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18 de agosto de 2013

The Wonderful 101


O planeta está em perigo! Depois de uma invasão alienígena que ocorreu no passado, o mundo encontra-se em paz quando os GEATHJERK voltam a atacar! Mas durante este tempo que passou, uma equipa de 100 maravilhosos agentes secretos foi treinada para defender a Terra – eles são os The Wonderful 100! Mas não esquecer o membro número 101, que é o mais importante: o jogador!


A primeira coisa que salta à vista neste jogo é a sua interessante mistura de influências, como se resultasse de um cruzamento entre Bayonetta e Pikmin em cosplay de Viewtiful Joe. Controlar até 100 personagens de uma só vez em combate, numa mecânica em que o todo é superior à soma das suas partes e o grupo se transforma em diferentes armas para uma acção bastante frenética, pode parecer complexo à primeira vista, mas TW101 não é muito diferente de outros grandes jogos de ação como Bayonetta e Devil May Cry: a equipa como um todo é o personagem, a sua formação é a arma a utilizar.


É esta a base da jogabilidade, mas o sistema torna-se bastante mais complexo à medida que se vai avançando na história e adquirindo novas habilidades. O elemento central de jogo é a chamada Wonder Liner, uma linha controlada pelo jogador (usando o analógico direito ou o ecrã do GamePad) para desenhar uma forma ao longo da qual se deslocam os personagens. Embora a Wonder Liner tenha várias utilidades, desde recrutar personagens para a equipa até abrir novos caminhos, a sua principal função é ativar os Unite Morphs, os poderes dos heróis que são utilizados para atacar. Assim, desenhando um círculo, ativa-se o poder do soco do Wonder-Red, ou então, com uma linha reta, o poder da espada do Wonder-Blue, por exemplo. Conforme são introduzidos novos protagonistas, novos poderes são acrescentados à lista. Ativado um poder, passa-se diretamente à ação para combater as hordes de inimigos no terreno.
O combate, como em Bayonetta, baseia-se muito no estudo dos movimentos dos adversários para se conseguir desviar dos seus ataques ou contra-atacar no momento certo. Certos inimigos requerem a utilização de poderes específicos, tais como os monstros cobertos de espinhos que podem ser desarmados com o chicote, por exemplo. Mas o Unite Morph não é a única forma de ataque, existe ainda o Team Attack que envia todos os personagens na direção dos inimigos. Ao estilo de Pikmin, alguns destes ficarão agarrados ao adversário e, se forem suficientes, poderão paralisá-lo, dando abertura para outros ataques. Outra habilidade bastante útil é a de criar Unite Morphs independentes, até um máximo de 5 em simultâneo, que permite libertar uma dose de caos bastante gratificante!


Para um sistema que se revela tão complexo, o jogo tem uma excelente curva de aprendizagem, introduzindo novos poderes e funcionalidades de forma bastante gradual. A forma natural como o jogo ensina as suas mecânicas é ainda mais evidente quando se experimenta o modo multijogador e se tenta explicar tudo em pouco tempo a alguém que nunca pegou no jogo, mesmo sendo um jogador experiente. Este modo, chamado "Wonderful Missions" consiste num conjunto de missões para 1 a 5 jogadores (1 GamePad + 4 Pro Controllers) com uma dificuldade que se ajusta automaticamente ao número de jogadores em questão. É um modo bastante divertido, com cerca de 2h de conteúdo, mas construído de forma a ser jogado muitas vezes, e que só peca por deixar a desejar a existência de opção multijogador no modo de história.


A dificuldade é um factor importante num jogo de ação, e The Wonderful 101 oferece à partida 3 graus de dificuldade para diferentes perfis de jogadores, que vão do "muito fácil" ao "normal". Mesmo assim, este é o género de jogo que fica mais fácil ao ser jogado várias vezes, sendo natural que se tenha um melhor desempenho ao repetir uma missão do que quando se jogou pela primeira vez. O modo principal está dividido num conjunto de "operações" com três fases (A, B e C) que são constituídas por um número variável de missões. De um modo geral, cada uma destas fases tem uma duração entre os 20 e 30 minutos, pelo que este é um daqueles títulos mais adequados para longas sessões de jogo. Embora a longevidade varie um pouco com o grau de dificuldade e a experiência do jogador, este é um jogo com imenso conteúdo e que ultrapassa facilmente a barreira das 15h, sem contar com o modo multijogador ou aquelas vezes em que se repete uma operação já feita só pela diversão.


Mais importante que a quantidade de conteúdo, é a sua diversidade e, nesse aspeto, The Wonderful 101 é um enorme parque de diversões! O grupo de heróis enfrenta uma grande variedade de cenários e obstáculos, tendo muitas vezes que se adaptar de forma criativa, o que resulta em missões que fogem completamente à norma para surpreender o jogador. Alguns cenários, por exemplo, mudam a ação para o ecrã do GamePad, enquanto se resolve um puzzle visível a partir da TV. As batalhas contra os bosses são verdadeiramente impressionantes, com múltiplas fases e uma grande duração, o que faz com que seja ainda mais gratificante derrotá-los.


The Wonderful 101 tem todos os ingredientes para ser um daqueles jogos de culto que serão lembrados após o ciclo de vida da Wii U, um jogo original e inovador que se mantém fiel às raízes do género e que irá agradar particularmente aos que anseiam pela sequela de Bayonetta, mas com uma mistura de ingredientes capaz de agradar e surpreender todos os que procuram um excelente jogo de ação. Por vezes, a ação torna-se realmente caótica, mas é sempre emocionante. Aliada a tudo isto, está uma apresentação divertida com gráficos polidos, cores vivas e brilhantes e ainda personagens caricatos com personalidades bastante distintas, reforçadas pelo excelente voice-acting em inglês e que torna tudo mais divertido. Um jogador de Wii U que se preze terá obrigatoriamente de o experimentar!