o pai de Roy. A história tem lugar em Elibe e mostra os nossos três heróis envolvidos numa luta contra o feiticeiro Nergal, que pretende devolver os extintos dragões ao continente. Pelo meio, Elinwood e os restantes terão que enfrentar as forças do Reino de Laus e a perigosa quadrilha da Black Fang, precisamente para evitar a concretização deste objectivo. Blazing Sword vai trazer novidades, a nível da jogabilidade, nunca antes vistas em capítulos anteriores da série. É introduzido um tutorial, Lyn Tale, para ajudar os jogadores ocidentais a perceber as regras básicas do jogo. Existem ainda dois outros modos de jogo. A Elinwood tale, que consistia no grosso do jogo e a Hector tale, que era igual à anterior mas com alterações ligeiras para ilustrar as diferenças de perspectiva.
Este jogo incluía também um modo Hard, no qual havia menos dinheiro e unidades disponíveis para o jogador. Em contrapartida, a AI e o nível dos adversários era mais elevado. Com três personagens principais em vez de uma, como nos restantes FE, a possibilidade de obter um Game Over era bastante mais elevada: bastava, para isso, a morte de apenas uma delas. As unidades sentem os efeitos do terreno e do tempo no campo de batalha. Por sua vez, chegado ao nível 20, a promoção para uma nova classe apenas podia ser feita, mediante a utilização de uma Crest específica, que era obtida com o decorrer da aventura. Blazing Sword tinha ainda a componente Multiplayer do GBA, que possibilitava a quatro jogadores disputar batalhas de arena, entre si, com as suas personagens favoritas. O primeiro dos FE internacionais vendeu 331000 unidades só nos EUA e foi classificado com excelentes notas pela crítica. Foi este sucesso que cimentou a série e abriu o seu caminho para fora do Japão.

A 7 de Outubro de 2004 surge, no Japão, Fire Emblem: Sacred Stones (Seima no Koseki), o terceiro a ser lançado para o GBA e o segundo com lançamento internacional, a 23 de Maio de 2005 nos EUA e a 4 de Novembro de 2005 na Europa. Com uma história repartida por 22 capítulos e seis capítulos opcionais, este era um jogo no qual se podia optar por seguir dois caminhos distintos. Ou se optava pela princesa Eirika, ou pelo seu irmão Eiphraim. Mesmo assim, qualquer que fosse dos irmãos o escolhido,  o objectivo era o mesmo: a libertação do seu reino natal de Renais que foi invadido por Grado. Os irmãos descobrem, todavia, que um perigo maior ameaça não apenas a sua terra, mas todo o continente de Maevel. Grado pretende destruir as cinco pedras sagradas para, com isto, libertar a fúria do Rei-Demónio, Fomortiis.

Sacred Stones é um belo exemplo de longevidade pois, para além da vasta história que possui, tem ainda bastantes modos, nomeadamente o Multiplayer link arena, que regressa do jogo anterior, e o Creature Campaign. Neste último modo, o jogador tem duas áreas de jogo disponíveis, a Tower of Vaslui e as ruínas de Lagdow. A vitória em cada uma destas áreas permite desbloquear unidades inimigas, que de outra maneira não poderiam ser jogáveis. Este é o único FE, até à data, que voltou a incorporar um mapa navegável, do distante FE Gaiden, pelo jogador e hordas de monstros, que não dragões. Para além disso, existem batalhas fora do contexto da história, as chamadas de Skirmish, que possibilitam a obtenção de tesouros raros e permitem, aos jogadores melhorarem o seu nível, consideravelmente. Este é mais uma boa entrada na série, e mostrou que é possível conjugar ideias novas, com velhos conceitos que não se julgavam úteis. Foi uma boa despedida do franchise, do GBA, e eventualmente, encontraria o seu caminho como jogo download, via Embaixador, para a 3DS, em 2011.

A 20 de Abril de 2005, a série regressa às consolas domésticas no Japão, depois do hiato provocado pela N64. Fire Emblem: Path of Radiance, para a GameCube (ou Trail of the Blue Flame / Soen no Kiseki) estreia a 17 de Outubro nos EUA, a 4 de Novembro na Europa e a 1 de Dezembro, pela primeira vez, na Austrália. Este é o jogo que nos dá a conhecer um dos heróis mais populares da série, Ike. É também o primeiro a ser feito em 3D e a usar vozes para as suas personagens. Path of Radiance serve-se de um visual em cel-shading e conta a história do jogo com recurso, muitas das vezes, a belas sequências FMV. Este jogo introduz, pela primeira vez na série, uma nova raça: os Laguzes. Estes são humanóides capazes de adquirirem formas animalescas, caso a sua barra de transformação esteja cheia. A forma animal dos Laguzes, que pode ser uma de entre três diferentes (Beast, Birds e Dragons) dura até ao fim da barra. Os Laguzes têm a particularidade de não necessitarem de armas, precisamente por causa dessa transformação. Isto dá ao jogo uma nova vertente estratégica, que vem refrescar a mecânica da série. Este é, também, o primeiro a usar as preparações para antes da batalha. No acampamento, as personagens podem falar entre si, pontos de experiência podem ser distribuídos, informação e armas arranjadas. A história gira à volta do desejo de Ike em vingar a morte de seu pai, Greil, às mãos do infame Dark Knight. A questão é que o Dark Knight trabalha para o poderoso rei de Daien, Ashnard. Este inicia uma política de expansão e conquista, que começa com a anexação forçada do reino da Crimea. Ike, liderando os chamados Greil mercenaires, vai resgatar a princesa Elincia das hordas de Daien. Ike inicia então um duplo percurso: primeiro, devolver a Elincia o seu reino; segundo, vingar a morte de seu pai, ao matar o seu assassino.

