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7 de setembro de 2012

Tales of the Abyss



A série "Tales of" já tem mais de 15 anos, e embora existam imensos títulos lançados, muito poucos foram aqueles que chegaram à Europa. Tales of the Abyss é apenas uma adaptação de um jogo de PlayStation 2 que nunca chegou cá (embora tenha saído nos Estados Unidos), sendo o suficiente para os fãs da série pois podem agora jogar o que é considerado um dos melhores da série. Também é um bom jogo para finalmente saciar a fome de RPGs na 3DS.

 
A história é bastante simples: Luke é um monarca e o sobrinho de um dos 2 mais importantes reinos do mundo, e que após um incidente de rapto anos antes viu-se preso na sua mansão, sem poder viajar para fora da cidade. Do mundo exterior só conhece o que o seu melhor amigo Guy e o seu mestre de espadachim, Van, lhe contavam. Mas foi num último treino que aparece Tear e, misteriosamente, ambos são tele-transportados imediatamente para bastante longe. Rapidamente vamos conhecendo as personagens principais do jogo, tal como os seus inimigos, e todos eles são distintos e memoráveis, evoluindo bastante ao longo do jogo.

O jogo é livre de random battles, podendo evita-las ou tomar vantagem sobre os inimigos. O sistema de batalha, embora que nos transporte para uma arena "separada" do mundo, é de ação onde controlamos 1 de 4 personagens (podendo trocar de personagem sempre que quisermos). A dificuldade das batalhas é decidida no Menu, tendo 2 modos iniciais (Normal e Hard) e 2, mais difíceis, que desbloqueamos após completar o jogo uma vez. Existem ainda muitas habilidades desbloqueáveis ao longo das batalhas (e algumas fora), tornando-as mais interessantes ao longo do jogo.

Sendo um port não deixamos de comparar esta versão com a original. Graficamente o jogo está idêntico ao original de 2005, apresentando alguns problemas a nível gráfico, principalmente nos modelos das personagens pouco definidos que geralmente apresentam texturas nas caras com baixa definição (precisava de um melhoramento no estilo do Ocarina of Time, nem que fosse só nos personagens mais importantes do jogo). Algo que não precisa de quaisquer melhorias é a banda sonora, que continua excelente passado estes anos todos, e tem alguns detalhes que não é habitual encontrar até nos RPGs mais recentes, como 3 músicas distintas para as batalhas e 2 para o mapa do mundo, ajudando no sentimento de evolução que o jogo transmite.

O jogo também não tira proveito do efeito 3D, sendo apenas notável em algumas situações quando a câmara se encontra mais próxima (geralmente esta está bastante afastada), e peca pela falta de anti-aliasing sem o 3D ligado. Aqui nota-se bastante falta de trabalho por parte da equipa, que se limitou apenas a importar o jogo e a desenvolver pequenos ajustes, como o suporte para o ecrã mais horizontal.

O ecrã táctil é bastante útil nas batalhas, apresentando 4 atalhos para ataques de personagens (sendo útil para colocar as magias de curar), e para fazer comida no fim de cada batalha (esta que cura ou atribui status). No resto do jogo apresenta um mapa do mundo bastante conveniente, quando exploramos o mesmo, e apresenta alguma informação sobre o jogo quando dentro das cidades.


É um jogo recomendado, principalmente para quem quer perder mais de 70 horas de jogo, no mínimo, numa história com bastante desenvolvimento e sem recorrer ao entediante grinding, que é muito visto no género. Há mesmo muito para falar sobre o jogo, algo complicado sem usar spoilers do mesmo, pois o jogo consegue dedicar bastante tempo a cada uma das personagens, não ignorando ninguém, até mesmo personagens secundárias ou vilãs. Temos ainda muita exploração com base em side-quests opcionais que tanto desenvolvem a história como nos dão recompensas bastante úteis.

Infelizmente não tem a opção de jogar com as vozes em japonês, que por muito boas que estejam as vozes inglesas, e com uma presença bastante recorrente no jogo, estas não existem nos tradicionais skits (sequências extra de diálogo entre personagens), que na versão japonesa está totalmente com voz. Embora seja um jogo excelente, não deixa de ser pena que mais poderia ser feito pelo jogo, ou oferecendo conteúdo extra que não existia no original, como por exemplo mais roupas para os personagens.