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23 de fevereiro de 2016

Shadow Puppeteer

Análise por Patrício Santos

Um jogo que em 2014 teve o seu lançamento de estreia no PC acaba de chegar à Wii U, para que os jogadores da Nintendo tenham conhecimento do trabalho indie que tem sido desenvolvido por equipas pequenas as quais se esforçam para singrar no mercado dos videojogos. Shadow Puppeteer conta com um estilo e arte únicos, e com uma data de puzzles para serem resolvidos, no entanto será que tudo isso chega para que o jogo nos impressione ou será um pouco mais do mesmo?

Em Shadow Puppeteer podemos contar com um jogo que descartou vozes e narração para nos contar a estória do início ao fim, não existe sequer um único diálogo presente, apenas uma comunicação gestual entre o nosso protagonista e a sua sombra. Como referi anteriormente, não existem quaisquer vozes ou textos para serem lidos, apenas sinais que nos indicam o que fazer ou que botão premir, além disso é possível reparar que o nosso protagonista, um pequeno rapaz, nem sequer tem uma boca, daí a sua comunicação ser gestual com o seu futuro amigo que é nada mais nada menos que a sua sombra, o qual o irá acompanhar nesta pequena jornada que mais parece uma estória de Halloween para ser contada às crianças devido aos seus cenários e ambientes escuros representados ao longo da aventura que dá uma pequena sensação de estarmos a assistir a uma criação de Tim Burton.


Os dois protagonistas procuram derrubar o vilão que manipula as sombras do mal, e para tal, é necessário percorrer alguns níveis e decifrar vários puzzles que nunca chegam a ser totalmente desafiantes, principalmente para quem joga videojogos há algum tempo, no entanto mesmo para estes jogadores, sempre que terminarem de completar um puzzle, não vão deixar de aplaudir os criadores por terem feito puzzles interessantes que deixam um sorriso estampado nos jogadores como do género “I see what you did there”.

Para além dos puzzles presentes e que são no fundo a peça fundamental para o jogo ter vida e interesse, algo que pode ser do agrado de todos é o facto de ter um modo cooperativo, que fará com que um jogador controle o nosso protagonista e outro controle a sombra, o que tornará o jogo mais fácil, embora este já conte com uma dificuldade baixa mesmo jogado a solo. Para acrescentar uma dificuldade e um desafio maior, têm a oportunidade de colecionar esferas pelos níveis, umas apenas podem ser apanhadas pelo protagonista, já outras apenas pela sua sombra. Sendo uma sombra especial do nosso protagonista, esta não pode afastar-se do nosso jovem para muito longe ou a ligação com a sombra se desvanece e temos de voltar ao mais recente checkpoint, e por falar em checkpoints, algo que pode agradar os nossos jogadores portugueses é o facto de o jogo se encontrar localizado em português, no entanto como foi mencionado anteriormente, os diálogos são inexistentes, apenas vão contar com os menus de jogo na nossa língua, o que já não é nada mau.


Quanto à jogabilidade, esta poderia de facto ser melhorada, principalmente quando saltamos e queremos cair numa plataforma e acabamos sempre por cair no lado errado, já com a sombra acabamos por ter também problemas na jogabilidade, quando caminhamos à volta de luzes a sombra corre a uma velocidade completamente exagerada e torna difícil controlar para onde queremos dar o próximo passo, mesmo esta sendo jogada em 2D e o rapaz totalmente em 3D. O jogo conta com diversidade de cenários e ambientes, o grafismo podia ser melhor mas também não está mau, e algo que me agradou imenso foi o facto de contar com alguns bosses e não apenas focar-se somente nos níveis com puzzles, e para além disso devo referir que o primeiro boss foi certamente uma surpresa bastante agradável.

No que diz respeito à banda sonora, a música do vilão é boa e dá-nos a entender que é alguém que tem poder, pois ele controla as sombras com a sua caixa de música, no entanto penso que ainda assim, poderia estar melhor e envolver mais os jogadores. Quanto à longevidade, esta poderia ser maior, isto porque os power ups especiais que obtemos no jogo chegam-nos demasiado tarde ao longo da aventura, fazendo uso apenas para os níveis finais, e assim o jogo pode ser facilmente terminado numa tarde sem qualquer dor de cabeça.


No geral é um jogo razoável, pois podia ser bem melhor, mas a verdade é que consegue impressionar qualquer jogador em certos puzzles devido a termos de usar a sombra para os completar e ter a sua originalidade embora pequena. Um título engraçado para jogadores menos experientes e com pouco conhecimento da indústria e de jogos deste género.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Wii U, gentilmente cedido pela Nintendo.