Este brilhante jogo, recebe a sua sequela directa a 22 de Fevereiro de 2007, no Japão, para a mais nova consola da Nintendo, a Wii. Fire Emblem: Radiant Dawn (ou The Golden Dawn / Akatsuki no Megami) estreia a 11 de Novembro nos EUA, 14 de Março de 2008 na Europa e 10 de Abril na Austrália. O jogo permitia a um jogador do anterior fazer a transferência dos seus dados de um para outro. A mecânica e o grafismo são muito semelhantes aos vistos em Path of Radiance, mas a história está agora dividida em quatro partes, com um prólogo a introduzir e explicar cada uma delas. A história em questão passa-se três anos após a conclusão da primeira. O Império de Begnion anexou o derrotado reino de Daien e iniciou uma violenta guerra contra as nações laguzes do continente. Crimea, ainda a recuperar da guerra anterior, pede auxílio aos mercenários de Ike. Por sua vez, os habitantes de Daien são forçados, de novo, a uma guerra que não querem. Desta vez, lutam, através da sacerdotiza Michaiah, para restaurar o herdeiro ao trono de Ashnard e pela sua independência. Eventualmente, ambos os protagonistas, Ike e Michaiah, vão-se enfrentar no campo de batalha. O jogo foi bem recebido, sendo que a única crítica apontada foi a não utilização das funcionalidades do comando da Wii: este título jogava-se exactamente como o da GameCube. Numa entrevista para a Dengeki Nintendo DS, Hitoshi Yamagami revelou que tinham sido pensadas ligações Wi-fi e novos mapas e personagens DLCs, mas tais ideias foram abandonadas para manter a estabilidade do título.

O lançamento de Super Smash Bros. Brawl para a Wii, em 2008, trouxe muito conteúdo para os fãs de Fire Emblem. Marth regressa ao plantel de personagens seleccionáveis e a ele junta-se o que se veio a revelar muito popular Ike. O cenário Castle Siege, assim como muitas músicas da série, marcam presença em SSBB. De salientar que Lyn, um dos Lords de Blazing Sword, também aparece, mas como assist trophy.


Encerrado o capítulo Ike, a chegada da nova portátil Nintendo DS marca o aparecimento de dois novos jogos na série. O primeiro, Fire Emblem: Shadow Dragon (Shin Ankoku Ryu to Hikari no Ken) surge em 2009. Consiste em um remake do jogo original, que foi escolhido de entre os outros jogos da série através de votação, por altura do aniversário dos 25 anos da Famicom, no Japão. O jogo tem uma arte renovada, autoria do autor do ilustrador de Ghost in the Shell, Masanume Shirou. Os gráficos são aprimorados e os dois ecrãs perfeitamente usáveis. Também é possível, através do uso dos microfones embutidos na DS, falar enquanto se luta. Pode-se comprar items online e é possível gravar o jogo a meio das batalhas.

O segundo, lançado apenas no Japão a 15 de Julho de 2010, consiste num remake de FE Monsho no Nazo e incluía, também, as quatro partes da Akaneia Saga, com modo bónus. A história é acerca de Marth, que luta a chamada Guerra dos Heróis, acompanhado de um cavaleiro que é apenas conhecido como Herói das Sombras. Esta última personagem pode ser customizada à vontade do jogador. Fire Emblem: Heroes of Light and Shadow (Shin Monsho no Nazo: Hikari to Kage no Eiyu) tem quatro níveis de dificuldade, Normal, Hard, Maniac e Lunatic. Inclui ainda um modo Casual, sem morte definitiva, e Clássico, com a morte permanente presente. É em muito parecido com o jogo anterior, da DS, mas as suas funcionalidades online foram alargadas, para permitir o download de novos episódios.

A 19 de Abril de 2012, foi lançado no Japão o novo Fire Emblem: Awakening (Kakusei), para a Nintendo 3DS. Recebido como o melhor jogo de toda a série, foi já publicado nos EUA, a 4 de Fevereiro de 2013, e encontra-se à data de hoje como o jogo com as melhores críticas em 2013 e também um dos melhores da Nintendo 3DS. A sua chegada à Europa está prevista para precisamente um ano após o lançamento no Japão: 19 de Abril de 2013. Para o acompanhar, uma edição especial da Nintendo 3DS XL azul, com uma gravação alusiva à série. E mal podemos esperar!